Tuesday, November 11, 2008


Sou aquela pessoinha, cujo sol nasceu poente. Que leva na pele um arrepio leve, e quase nem dorme criando palavras, que juntas digam alguma coisa. Que a diga o que ser para não se justificar demais entre as coisas que a tornam, digamos assim, tão quase. Humaniza tantos sentimentos frios, quentes, doces e amargos. Os tornam tão vivos, quase órgão dentro de si. Depois param, e por um momento todo o ser se cala. Morre. Contudo, sou aquela esperança demente; que não se engrandece demais, mas é semente. E logo, germina outra vez. Apenas quem nasce um amor quadrado e o gira em seu interior. Vira tão cedo a tarde, porque doa sua noite ao espanto de acordar com toda luz em seu caminho. Sou aquela pessoinha que é pássaro e é ninho. Será abriga bem sua liberdade? Talvez ela sequer voe. Abstrai tanto o que sente, cai muito pouco em si quando ama, parece que vive dormente. Quase sempre, amor foi um pesar. Apenas pra não passar em branco, tenta colorir seu vazio. Põe-se no lugar de quem anda descontente e distante, um tanto quanto lunar. Observa os detalhezinhos, silencia o todo e gravita em seu pensar.









Kate Polladsky
Um momento. Um olhar
Torceu-se por dentro e pairou
Como folha de papel em branco
Seda e sobretudo sede
Fitou como se tocasse
Aquele ser era também um estar
Naquele instante acha que estava sendo sincera
Com ninguém mais do que si mesma
E naquele momento, como se nada mais importasse
Deixou-se olhar.



KP

Monday, November 10, 2008




Dei minhas lembranças a um pedaço de mar. Vi flutuar minhas sagas ao teu lado e por fim, vi meu sangue quente, de um músculo errante e pulsante, afundar. Joguei meu corpo nas ondas, como quem quer se lavar por dentro e como quem levava por dentro um oceano de águas passadas aonde eu quase me deixei levar. Me perguntei em silêncio se aquilo tudo me pertencia ou se era tudo aquilo que perdi. Ainda carregava uma dor densa, quem sabe o mesmo mar te banhava em outro lugar. Era mesmo o peso do que eu sentia que me impedia de nadar. E fugir depressa do que eu era. Quase a tua costa, uma linha tênue de rochedo que te segurava firme, e te impedia de transbordar. Para que não se gastasse afora, nem se enchesse demais, de um mundo de outrora, cuja aurora se desfaz. Minhas lembranças foram todas inteiras. Hoje se despedem em pedaços, pontos e traços que sequer sabem que pedaço do mar riscar.


KP
Now I’m free. I may be locked inside myself, but I’m free.
Not a bird, not a space to fill in, not a time to waste.
I’m free from my past. Then again, it feels like a new taste.
No, I haven’t got new arms to laze on.
No I haven’t got different lips to run for.
I just got my heart back. And it’s all I needed.
I just got my sanity back. And it’s all I missed.
I’m thrown back into the darkness.
And yes, it scares me. I’m lost and lonesome.
But I’m mine. And my spirit is lighter.
I don’t feel like a loser. Nor like a fighter.
It is none of my business anymore
To measure my love or pick you up in the storm
It’s even senseless to think about before
As something so kind, so big, so true.
Now I’m free to ignore and make things work out.
Looking forward to see a new horizon.
To light my way with a brighter sun
And now that I’m free, darling
I got half way gone.



KP

Friday, November 07, 2008

Liz quis ser a minha flor.
E reluziu a sua cor no meu universo.
Dei-lhe meu coração, um palco e meu verso.
Quando a conheci me tornei uma atriz do amor.
Fui feliz para sempre por um triz.
Nunca perdi nada.
Nunca tive mais do que quis.
Eu sempre quis um pouco da essência do mundo.
Ser o duo. Ser o uno.
E sempre quis me encontrar no que uma palavra obscura diz.
Agora só quero uma luz, uma fresta, um olhar.
E ah! Me entregar a uma flor de Liz.
KP.

