Saturday, September 06, 2008
Continue-me.
Não separe, me duvide.
Divida-me em seres pares.
Ou me apare em um pires
Peça-me bem pura
Meça-me perenemente
Em amperes.
Impeça.
E por favor, não me conte.
Algo assim tão...
Não me conte!
Em partes por milhão.
Kate Polladsky
Tenho a impressão que me sopras o vento que me faz ventania.
E que me atordoa a poeira nos olhos, me substitui a vista.
Tenho a ferida de quem venceu um dragão, sem espada, nem escudo.
Sem tudo de todo sentimento esdrúxulo, apenas a esquisitice de ser.
Contudo...
Tenho a intensidade da intenção, e a meninice da invenção, que acabou de nascer.
O que me apressa, me apessoa dos freios, cada vez mais insanos. Cada vez mais gastos.
Cada vez mais gestos, e menos palavras na sua presença.
Uma observação desorientada, de tocaia. Pairo meus cílios na tua longitude.
Se é virtude, não sei. Volta e meia morro na praia. Tentando adoçar o teu mar.
E sinto o gosto insosso da minha maré, o tempero que é o tempo todo você.
Tenho uns sonhos infrutíferos, cujas sementes nem plantei.
Adiantei apenas as folhas, pra sombrear tuas maçãs,
Coisas simples que me facilitas. Seguir sorrateiro com o amor, ou sua diminuição.
Devolvendo o prejuízo que me dá tirar de mim o coração.
Doar-lhe tudo. Do ar, doar-se em nada.
Apenas a matéria compensada do meu ser completo
Com tudo.
Kate Polladsky
Friday, September 05, 2008
Não conhece o fato, e se desconfia... Fato.
Não recorre ao ato, e se distancia. Fato
Não amortece a vida, e se de morte vivia... Fato.
Não ofuscava a vista, e se ainda via... Fato.
Não faltava nada, de fato. Só revelar a fotografia.
Kate Polladsky
De que jeito vai?
De que jeito é?
De que jeito gosta?
De que jeito quer?
De jeito maneira pode.
Mas dá-se um jeito, né?
Kate Polladsky
Disturbed, departed
Deported back home
Devided.
Do not wish that to anyone
I must be a plan of the practical
Pratically hysterical
In this silent me.
KP
Thursday, September 04, 2008
Queria mesmo era o abraço
E preencher-se de si
Com um pouco de outro eu
Como se fosse energia
Como se transferisse sem ferir
E ultrapassasse qualquer entendimento
Queria mesmo era o momento
E queria o mesmo momento para qualquer ser
Como se fosse um sentimento
Mas sem ser
Como se estivesse claro
Mas se confundisse
E isso a irritasse
Ainda bem
Que quer seja o que achasse
Beberia do conteúdo
E fecharia o frasco
Não a tocariam de outro jeito
Só queria mesmo
O abraço...
Kate Polladsky
Wednesday, September 03, 2008
Do seu respeito por mim
Dos meios e dos fins
Que usa pra me desconcertar
E me desconcentrar no tempo
Descanse bem
E quando acordar
Não me desmoralize
Deslize-me entre as frestas
Aonde passo
E onde posso ficar
Fica difícil dizer
Mas não digo, se agora isso
Diz respeito a você.
KP
Tuesday, September 02, 2008
Mas é você que digere todas elas.
Confundi a minha fome com a sua fome
Até que conheci a sua dieta
KP
I
Não espere nada de mim.
Se eu demorar a te amar, você espera?
Disse que está esperando.
O que esperar era?
II
É como se eu tivesse chegado
Um sentimento se achega e se acha
Me faz pensar, acho que cheguei.
Mas entre um dia e outro
Já estou de saída pra outro lugar,
A minha casa eu já achei
Meu lar achei que tivesse achado
É como se eu estivesse fora
E como se eu tivesse chegado
Kate Polladsky
Talvez não dentro do mundo, mas dentro de você.
Sabia disso?
Sei que não vou agonizar. Vou organizar-me no canto de trás
Vou cantar para que durma em paz
Vai mesmo é adormecer de mim.
Sei que vou voltar em susto, em surto, em sonho.
Mas meu rapaz, não volto atrás.
Melhor é a morte de dentro...
Onde duro mais.
KP
O que me prende a ti são os olhos, olhares, e fechaduras.
Nunca as mãos, que me agarram a força e me afiam as garras.
O que me liberta de ti são suas formas e maneiras sem moldes
Sem cortes, nem acabamentos. Sem que se acabem, ou caiam bem.
O que me debruça sobre o corpo são os mais de um coração que não batem por mim
Que somente sentem, sentem-se só e me procuram.
Sentam no banco dos réus, mas julga-me decentemente o amor, faz favor.
O que me confessa as culpas são mil bocas que não conheço, mas já as beijei antes.
Bem antes que falassem besteiras. Deveria ensurdecer-me da vontade de ouvir
E fazer apenas o que me cabe, é aonde me cabem os lábios; sabe.
Facilmente me guisam a carne e o impacto carnal quase me leva.
Assim de leve, e depois em fúria branda.
É tudo que me prende a ti. Fugir às regras e ao tempo insólito.
Não tenho solitude, tenho um despeito sólido
Porque não sou a preferida, sou a proferida palavra no vento
Quem se passa por brisa. Perceba-me como ventania
De passagem por seus cabelos, aonde finco minhas raízes
E viro capilar no teu peito
Me prendo a ti.
Kate Polladsky
Monday, September 01, 2008
Se você soubesse como adoro despedidas...
Daria tudo por um adeus pálido
Um adeus gélido
A um deus cálido
Que não te deixasse fugir assim...
Que te derrubasse do céu
E pecasse um amor por mim.
Kate Polladsky
Não sei se quero que me toque
Que me troque por outras
Não sei se minha sinfonia soa de acordo
Se eu vento num sopro
E se você se arrepia
Não sei de tantas coisas, quem diria
Diria que você tem mesmo muita sorte em me ter
Sem que me proteja desse você
Que me arranha e me acanha
Me representa as faces e facas nas entranhas
Medo de te perder. Só isso
E só risco o fósforo, para me aquecer no esquecimento
Sem sacrifício.