Thursday, November 06, 2008

Dizem que quando ela acorda sente o peso do mundo que a adormeceu. Das rosas no canteiro já murchas, das marchas de carnavais já silenciosas, das mechas de cabelos já perdendo sua cor jovial. De tantas coisas de sempre, que quase sempre lhes pareceram coisas sem importância, mas agora as percebem enquanto desacorda e até sente falta. Quando mentia, confundia com verdade cada palavra, e jurava a todos que jamais mentia. Sua verdade era burra e ingênua, era pouco social também.
Dizia que os dias de chuva eram quentes, tão forte se enrolava nos lençóis, formando um ninho de si e de seus medos. Jamais quis estar na chuva para se molhar. Criou-se seca e intocável. Certo dia viu passar na rua uma criatura de olhar tão brilhante, que nele reconheceu uma constelação, e daí por diante carregava dentro de si um planeta, cuja órbita ela não sabia quando veria novamente passar, mas sentia que a deixava tonta, só de pensar.
Dizem que quando ela ama, surta. Finge-se de cega, de perdida, não dá ouvidos a mais ninguém, que não o amor que a escurece, que toma sua bússola e rouba sua música mundana. Já nem dança, seus pés sequer obedecem, apenas corre para os mesmos braços, não anda. Quando um amor desses chega ao fim, a vida a desengana. Seu coração padece, o que há de mais doce nas frutas proibidas torna-se amargo e os pães sobre a mesa apodrecem. Não se alimenta de coisa alguma, e logo flutua de sobre-morte. Pessoas juntam votos para que sobreviva e então ela acorda, alimenta-se de si e aos poucos sente de novo o peso do mundo que a adormeceu. Tão bom é dormir. Sonhar acordada nem é. Isso a deixa tão leve, que nada a prende. Perde seu equilíbrio com a altura dos sonhos, e cai como se fosse o próprio muro que a divide. Ela tornou-se construção, mas retornou ao estado de pedras. Alguém a pega e arremessa no lago, vê-la pular e afundar seu corpinho de matéria perene sob os lençóis freáticos, molhados dos dias de chuva. Seu ninho a nasce, breve como um cochilo. E tudo o que há, ganha importância em seu mundo. Assim dizem. - KP.

Wednesday, November 05, 2008

Pensando que... Se eu pudesse sentir por você, o que sentiria por mim agora? Se pudesse sumir da confusão, da multidão que se formou, o que sussurraria no meu ouvido, num silêncio vasto, apenas o toque da sua mão e a sua voz que paira. Se eu a pudesse guardar numa ligação, o que me diria agora? Que é tarde e não é mais nada? Nada posso fazer pra alcançar um destino? Pensando que se eu não fosse tão racional... Teria a coragem de trocar o meu coração pelo seu, e assim merecer amor. E se por acaso, toda a minha racionalidade você tivesse, pensaria em algo a mais, pensaria em mim, ou tanto faz? É impossível esquecer. Queria pensar assim, por mim e por você. Não sei onde está agora seu pensamento, se está num certo momento, na indiferença, ou no lamento. Mas se eu pudesse voltar e estar na porta da sua casa, se eu estivesse lá por você e isso não fosse tão ruim, mudaria alguma coisa para que eu me encontrasse, e não me sentisse tão desabrigada assim?
Kate Polladsky
As entrelinhas que me riscam, não percebem. Meu mundo pendente, nem meu é. Me tomam tudo o que sou, e o que me resta, é a dor que sinto em ter demais, o que não é meu. Como posso ser tanto para tantos, se para mim tanto faz? Se tenho fraqueza, ou tenho beleza, entendem bem o que pareço ser, mas sei que não conhecem o que me faz. Esse ser de obrigação, da minha abstração de ser. Aos que me vêem de frente, ou de costas, me enxergam pouco por dentro. Gritam muito atrás de mim. Hoje, eu preciso mesmo é enfrentar tudo com silêncio. Essa rotina que me eleva, também me pesa. Mas saibam, que nada faço por pesar. Apesar de tudo, sinto me livre em tê-los para que me tenham. Mas tenham dó ou paciência, às vezes pra mim não dá. Amo todos com a violência de quem briga para que estejam sempre em paz. Embora por vezes, sinto me em clausura. Não sei como agir, não tenho como fugir da minha própria alcatraz. - KP.