Meu amanhã nunca nasce de parto normal
Tua avenida nunca cruza a minha rua principal
Mas isso não desfaz a nossa natureza de caminhos
Que parecem indiferentes, diferentes ninhos
Onde vou pousar
A minha mão, a minha calma
Repousar e recompor a alma
Você sabe mesmo ser o estilhaço
Que me fere e ao mesmo tempo me segura o sangue
Não sei se quero esse toque de morte
Na nossa ida
Você sabe ser forte quando sou eu a ferida?
Vai me entregar de bandeja sem que me derrube as taças?
Vai me deixar de canto, num ensaio de traças?
Ou vai me traçar em ser que sou, meu e teu
Destroçar o ser que fui antes que chegasse
Arrombando-me portas, janelas, vidraças
Dessa vida aqui, não sei
Tu ficas, ou passas?
Kate Polladsky
Tenha feito novos amigos, em velhos amigos.
Tenha refeito as pazes consigo.
E talvez por isso cessaram-se as perguntas e os questionamentos
A tranqüilidade de viver sem precisar de porquês
Talvez você não tenha ganhado tanto com isso, quanto poderia perder sem.
Mas quem te suportaria melhor do que você, hein?
Kate Polladsky
E comeu o chocolate como se visse biscoito
Quiçá o é.
Quis beber todo o chocolate
O cacau foi buscar no pé.
Quis ter sede da água
De uma quase sede eu.
E quase soube, quase coube.
O entender nos cubos.
Enquadra-se bem?
E olhou com curiosidade como se enxergasse
Se buscasse acharia. Se fosse atrás, teria.
Riu, como se achasse graça.
Como se não fosse.
Apontou como se indicasse
Como se dissesse, eu tenho razão.
E adoçou o dia alheio, como quem não parte.
Como se contivesse... E comeu o chocolate.
Kate Polladsky
Sunday, August 31, 2008
Sem causas, recusas, reclusas e coisas que nem sei dizer
Vimos que nem sempre temos mais que nós
Mais que sós, desatamos mais
Mas que ainda assim, paciência, somos nós os nós
E sós nem paciência faz jus
À companhia degradante de uma estrada vazia
Devolva-me os passos e os pés descalços
Os calos e os papéis
Todos que representei pra você
Todos que risquei
E tudo mais que eu rasguei
Vamos os dois devolvendo um ao outro?
Demonstrando quem realmente somos?
Somos dois?
De vez em quando ao menos?
Mais que isso eu não peço
Eu não posso, então que passe em branco
Vamos não me faça colorir os rabiscos
Que são só motivos
A dádiva da intenção
Eu queria mesmo era ir
Os dois, permanentes e gritantes
No silêncio meu e teu
Atentos ao perigo que é
Sermos apenas eu ou você.
Kate Polladsky
Me enche o copo?
Me bebe o corpo?
Me joga ao topo?
Me tenta agora?
Me tantas todas
Menta e amora
Mente na hora?
Me despedaça?
Me transpassa?
Me liga as pontas?
Me mescla as taras?
Me lambe os cantos?
Me canta mesmo?
Meticulosamente
Me adoece?
Me adoça?
Me encanta?
Me continua?
Me renovamente?
Me leva?
Me lava?
Me seja?
Me suja?
Me cospe o alívio?
Me livra do vício?
Me escorrega?
Me agarra?
Me espanta?
Me espalha?
Me mostra?
Me mima?
Me solta?
Me atrasa?
Me olha?
Me ama?
Me tranca?
Me trava?
Me abre?
Me revela?
Me veste?
Me sopra?
Me arde?
Tanto assim?
Kate Polladsky
O quê?
Queres ou não?
Quero
Hmmmm ele quer
Isso é ruim?
É aceitavel!
Afinal tu queres!
E se eu não quisesse? Seria mais aceitável?
Aí seria renegável, não?
Renegar também não é aceitável?
Se você não aceita, você renega.Ou não?
Afinal de contas... se eu não quisesse, seria ou não mais aceitável?
Seria compreensível...
Mas seria moralmente mais adequado?
Eu não pensei em nada moralístico. Acha que eu deveria?
Não há como não pensar. Os preceitos morais fazem parte de você, estão encrustados na sua personalidade. São inerentes a sua forma de pensar, e de enxergar o mundo.
Pare de me assustar homem! Eu e a minha papa de aveia estamos moralmente desconstituídos, mas tu queres, ou não?
KP feat. FC
Tuesday, August 26, 2008
Mas foi tola e foi mistura
Quis ser uma só
Mas foi babilônica
E foi pedaço também
Quis ser si mesma
Mas mesmo assim se foi
Não foi nada assim, demais
Que foi?
Quis ser adivinhada
Mas foi adivinha
Quis ser a comédia
Mas foi divina
E foi a dúvida também
Quis ser a fruta proibida
Mas foi madura
E se mordendo de vontade
Não caiu em si
Não caiu do pé
Permitiu-se permanecer
Em aura pendurada do que é
Nunca mais que isso
Ou além do que quis
Injusto?
Veríssimo.
Kate Polladsky
Sunday, August 24, 2008
Mudo muito de sonho
Mudo muito de objetivo
Mas no fim eu só quero ser feliz
E eu só sou feliz mudando de felicidade
Sou só e isso também é felicidade, só isso.
Flutuar é bom
Mas daqui a pouco vou arrumar alguém pra me distrair
Que fale muito, tudo muito sem sentido
Que viaje, na mente e na estrada
Que me leve junto e me lave a alma
Eu não sou de ninguém que me queira
Sou de quem se apossa e não me diz
Mudo muito de amor
Mudo mais ainda de dor
Assim mesmo, mudo de cicatriz
Canto muito, muito baixo pro meu gosto
Gosto de tudo um pouco
Mas gosto muito
Geralmente o que gosto é muito simples
Mas adoro complicar, pra ficar mais bonito
Pra durar a intriga e a provocação
Pra ter medo, de ter complicado tanto que perdi
Mas mudar de perda é ótimo
Se ganha muito com isso
Porque quando ganho, sou tão feliz
Que sinto que nunca perdi
Mudo de exagero, de loucura
Que no fim tinha tudo de normal
Tem gente que não arrisca na loucura
Prefere julgar a normalidade alheia
Eu prefiro respeitar o mar de cada um
E olhar como ele molha a areia
O meu mar se dá por completo
Se deixa absorver aos poucos
Sem que vire poça nos grãos
Sem que espume na beira
Mudo muito de praia
Mas não mudo a minha natureza
Mudo de liberdade
Mudo de ares
Mas não mudo de asas
Não peço a ninguém que mude por mim
Mas por mim eu até que mudo por alguém
Se não valer a pena eu mudo de alguém
Ah, eu mudo.
Se me der na telha, mudo tudo
Que mudei até agora
Sou de lua. E tá tudo na mesma.
KP
Wednesday, August 20, 2008
Não fui eu quem lambeu os pratos
Estou só enfatizando
Não fui eu quem distorceu os fatos
Estamos todos livres
Onde está a maior perda?
Desse legado de merda
Me faz lembrar um coisa
Me fez pôr uma pedra
Agora,
Vou começar minha construção
Com as cinzas de tudo
Com tudo a que me presto
E todo o resto
Do meu coração
KP
Monday, August 18, 2008
Se eu puder apenas escolher te observar
Enquanto teu sono cobre o cansaço
O lençol cobre o teu rosto
Tua respiração cobre o quarto
E da noite emane o gosto
De cada coisa que tu sonhas
Se eu puder apenas colorir tua pele com a minha
Teu cabelo com o meu
E adormecer no mesmo eclipse
Sobrepor-se em corpo, pernas e asas.
Desfazer-se em morte viva
Reviver a noite em brasas
Como se ninguém visse
Como se ninguém pudesse
Ser um instante do seu
Apenas eu.
Apenas eu.
Kate Polladsky
Ducentésimo em diante
Você estará ausente
Não sei que bem fará
Ou para quem será este presente
Mas nesse instante
Não trará nada que eu já não tenha.
Nada que eu já não tenha deixado ir
Das milhares de vezes que mencionei-te
Poucas vezes criei significado
Não é para se ficar descontente
Deixar-te hei calado
Inócuo e vazio
Já há muito tempo distante
Tal como houve primeiro amor
Chegará a centésima dor
Nada mais por um fio
Que despenque tudo de antes
Nenhuma gota amarga
Irá me criar enchente
Ducentésimo em diante
Eu rio
Kate Polladsky
Friday, August 15, 2008
Não faço nada de grandioso
Apenas descrio
Apenas escrevo
Esse mesmo nada que escraviza
Liberta
Tal como seria se criasse
E ainda assim se o fizesse
Não seria algo grandioso
Apenas uma discrição da descriação
Ou talvez uma descriação mal criada
A criação
Kate Polladsky
Thursday, August 14, 2008
Que nem fazendo esforço tu controlas
Ser teu dicionário de palavras chulas
Quando tua raiva não tiver saída
Ser tua pobreza, tua recaída
Quem te faz morrer de pedir esmolas
Serei quem sou e ainda!
Um ser sem sobras
Kate Polladsky
E se eu me reinvento?
Enquanto retrocedo
Ou retorço um progresso
Pouco me importa
O que eu penso.
Pensar é uma derrota
Sem o intento.
Vou criando mais de mim
Desfazendo-me assim.
Não há nada que eu possa fazer
E quer saber, eu não lamento.
Sou muda o tempo todo
Só mudo o que vou dizendo.
Aproveito pra me perder
Um alvoroço pra me prender
A qualquer coisa comum
A qualquer custo
A qualquer um
Nada muito qualquer
Não são pra todos
O melhor rótulo de rum
O mesmo gosto forte tem todos
O mesmo mal-estar
Mas o mesmo de tudo é um fardo
Que já estou farta de carregar.
Kate Polladsky
Tuesday, August 12, 2008
Fim do corredor
Perdi-me no rim
Do amor, da dor
Estranhei a distância
Estreitou-se a ânsia
De te ter perto de mim
No início era claro
Hoje é comum
O que era raro
E a lâmpada se apagou
No fio do corrimão
O feixe de luz então
Virou silhueta
Uma penumbra
De tempos em tempos
Na ampulheta
Um vislumbre
E todo esse sentimento
Sem cor
Eu percebi quando me vi
Olhando-te no fim
Do corredor
Kate Polladsky
Expressivas e estridentes
Anexar à minha identidade perdida uma nova linhagem de valores e favores
De mim para o que sou e como me sinto quando você se revela
Juro que nas ruas os outros seriam outra história
E sei que jogariam suas ideologias e julgamentos sem leveza
Como cartas na mesa de pôquer, como pedras sem saberem o porquê.
Eu não ligo para todas essas pobrezas de alma e essa geração de mal dizer.
Juro que abraçaria sua natureza e me doaria para as dores do mundo
Do seu mundo, do seu muro de liberdade.
A minha vida vibra na confusão dos meus problemas E vibra-se de você.
Identifica-se e se aloja como bala no peito
Como se fosse tarde demais
E pudesse subornar o depois, com toda ética sentimentalista e carnal possível.
Juro que se por meio dos meus sentidos pudesse te materializar
Não teria qualquer martírio o amor recém descoberto
Que já está juramentado de fim.
Sem que eu pudesse fazer qualquer coisa
Exceto quebrar os juramentos que fiz dentro de mim.
Kate Polladsky
Monday, August 11, 2008
Um triz muda muita coisa. Muda tudo. É sempre bom estar por um triz, quando um calendário é só um calendário. Quando um dia, depois o outro, depois o seguinte; nenhuns deles se tornam lendários. Tornam-se falsos cognatos de uma vida plena. Os dias.
Meu medo é excelente confidente. É um vácuo da gaveta, de madeira nobre. Sem trancas, apenas discreta. Medo esse que tem uma fome voraz. Digere tudo o que nele jogo, insatisfeitas suas enzimas ardem por mais.
O medo quando adormece o corpo estranha. De tão incorporado, já não é corpo estranho. Mas corpo entranho. O medo.
Cutuca-me os calafrios na pele, a platéia emerge. E é o medo então que surge como patrão frio e autoritário, delega o que quer, se senta ao alto e observa. De espírito mecanístico, não sei se se classifica como erro, como agravo, ou como agrado.
Medo que é medo, teme perder sua natureza. Teme por essa vertigem.
Por qualquer coisa que lhe provoque coragem, de perder-se da origem.