Tuesday, November 04, 2008

Quando ela acreditava em amor, sabia falá-lo, cantá-lo bem. Escrevia o que sentia e não o que via acontecer. Não era amor descritivo, nem narrativo. Era amor poético e pausado. Sensitivo e predisposto a tudo. Passeava em idas, voltava renovado. Servia quente no prato, roubava para alimentá-lo. Era amor prático e óbvio, dos dias que surgem, de alguns que se desgastam. Quando ela acordava, sentia o cheiro do amor, nas roupas, na voz insone, sentia o amor nos cabelos despenteados, nas mãos macias, na pele de toque adormecido e principalmente sentia o pensamento morar num só nome. O abrigo dela; e não só dela, mas de toda a extensão por onde se criava, cada acre. Ela acreditava que amor não durava em memórias, mas em lapsos. Era o maior segredo do depois, presente que o sol trazia na manhã seguinte, protegido até a quebra do lacre: um “bom dia” sonolento, apenas olho no olho. Acordou o seu amor, mais um milagre.
Jurava pra si mesma que o amor que tinha, não era mistério nem era vestígio. Não dava sinais do quê o formava, mas transformava-se com malícia em presságio. Era assombroso. A sombra que dava, a luz que absorvia, já quase um ser vivo o amor se enraizava.
Mas aos poucos, o amor foi tornando-se palavras. Proferidas em vão, para feridas rasas. Ia se aprofundando e em algum momento, não mais lhe parecia dádiva. Corações ao avesso, e cada página perdia seu verso. O amor ficou pálido e sem grafia. Virou sopro. Pássaro sem asa. Caminhava somente à margem e nem mais sonhava. Fossilizava-se na lágrima. Deu de ombros, nada mais o sustentava. Um êxtase do fim.
Quando se lembra do amor, esquiva-se no tempo. Sente enjôo da dor que lhe traz, tantas lembranças ainda recentes, ganhando a cor sépia. Era chama, agora é fuligem. Ela se desfaz do amor que jaz. Do corte que vive a enxaguar, para que estanque, que pare de jorrar a seiva. E a limpe, para outras crenças. Que não o amor.
Acredita talvez, apenas na sua vertigem. O amor de passagem. Uma neblina. De certo trará outra visão, quando passar. Ela até diria que amor é uma miragem.

[Acaso]

Levanta a pálpebra. O que acreditara sofre com a maresia. É água-viva. Seu impulso flutuante. E volta ao amor, ainda que discretamente. Talvez ainda desacredite e pense diferente. Mas olhem-na: ela ama novamente.

Quer pense diferente sobre o amor, quer sinta diferente o mesmo sabor. Desconfia que dois a dois juntos não formam um só. Mas um cardume. Multiplica-se no interior sem medo ou arrependimento. Amor fácil e leve, não se perde e nem termina, já nasce escasso. Da raridade que é, transitar entre “quando era” e “quando for”. O amor acreditava nela, quando era. E ela, acreditará no amor enquanto for.
KATE POLLADSKY