Kate Polladsky
Thursday, August 07, 2008
Um pingo do poço
Viu-me tropeçar
E os dedos dos ossos
Não puderam segurar
Meu esboço
Que caía
E ela ria
Ela ria
Diante do riacho
Onde
Marchavam peixes
Tão traíras
Riscando a película
Da água
Em preto fosco
Era macio
Mas eu morria
E não fazia
Nenhum esforço
Despia-me
Da pelagem viva
Que me continha
Sem descompasso
Nem alvoroço
Embaraçava
Minhas pernas bambas
Nos contornos daquele dia
Salivava pelas beiras
Ao dizer que já sabia
Gotejava em muitas réplicas:
E ela ria
Ela ria
Escorria por meu pescoço
A vida em movimento brusco
Despejava-me ainda moço
Ao sublimar outro maço
E no subliminar precipício
O fim que tanto busco
Eis aqui meu sacrifício
Juntar-me hei
A um pingo no poço
Kate Polladsky
Não sou aquela coisa inocente,
Dependente e perfeita
Que morre
Sou aquela coisa displicente,
Decadente,
Que se espreita
E morde
Kate Polladsky
Wednesday, August 06, 2008
Melhor que eu me despeça
Que eu me afaste e me aqueça
Melhor só te observar
E te levar na cabeça
Depois para que volte e te ofereça
Alguma coisa nova, tênue
Alguma coisa que não tenhas
Melhor que eu não te peça
Para que tu me esqueças
Pois sei que assim farias
Na falta do que fazer
Dirias
Que não foi a intenção
Mas a falta de alguém
Por perto
E se perder na confusão dos dias
Deu certo
Eu pensava
Que se quebrassem meu coração
Montarias peça por peça
Mas de certo, em pedaços
Não há amor que impeça
A liberdade de te perder
E para que não tenha que ver
Tudo isso de perto
É melhor que eu me despeça
Kate Polladsky
Me explica
Por que fica procurando me encontrar?
Só pra me apresentar à dor
Se situa
Não sei se é tua
Esta flor de Martinica
Nem sei se isso
Ao amor indica
Você é única
Então por que
Arranhar o violão
Com os dedos sujos de tinta
Pára e canta essa canção
Aquele que eu gravei na fita
E até hoje finge que não gosta
Ela é só uma amostra
De quando a vida imita o mágico
E agente senta
Esperando que algo desapareça
Sei que se não fosse mágica
Seria trágico
Então, não me deixe ir
Pra esperança renascer
Eu quero ver você rir
Até que passe o rio
Pelos seus olhos
Pra que eu possa enxugar a margem
Ver quando aquele brilho surge
E se confunde com a miragem
Você que implica
Não sabe que graça teu rosto fica
Quando erra na maquiagem
E assim se irrita
Espalhando todo o batom na cara
Então pára
Pára de dizer bobagem...
Kate Polladsky
Sentir o gosto da tua ausência
Me permito a saudade
E o amor primeiro
Pode até ser verdade
Que eu não te escute
Mas veja,
O quanto o silêncio discute
Sem bocas, nem brigas
Resolve tudo, dá todo o sentido
E depois denuncia-nos
Como marginais
Rasgando a noite
De toda a sociedade
Descobrindo um ao outro
E cobrindo um ao outro
No frio, no fio de algodão
As vezes eu me deixo
Simplesmente porque
De você não abro mão
E você diz que não te amo
Pode até ser verdade
Pois sinto que te vivo
E a saudade de antes
Deve vir de minha morte
Passou-me na cara
Que não sei viver
E me pergunto
A que se deve essa autoridade
Mandando-me ao inferno
Deformando meus sentimentos
Desmerecendo minha existência
E você diz que não te amo
Que não sinto saudades
Ou...
Sou eu que não sei viver?
Pode até ser verdade...
Kate Polladsky
Tuesday, August 05, 2008
Qual é o teu problema?
O quê tu não encontras?
O país é uma afronta
Tem pobre logo em frente
Te aborda e te rouba
Pra garantir o de hoje
O que te importa?
O que tu ganha?
Mas a criatura já deu cria
Seu descanso sequer tem fronha
Por que te espantas?
Por que te espantas?
Empacota mais um
Quanta carne come um tiro?
Manda a conta
Manda a conta
E solta os leões
Deixa correr solto
Pobre do rico que topa
Mostra
A tropa atrás do preto
Tá escurecendo mais cedo
Aqui perto
Com certeza não fui eu
Que to mangando do tempo
Qual é a tua raça?
Qual é a tua praça?
Aqui tu não pisa
No território da massa
De um lado o pão tá fresco
Do outro, largado às traças
Há uma cova no peito
Do desgraçado
Não é erro de cálculo
Não é mácula
Não há corda no pescoço
Dos tiranos
Só gravatas
Vão tirando a minha fé
Vou andando em marcha ré
Arrastando multidões
Assinando mil papéis
Pra soluções em fila dupla
Sustentando os padrões
E desmanchando a construção
Mea culpa?
Estou de corpo presente
Mas põem o corpo de fora
Por acaso é um fantoche?
Quem me representa agora?
Kate Polladsky
O canto, o tanto
O tango da menina
A vermelhidão nos cabelos
A vergonha na cara
A recompensa
O aplauso
Pausadamente, o abraço
O plausível, o traço
O método, as cordas
Intuitivamente o som
Das notas, se nota, se anota
Ecoa e se repete
Se conduz ao palco
E se derrete
Se comprime
Se exprime
As mãos apanham
Na pele do pandeiro
E depois se acanham
Preenche com o vazio,
A voz
Em solo, em dueto
O poeta
Envenena com a letra
O cianureto
A musica, a experiência
A responsa, a autoria
É o empírico, é o eu-lírico
Se interpreta, se comenta
Se conserta e em concerto
Se espanta,
Depois se entrega
E se acalenta
Escuta tudo
Impressiona
O prazer do som
Quando fala, ou quando cala
Quando vêem
Em vidro ou em plasma
Tão pasmem
À perfeição
Organismo vivo
O nú sonoro
No palco ao público
Que se aquece ao frio
Na espera, horas a fio
Desfazendo as unhas
Apertando-se entre ombros
Buscando lacunas
Para te alcançar, e te prender
Em olhares, em fotografias
Para que o tempo passe
E naquele momento pense:
Coisas boas acontecem
E estampado para sempre
Não se esquece
Não se esquece
Kate Polladsky
EM FRENTE À TELA DE COLORBAR
E bebo o café quente
Recosto-me na parede fria
Deixo-me levar pela ventania
Pelas ruas da cidade
Fujo
Eu que finjo francamente
Toda a sinceridade
Do meu coração sujo
Agora é cedo o suficiente
Para que se torne tarde
Da varanda me despenco
Num repente
E flutuo como roupas no varal
Sangro para embebedar-te
Uma forma de entreter-te
Eu, o néctar de um vinhedo
A transbordar no teu graal
Penduro-me entre os galhos
Que nunca crescem, que nunca pesam
Que nunca descem e não padecem
Com seus frutos
Meus passos falhos, minhas tralhas
Deixadas como trilha, para mais um que temo.
Volto só, subindo os andares
Para o lar, limpo de minhas dores
Adormeço com fome, com música
Como de costume
Largada na sala-de-estar
E sonho leve
Matando a sede
Do meu inconsciente
Em frente à tela de colorbar
Kate Polladsky
Ice cold land
Where I lay my losses
Where I beg forgiveness
Your capture, your chapter
Yours completely,frozen
A crack in the middle
A nameless feeling
Your heart is a Ward Hunt
It giggles, giggles
At my pain
What a mockery
Such a poverty, love is
Wide and plain
Emptiness filled with void
If you can´t see it, you must plan it
At least to avoid it
To scape or to fight against
Love will yield your ground
The sunlight scratching the iceberg
Will pleade you guilty
And leave you weeping
Until you wake up suddenly
At the lost and founds
My love is a Ward Hunt
For an instant
Maybe a fever
It´s not clever
But, a stunt
Love is nothing
But a Ward Hunt
Kate Polladsky
Monday, August 04, 2008
Está tão diferente
Está tão bela
Este cabelo, e os ombros livres de tecido
Tudo se encaixa perfeitamente
Tudo parece único nela
Tão diferente do que tem sido
Hoje não soube como não perceber
A presença, o perfume à distância.
Não sei como não a levei ao jardim
E fiz dela a rosa maior dentre todas elas
Não sei como não a beijei
Não sei, me recordou à infância.
Quando eu via pureza nos lábios
Quando eu ouvia somente a voz
Mas hoje
Não sei o que recai sobre ela
Só sei que caio aos meus pés
Como o rei se debruça ao ás
Como faria um sábio
Está tão bela, tão bela...
Não sei o que há nela
Não sei o que ela traz
Mas seja ela tão linda ou tão bela
Tanto faz...
Kate Polladsky
Sinto muito, sinto tristeza, mas sinto que é tudo planejado, é tudo plano é tudo parto.
Eu me conheço, eu me renasço. Eu permaneço e me disfarço. Quando canso, ou quando cantam a canção. Quando sim, aceito um não. E por isso, semente em precipício... Ameaço me jogar para me sentir segura, sem que segure em qualquer pedaço. Algo dentro de mim se consome.
Algas dentro do aquário, roupas dentro do armário. Enquanto me desarmo por qualquer ameaça.
Será desistência? Será inteligência, quiçá a insistência do passado. Tudo que deixei de lado... Ou mesmo engarrafei e arremessei à onda, onde ainda ronda, onde ainda ronda...
Agora me reencontro com a pessoa que procuro, dentro de mim me acho, dentro de mim é escasso de tudo enfim, de tudo...E fim.
Kate Polladsky
Distância...
É o acesso fácil à loucura
Ao passo desmedido
A medida da força
De atração entre os corpos
De saturação de si mesmo
De semelhante significância
Distância...
Que te olho muito profundamente.
Desculpa,
Tudo que vivi foi muito profundamente...
Eu te ensinei quem sou...
E você foi me tirando...
Os espaços entre os abraços,
Guarda-me apenas uma fresta.
Eu que sempre fui livre,
Não importava o que os outros dissessem.
Até onde posso ir para te resgatar?
Reclama de mim, como se houvesse possibilidade...
De me inventar de novo.
Desculpa...
Desculpa se te olho profundamente, rente à pele...
A ponto de ver seus ancestrais...
Nos seus traços.
A ponto de ver a estrada...
Onde ficam seus passos.
Eu não vou separar minhas vitórias
Dos meus fracassos!
Eu não vou renunciar a mim;
Nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser
Vibrante, errante, sujo, livre, quente.
Eu quero estar viva e permanecer
Te olhando profundamente."
Fabrício Carpinejar
Sunday, August 03, 2008
E me deixar envolver por seus sarcasmos
Meu coração te reconhecer em espasmos
E me deixar experimentar o teu gosto
Meus dedos subirem em teu rosto
Acordar quando te vires adormecer
Sentir preguiça ao descansar na sua presença
Talvez curar-te em minha dor intensa
Prender meus calafrios em suas cordas vocais
Agitar-te à minha maré mansa
Despejar-te o mar para teus sais
E me render à tua íris
Reduzir-me ao que tu vires
Aparar-te pelas costas
E dar-te uma amostra
De mim
Respirar a poeira das suas palavras
Retirar das ironias as aspas
Emudecer a boca, e aquecer a nuca
Escorrer os cetins pela pele
Revelar-se completamente nua
Idiotizar-me por inteiro
Com amor indecente
E paixão incessante
Com velas sem barcos
Sem jantares e sem luz
Certificar-me de sua vinda
Santificar-me disso ainda
Sem o sinal da cruz
Compreender as suas manhas
Acompanhar as tuas sagas
Guiar-te às cegas
E alimentar tuas entranhas
Estranhar o ambiente
E os ossos salientes
Do teu corpo
Ver-me torpe
E trêmula
No suspiro à superfície
Na sobrevivência
A angústia de tudo
A paciência
Onde me renegas a mim
E relativas o fim
Seja este o mais derradeiro
Seja um fim sem arrodeios
Permeando pelos meios
Negligenciado
Por um derradeiro sim
Kate Polladsky
For things
She´s got
If I tasted
Would I like?
Would it shock?
Would I choke?
Good words
For things
She´s got
If I spoke
Would I shut?
Woult it mean?
Would I show?