Monday, November 03, 2008

O seu ar me agride. É seco, denso, pendendo pra si. Um tanto confuso e despreocupado, que despreza, ou que inconscientemente dispensa. Mas algo em ti é agridoce. Algo de sua essência me capta, e logo em seguida, me captura. Existe uma leveza sua que pesa nos meus olhos, sua natureza flutua. É tão delicada, mas quando pousa em mim, por acaso, me corrói. Vai me descontruindo. Como uma onda rasteira atrás da outra batendo num castelo arenoso. A primeira devasta, a segunda vem desconfiada e a última, fraca e tímida. Depois volta, arrastando-se de grãos.
A sua voz intimida. É imposta, é suposta. Tão curiosa de sonoridade que quase é pergunta. E é o próprio complemento, uma resposta. Quer ser sábia num tom leigo, simples. Sarcasticamente castiga, engana e mede. Como se fossem seus próprios olhos encara. E assim sua voz prepara seu berço pra o que quer ouvir. Já ganha mimo, ou um ninar debochado, gosta de adormecer assim.
Seu olhar é antipático, hierárquico, atípico. Adapta-se ao que vê, embora não goste. Quando assim, coloca o que for de canto; como se já não servisse. E a vista limpasse. Poderia escolher estar ou não estar presente. Mas seu olhar não foge, porque não é covarde. Nem fica porque é inquieto. Simbolicamente é um olhar acolhedor, colhido da castanheira. Ele é assim meio doce-mel, meio mundo e meio madeira. Por vezes, o noto meio radar. Nunca presenciei meio perdido o seu olhar. Nem mesmo ao meio, dividido entre uma coisa e outra. Decidido demais, não a deixa olhar pra trás. Fecha seu panorama em ângulo agudo. Invejo a paisagem que no seu olhar pousa.
O seu gesto é acanhado. É cabível e é cabide. Pendura-se no ombro daquele com quem compartilha a mesma linhagem de passos, ou naquele com quem perdurou um instante.
É um gesto miniatura. De identidade formada, decidido das superfícies. Gesto de meticulosidade, de firmeza bruta. Gesto escorregadio, desorientado ou plácido. Dependente do gestor, do maestro que o toque, que o leve, que o guarde por merecimento. O seu gesto é eterno, exatamente naquele momento. Doura o que toca com a pele.
Os seus traços, todos eles significam. Todos eles permanecem e são notados. Traços vivos, que não existem apenas para si, por estarem ali como seus pertences básicos. São traços artísticos, desenhados a partir do seu eu imperfeito. Traços seus que esboçam algo a mais, até menos do que gostaria. Alguns ficam descontinuados e descrentes, mesmo assim são eles que crescem acompanhando suas beiradas e bordam o tecido que veste sua pessoa. Isso de unificar os todos seus, teve de nascer todo de uma vez só. Das coisas que não se encontram de outra maneira em outro alguém. Porque cada coisa sua, é única. E o seu tudo, também.
Kate Polladsky
Não há mais nada a se falar de amor.
Amor é um objeto.. Que o meu espírito infantil o agarre como algo sem valor, sem cor, sem som e o arremesse no chão. O que fazer com cacos de amor? A dor os juntaria, tentaria de todas as formas torná-lo inteiro e divisível. Mas não compartilhável. Seguiria como objeto cortante, inutilizado. Com pontas e irregularidades.
Não entendo de amor, nem de falas. Entendo de bocas e palavras ao vento. De calúnia, de calos, mas de amor... Eu me rendo. Saberia falar mais do mar e de tormentas.
Uma vez acho que amei. Mas não amei a vez que amei, porque não fui amor. Não fui amado. Não fui. Voltei desamparado e vazio. A minha exigência com o simples tornou tudo muito complicado, e amor não é fácil de lidar. Por isso me ignorou, sei que esse é um dos por quês. O que não se justifica.
Caberia o nada no amor? Quando se sente nada, é um ato amável consigo mesmo? Protegido de ilusão. Blinda o coração. Mas e se ele envelhece, torna-se célula morta, antes de tornar-se céu para alguém. Não importa.
Se o amor falasse, o que me diria? Que de todas as vezes que amei, deu tudo certo. Mas no fim, estaria uma errata e meu nome nela. Agradeço. Pois se o amor falasse, tenho certeza que me seria sincero, e não criaria um mal entendido. Eu não o entenderia, me pareceria mudo. Então melhor que assim o seja. Mudo. Não há mais nada a ser falar de amor.
KP

Sunday, November 02, 2008

Veio agora morrer. Joga-se no sofá e o tempo a come, no mesmo prato sujo de ontem. A mistura dos grãos e as quebras rotineiras das beiras que a constrói. Que louça é essa? É mulher? Que brevidade do fim, deixar-se sucumbir nas mãos do talher.
Furem-na, partam-na ao meio, depois a joguem no fundo do seu mundo indigesto.
Disse a todos os elfos, que não acredita em fantasia. Mas tem o costume de mulher-maravilha, que não se salva dos heróis por quem se apaixona, e jamais termina seus capítulos. Ignora-os, perduram e tornam-se perfeitos, tantas vezes se repetem.
Não sabe o que respira, liberta do que a inspira, tem apenas alternativas excludentes. Sorri para todas as mentes brilhantes, seu brilho fosco pintou o acabamento que tem. Quando se acabou e a tinta fresca secou, sentiu na pele brisa nenhuma. E agora, isolada de tudo, pede apenas o descanso. E o descaso por acaso é consigo? Veio agora pedir que a perdoe, por ter o cabimento de não caber no que sente. Disse "sinto muito" e foi morrer. Agora vive em paz. Vai entender. Do que mulher é capaz.