That she´s got me
KP
O som que sangra
E cessa a anemia
O solo que segue
A sina O sim
O não
O simples
A opção
De ana
A vox
A discrição
A descrição
Ana
De trás
De frente
O reflexo
De ana
Dos anos
No espelho
Na família
Na raiz
Interiorana
De ana
Canta
Pinta
Encosta
A madeira de cordas
No canto
No entanto
Encanta
No momento
Só
Ana
Kate Polladsky
Strange my feeling
You got me healing
Smiling and dying
Changing by chance
Or just the feeling
Of trying
I have a doubt
A thought and a stone
To build my fortress
To keep you safe
Inside my heart
You, the thought and the flame
I have a feeling
That my love
Evaporates to the ceiling
And makes you believe I burn
I have a feeling
Strange my feeling
It is all wrong.
Kate Polladsky
Você é minha influência e, paciência;
É só o que preciso ter
Não quero te tocar ao longe
Na pele, no rádio, na alma
Não quero, simplesmente espero
Que você se surpreenda
Lamento que as cartas não tenham chegado
Uma descoberta se sustenta em silêncio
E que silêncio você não quebra?
E que nada se sobressaia
Que eu não precise de um sobressalto
Sóbrio amor morto
Que sábio.
Kate Polladsky
Thursday, July 31, 2008
Nem tão longe e nem tão perto
Mas volte
Não me traga nada
Noticias quem sabe
Não é muita coisa
Apenas volte
E me conte tudo
Me mostre tudo
Me ensine tudo que desaprendi
Me reconheça ao menos
Não me volte o mesmo que deixei
Renasça e viva
Por um instante ao longe
Não me volte santo nem monge
Do jeito que for, volte.
Não sinto saudades, acho que sinto falta
Não te sinto, não me sinto sua
Volte pra esse lugar de gente malta
Não sento um instante
Rodopio entre paredes
E se debatem em minha mente
Algumas coisas sobre você
Algumas das quais já sabia
Outras das quais nem sei
Volte e encontre minha presença sã
Não me considere, não me desespere
Volte em meio ao caos
Com calos, caminhos ralos
Sozinho ou enfim
Volte
Com tantas voltas que o mundo dá
Entre encontros e desencontros
Um mal-estar
Não por mim ou por nós
Mas um dia por um momento a sós
Descartar conflitos e desatar os nós
Largar tudo à própria sorte
Vai por mim
Volte
Kate Polladsky
Quem parte nunca sabe o que parte e o que fica
Nada resta e, sobretudo nada teve.
Por que fechar a porta aberta?
Por qual brecha foge o tempo?
Por que flechas não erraram seu destino?
E me acertaram em cheio
Agora eu quero o copo meio vazio
E o quarto, não me importa se está frio.
Esmolas de amor não me completam
Melhor estar sozinha e pelo meio
Estou aprendendo a me entender
Aprendendo a guardar memórias
E não aguardá-las
Não porque quero, nem porque preciso.
Mas porque não me vejo reduzida a escória
Ao desamor me apego
E ao amor me apago
Diante disso não me cego
Não me deixo, não me salvo.
E fui fechando os olhos pra esquecer
Até que eu não tinha tanto pra perder
Não somo muita coisa sem você
Diante disso não lhe deixo
Não tão cedo
Ou não me salvo
Em tom de desrespeito
Um abando próprio
Atiro no que sou, eu sou o meu alvo
Uma inconstância se exprime
Tudo que me faz se deprime e
Nada no fim se desfaz
Ou se conduz à luz
Ou se deduz que é amor
Nem meu e nem seu, amor.
KP
Friday, July 18, 2008
I´m now homeless in me
and all Iam is you without you
Wednesday, July 16, 2008
But hardly ever I take it
Once in a while I demand
But hardly ever accept it
Sometimes I make it
Sometimes I fake it
What you see is what you get
Unless you´re blind like me
Or blind like that
To trade the ones you know
For the ones you met
I´m normally breakable
But daily Im stronger
For me no heart is avaible
And no joy lasts longer
Once in a while I fall
But I hardly ever kneel
Once in a while Im hurt
But I hardly ever feel
Sometimes I try
Sometimes I let go
Sometimes I rush my life
But now I make it slow
Then maybe I know what I seen
And maybe it was between and between
There are times I force the pace
And times I lose my place
So there are times I run
And times I wait
People with whom I get along
And others for whom is too late…
Kate Polladsky
Friday, July 11, 2008
Algumas pequenas coisas vão fazendo sentido. Coisas minhas que eu dispenso, você aproveita e transforma em elogio. Como podem ser tão grande as pequenas coisas?
Como quando você anda ao meu lado, eu esqueço pra onde vou. E se um dia me importava o destino, sei que é porque estava só. E então, pra onde vamos agora?
Amor me deu respeito. Não sei se você percebeu que comecei a viver. Vivo esperando que você ligue, vivo querendo dormir menos pra ficar mais tempo contigo, vivo dando o melhor de mim pra que você se orgulhe, vivo fazendo mil planos, vivo pensando se daremos certo, sem me dar conta que você me mantém vivo, e nisso foi que acertei.
Quando você volta? Eu estou menos vivo na verdade. E tem aquilo de saudade, que eu tenho que te explicar...
KATE POLLADSKY
Thursday, July 10, 2008
Crashing feeling and the way I behave
They spoke senseless words in your ears
And look what we were reduced to, after all these years
I feel tired and indifferent
All these things they make no difference
So I´ll leave my heart in the ocean
And my feet on the rocks
Because I´m the breeze in motion
And the sunset on the spots
When I´m high and free
the world is the water under me
And If I´m knocked down
It´s still just here and now
I´m going to where the wave bends
That´s where my life starts
That´s where my problems end
My heart no talking mends
I´m going to where the wave bends
My presence´s a matter of trust
I´m a one free man that no love will rust
The dust of it all perhaps the wind sends
So I´m just goin´to where the wave bends
Kate Polladsky
Monday, July 07, 2008
Or self resignation
That could mend my heart
Or stop us from setting apart
Every single piece of who Iam
When I´m with you
The world is still happening
And what is happening to me?
I still don´t fear the results
I still don´t get the insults
That comes out of myself
But oh, I feel a little death
As if it was part of my health
I gain no benefits
But sleeping through my life
And skipping up to the part
When I just lay
And let love be lame
Or not so far from it
A distance between the failure and the future
I walk out of it no more
With my bare foot on the tightrope
I´d rather just fall
And force the end
Like I do when the rope bends
I´m happily groundeless
The ground catches me when I fall
And that´s the further I ´ve been
By carrying love with me around
How does it sound?
Im a one player team
and you´re playing hard against me
That´s what we´re all about
I love you simply
You leave me simply
That´s love, no doubt.
Kate Polladsky
Wednesday, July 02, 2008
O que é meu não é mais. O que não é, tanto faz. E o que poderia ser perdeu-se de si.
Por que é tão profundo o abismo entre o que quero e o que sonho? Por que simplesmente não acontece no escuro? Algo sempre tem que deixar de ser visto.
Revivo vários pedaços que não se juntam e nada são.
Reintegro-me como que por lazer, para ter algo a desfazer, cedo ou tarde. Um corte que arde.
Então cessa, mas nunca se fecha, não me dispensa de haver. A ver ninguém que por perto esteja, e que por certo seja bem mais do que a soma de mim.
Kate Polladsky
Monday, June 23, 2008
I´m surprised that you never knew me
After all these years…
Of your music on my ears…
Wouldn´t make me dance a different dance
Wouldn´t embrace my soul to a sweeter song
Something I always expected from you
Isn´t something that would ever come true
But I´m a dreamer, you know
And as a dreamer I´m supposed to be disappointed
What I see is that we´re less than we ever wanted to be
I wanted to be free in your freedom
In which other way could you free me,
But locking me inside yourself?
I hope we´ll meet in some years from now
In the same house, in the same life
And maybe fall in love again, somehow
Because, it´s strange…
I fix your life and need fix on mine
Who´s there for me?
I´m not a fulltime raise
I´m not a fulltime shine
I raise up like the sun,
But go down on the line
Where my horizon sleeps
For a new day to start
Though I start to get tired…
And move my steps more slowly
If I don’t´ settle down with you
I´ll lay down on my own
Anywhere I belong
With my hurts and healings
Suspicious that I knew enough of you
Surprised, for knowing myself too.
KATE POLLADSKY
Monday, June 16, 2008
That dies every single day
It´s just a piece of me that slips away from here
I´m fine, just a few steps walking out of line
Or a chanson triste playing out of time
I´m a role of the sweetest kind
With story that some would mind
And I´d mind to forget
Every lonely other has got a match
I´m matching myself with someone I never met
Is this for real, really, it´s the best I can get
I´m super, lonely hoper or per minute smoker
Who makes no fire, who sets no flame on the man of her life
I´m good, better than the last time.
I´m on the worst side
Of this town, which for reasons they don’t understand
Brings me down
But still is warm and open
Like my heart, it grows older
And easies no pain
But I´m great, just noticed
It´s a little bit of you on my soaked ways
It´s break of me on your everyday
That dies or does no good
When it rains I sing
And seem to pass you by
As simple as it seems, a lullaby
I´m doing miracles on my own
Is my god left in stand by
Working hard on my comical judgment
Is loneliness a kind of entertainment
I just wanted to make it clear
That I´m not sad
Just not happy, you see
I´m great, I´m fine
Ironically a good way to sign
Kate Polladsky
Friday, June 13, 2008
Hey won´t you crack my bones
Into one body or many ones
Then come take care of me
And mend horizons to see
I traced a line on the sand
Will your steps head to my sea
She´s got the right over my heart
And broke all the laws the world has made
Called up the shine all over
Made the dark of a man´s life fade
She´s got the taste of a candy
Sweets me, soothes me, melts me inside
Set my pattern to follow
Lays in my arms as a bride
She´s got a problem to solve
Can´t absolutely deny
Won´t get rid of my love any sooner
Just tight up her destiny to mine.
Kate Polladsky
Thursday, June 12, 2008
Sou um pouco Fleur e um pouco Lis
Mas para eu ser Lispector me faltou um triz.
Kate Polaldsky
Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
Clarice Lispector
Monday, June 09, 2008
I want to drive against my worries and loneliness
Crash my confusions make things lose ground
To fake could work to feel could solve
Could I have any chances with the one I love
If only my life hadn´t so many lines
If only my world hadn´t so many lies
I´d lay around anywhere that moved me on
But for now, I´m turning into myself
Though Im always on the verge of yourself
It makes me wonder how many ways are gone
And how many times I thought I was done
Restarting like a loser, always like I´m older
But never leave my wannabe skin
Nothing really makes my head spin
I stick to my everyday smile
And you still belongs to my self steem
I like to say so
You still belong to my self steem
KATE POLLADSKY
Thursday, June 05, 2008
De tanto que me existo, me desisto, me resisto.
E insisto em não pôr fim ao cíclico estado de mal estados de mim
É algo tão profundo que me cobre e me sufoca
Morrer soterrada em minhas próprias cenas de terror
Dentre elas, talvez todas elas amor.
Quando não tenho a quem questionar, apenas me pergunto.
E como quando tenho a quem questionar, resposta alguma me vem.
Um vão, que são vários pedaços esvoaçantes da minha pessoa.
Liberdade que me diz respeito, apenas em pedaços, nunca eu esvoaçante por inteiro.
O desastre me acontece, eu o próprio desastre, aconteço sem fatos.
E como é rica essa natureza de ser e não ser
Ou ter e não possuir
Perder o que nunca se teve. A isto me atrevo, tem sobras no coração as quais não me desfaço, ou pior, não as refaço, simplesmente porque não depende de mim.
E aí, choro ou morro?
Apenas protagonizo. Vidas e risos. É para isso que estamos aqui. Para tentar ser o que queremos, e tentar não lembrar do que não somos.
É apenas complicado demais humanizar a si mesmo
Por isso quase todos desistimos
Quer por falta de forças ou estímulo
Eu não sei de que forma me pensar
Mas como qualquer um, gostaria que pensassem em mim.
Que seja a parte pensante, a que me falta.
A que não me faz falta, enfim.