Kate Polladsky
Meu poema pra você não tem mais repertório e o som é eternamente um dom de se ouvir o nada. Minha vontade de te dizer ou desdizer, passou.
Não preciso mais da cultura nem das palavras, o que eu quero de você é coisa calada e quente. Deveria ter lhe dado um beijo na boca, quando o tempo estava a meu favor, teria deixado a minha cor pra formar de vez o arco- íris. A essa hora, haveria um filme curto, em câmera lenta, passando na minha cabeça, nele colocaria legenda alguma. O que quer que eu fizesse do beijo, ficaria subentendido e jamais traduziria para outra língua.
Meu poema não tem graça, mas tem gosto. E tem gotas que pingam lentas, apenas quando chovo, quando me molha a alma e o meu coração lubrificado, suporta mais uma batida e escapa da morte.
Tudo o que escrevo é imaginação. E se um amor contraditório como o meu sobreviver, o que contará para as próximas gerações? Histórias para dormir. A canção do sono e a oração das horas noturnas. Abençoe somente o meu desejo, que é mais fácil de lidar. É mais perto, é de pele. Esqueça sentimento, não vai querer lembrar de mim quando eu lhe disser que te amo todos os dias.
Meu poema tem uma alma desestruturada mas costura algumas rimas, porque rima me lembra beleza, a sonoridade suave e lógica. Me lembra você.
O seu rosto quando se desfaz todo na minha mente, mistura-se com os pensamentos e vira nó.
Verá que nós não cumpriremos missão nenhuma. Nada se tornará acontecimento.
Não sei o que te mostrar com meu poema. Seu rosto virou a paisagem e o ponto de referência. E eu quero ser apenas visitante. Se tu tens uma cidade fantasma escondida na minha morada, já lhes digo que não me assusta. Nada desse tudo, tem significado. Mas tem criação.
No que eu queria pôr a perder, inclui provocar-te um impulso incontrolável de me ter. Que minha ausência agredisse, que sua libido agradecesse. Que algo de mim agradasse e seu destino grudasse no meu.
Meu poema nasceu perdido e já com saudades. Ele pede que releve. Poema sem classe, sem versos de maldade, sem mentiras, sem verdades. Que depende de ti, pra ser mudado, pra ser medido e ser tocado. Jamais trocado por outro.
Kate Polladsky

Saturday, November 01, 2008

Daqui por diante, só com você do meu lado.
Perto, longe, perto, longe.
Só, mas com você do meu lado de dentro.
Minha pele tem pressa, minha vontade não cessa.
Não toca o tempo lento. Nem joga de novo os dados.
O primeiro se chama sorte, o segundo se chama amor.
Nem acredite tanto em acaso.
Mas se caso contrário... Aqui estou.
Algumas palavras chaves sobre você.
Teu significado sem sentido sentiu-se livre
Por um acaso me decifrou.
Roubei-o em forma de empréstimo.
Sentiu-se roubada e me visitou
Nunca mais foi embora de mim
Solidão me perdoou.
Roubar suas palavras-chaves
Me abriu seu coração
E somos nós o nosso achado
Daqui por diante
Perto, longe, perto, longe
Só com você do meu lado.




KP
Vou muito tua e muito tímida.
Vou muito leve e muito nítida.
Verás quando eu chegar.
KP

Monday, October 27, 2008

Meu coração está em ruína.
Ouve o ruído e se anima.
Largado no tempo.
Dos temporais de sina.
Aqui sinaliza que é o fim.
Alvo fácil, e vira fóssil.
Nada mais o resgata
Em nada mais culmina
Aqui jaz.
Um coração em ruína.




Kate Polladsky
Sujou os pés de areia e foi seguir mar.
Viu onde tudo terminava, quando começava a encontrar.
E deixou pegadas, poemas, vontades, mentiras e verdades.
Talvez seja a maneira que encontrou de descontinuar.
Sentiu que já não pertencia, desprendeu-se do que a prendia.
E livre de tudo, novamente é.
Lavou os pés na água e foi seguir o mar.
Limpou-se de si, e o céu se abriu.
Ninguém havia visto o que ela viu.
Segurou-se nas pedras e até sorriu.
Talvez se as jogassem pra cima, faria chover.
E o mar inundaria, não afogaria seu sentir.
Sentiu-se desprotegida novamente.
Escondida do mundo, mantida refém.
Ameaçou de amores sua mente.
Sujou-se toda, de partículas de repente.
Fora de si, já esfriam. Por dentro era quente.
Foi bem mais longe do que pensava.
Pensou até que conquistava.
Toda a península por onde andou.
Banhada pelo lençol azul.
Que agora perde cor.
Está empalidecendo o amor.
E todo esse mar, que a tomou.
Amanheceu desacordada.
Na areia descontínua.
Continua a amar, contudo?
Ainda...