KATE POLLADSKY
Sunday, June 01, 2008
I´m looking for a heart, and a home
Looking forward that both are one
And I´m not just me, mess, meaninless me alone
Don´t want a projected life, a reproduced life, a copied life
But I want a lived life with leading signs of happiness
With some more people than I counted
With no leavings and aparts
Just a lover and a loved,
Nothing coming from Mars
Peaceful times that we amounted
Wanting the snow and my Santa Claus
Not this chorus on my everyday
Repeating days repeating days
When we cannot repeat life
We cannot repeat the times anyways
Willing to go but bringing my roots
Making my way
Dreaming if I may
My own ground under my foot
Our own sound to remember
To be ourselves the message not the senders
And make castles with the sand on the beach
Cross fingers, fate and feathers
Fall for the same tears and lie in the same ditch
Smooth the same bed and fly to the same world
Still be back for breakfast
And break no heart
Just stamp a mark
From life together, love.
Kate Polladsky
Wednesday, May 28, 2008
Alguém me esqueça para voltar a se lembrar
E o fato é que alguém que me ama não me conhece
E se reconhece por favor diga
Pois de dia em dia eu passei despercebida por mim mesmo
E nisso pode ser que você já morasse dentro de mim.
KATE POLLADSKY
Tuesday, May 27, 2008
Compreendo como quase inútil é a companhia do estar só. Tão inútil quanto não estar só e ser refém da solidão de outrem. Por isso adormeço no começo daquela frase.
E em todos os dias de hoje, vivo muito e vivo pouco. Procuro assim lembrar-me da vida, como um gesto único de quem dá e recebe.
Como um tirano, mato o tempo e fujo da realidade; roubo o que se tem de valor e, o que não se tem, cria-se para que não seja em vão a própria natureza das coisas.
Além de tudo, como se tudo tivesse além, busco não me contrariar com o que vejo, pois o que sinto sequer se importa, e os olhos, que podem de fato cegar, como lâmina usada e acostumada com cortes e fragmentos, não sabem mais interpretar o sentido que dou pras coisas. Que vejam, que enxerguem. Qualquer coisa é perda, pois tudo já acabou, e isso é só questão tempo.
Caso não queiram ver isso também, apenas usem os olhos para acordar, o tempo há muito acabou.
E isso que cheira a vida é resto de poema, que soa tão belo porque estão em pedaços, palavras que se tropeçam enquanto tentam juntas chegar a algum lugar. A noção prática do coletivo, que somente quem se insere se lamenta, mas que se fossem um só, seria possivelmente eu mesmo, um. E só. Na periferia do contento, olhando tudo sem qualquer presença. Melhor esta ausência sem significado, ou continuar na experiência da decadência a quê todos chamam de...
KATE POLLADSKY
“Pesa-me, realmente me pesa, como uma condenação a conhecer, esta noção repentina da minha individualidade verdadeira, dessa que andou sempre viajando sonolentamente entre o que sente e o que vê”. Fernando Pessoa
I fear the future for further frames
Whenever it blows the wind from old days
Those days weren´t meant to age so fast
Now feelings fake the healing
Tired body moves on, still eyes face the ceiling
When am I supposed to be one
Where does it all leads to home
I don’t wanna know how much longer it will last
But I´m safe and I´m good at something
Just not enough to convince myself
That I´m getting there before my mind threats my heart
So patiently waiting, hopes borrowed my happiness
And then what, is this when we stop dreaming?
Don´t let me fade like the light before the thunder rises
I want to fight for freedom and not for prizes
It´s the price to pay
Someone who pays attention to the others
And feel like no one at all
But it has to change to a better place
Like a masterpiece taking place in the hall
It makes me face things closely
We all have the chance to shine
But we keep on trying to shine with ashes
Hoping it won´t get dark
God is growing bigger but is not getting stronger
It´s none of my business to wonder why
Just watch the crash
A round between the worst and the best
And to the ones who loses all
Let´s give it a fest
K.P
Monday, May 12, 2008
Um sentimento oportuno, um amor quase sempre noturno. Porque não esqueço o seu rosto até a hora do apagar das luzes e do desfecho do sono. Eu queria que você soubesse, queria que eu te dissesse e que você acreditasse, eu não tenho planos que não sejam bons o suficiente pra durarem e quem dera você se desse um pouco. Se desse, seria mais que sorte, seria conquistar o amor como terra de gigantes, e num dia comum não te ter ao meu lado, mas ao menos te ter comigo. Em um clímax de erro me deparei com você e não pensei que... Eu não acho que conseguiria sequer pensar na sua presença. Céus se dividiram e se repartiram em partes justas, todas viraram você. Viraram-se para mim ou contra mim, eu não sei. Só sei que te quero com um quase desespero, com imagens perfeitas a seu respeito e como um ciclo ou um ciclone você me arrasta e me renova, começo de novo a amar. E marcar meu coração em brasas.
Pessoinha de personalidade forte me arde a alma feito corte profundo e me sangra por dentro. Sei que quase fica turva minha vista quando te vejo mas que cegue de desejo, eu te quero aos poucos, de morte lenta vou vivendo.
Kate Polladsky
Saturday, May 10, 2008
The self:
I´m a manifestation of loneliness.
Not unhappy, nor completed.
Not a fill in the blanket, nor a share of blankets for life.
Iam just not found, or discovered, or not easy access.
Perhaps, easy target. But I don´t demand it consciously.
I prefer to be in between, and belong either to myself, and the genuine others. A p.s of illusion: Nothing is genuine anymore; only the struggle of it.
The inside life:
I´ve been thinking that this is a slow motion life, (If you look it from inside out of you and not the opposite, because from an outside view, life goes fast indeed), a life that I don´t complain about, but thanks for everyday. With the exception that there´re far too many days left for a change, and too much need of changing. The ones with fighter- spirits know, the ones of confort zones ignores and quit. I refuse to be the last one. But I don´t kill to be the first. To kill is not as harder as to be the first, therefore many people die trying to be the last.
The outside life:
Lately I´m a lot of fear and suspension. And a rather indignant person too. I´m less and less optimistic about the world, and If I once were, it´s because I´m always late to realise things in time: dark minds, souls, hearts. Whoever accept cruelty as neighbour, accepts reality, and has no fear of offering a cup of sugar for knowing what´s gonna be sweetened.
The ideal life:
Liberty. Because the liberty is the possibility.
And the possibility is the hope
The hope is the step forward
And that is living.
Kate Polladsky