Kate Polladsky
Jamais farei comentários da sua falta.
Da falta que me faz, e da falta que se faz.
Cada qual com sua ausência por dentro.
Jamais fecharei a janela novamente.
Por excesso de sol, ou de chuva.
Deixa assim, símbolo de abandono.
Não lerei suas palavras, esperando reconhecer as minhas.
Não falarei mais nada, esperando esconder-me no silêncio.
Esperando ser descoberta no quebrar da sua fala.
Jamais deveria. Ter deixado tanto surto correr solto.
Não vá tentar me curar, da dor que me é.
Não vou existir pra um lugar que não é meu.
Não vou insistir em terminar o livro.
Das minhas faltas de capítulos que leu.
Jamais tomarei de volta o que dei de mim a ti.
Ou farei pouco caso do pouco que se deu.
Ainda sinto que despenco.
Mas o eu abismo, está caindo em si.
Jamais entendeu.


KP


Sunday, October 26, 2008

Essa queda eu já conheço. Vou me levantar.
Vou como sempre fui; sem querer voltar.
E acabarei sem que dê por acabado, mas vou pôr um fim.
É nessa cama que adormeço todos os dias. Acha que precisa me ensinar a acordar?
Não dói tanto de porquês, de pormenores, dói de mim que me deixei.
Não dói tanto mil nãos, quanto dói, já tarde demais, um sim.
E essa parte eu não mereço. Não recomendo. E sinceramente, já cansada de tudo, me rendo. Venço-me, sem ganhar o que quer que seja. Sem que seja causa perdida, ou ganha. Mas prefiro que se perca, agora. Do que ver perder um pouco mais, todo dia.
Já tanto faz de onde as coisas têm vindo. Pra onde as coisas vão? Eu não iria.
Dessa fruta eu já mordi. Já morri desse veneno. E não me custa a vida, morrer do que eu entendo. Apenas sinto de novo, o que se renova quando me lembro. A única razão nisso tudo existe pra matar sentimento. Que já é o final de tudo, para todos os começos. Já conheço, já conheço.





Kate Polladsky
Agora as luzes artificiais, ganham brilho pras luzes do meu céu.
Perdi estrelas, perdi referência. Perdi o planetário que não me cobre à noite.
Aliás, perdi bem mais. Jamais parei de perder.
Chegarei ao ponto em que depois de tantas perdas, restarei a mim.
Quando esse resto chegar, verei: Agora a luz, vem de dentro.
Jamais me perdi, quando ao perder tudo, me achei.
O ser iluminado que sou. Soube distrair-se na escuridão.
Passou pelo breu sem sentir medo, o medo de ganhar mundo.
O mundo que me ganhou as perdas é o mesmo mundo que me tirou o peso das costas, e me deu a leveza de ser livre, apenas com o meu ser, e sua luz.
Kate Polladsky

Friday, October 24, 2008

Ainda tenho esperança.
Mas não espera, não se desespera.
Respira e vai.
Em parte cansa, e inventa causas pra existir.
Ainda tenho muito que pensar.
E na possibilidade de não ser só pensamento.
Alimenta meu corpo frio.
E quase esquenta com um fio de amanhã.
Não sei o que me dói, se não machuca.
Nem tem a intenção.
Devo ser assim, indiferente à dor.
Organismo vivo pintado de azulejo.
Reflete o mundo em que vivo.
É no seu fundo que me vejo.
Meu maior medo.
É que isso não seja triste.
Que seja opcional.
Minha maior angústia.
É a consciência do que me sou.
E de aceitar, de se ter.
E não saber levar.
Deixar que me levem.
Que me escolham.
E que me achem antes.
De eu me encontrar.
Ainda tenho esperança.
De conquistar alguma certeza.
E poder ser flexível, com firmeza.
Que o meu agora, não se estenda.
Além do momento que é.
Para que eu não precise sentir o peso.
Do que poderia ser, do que teria sido.
Sem ser.
E assim sendo, não me respondo.
Porque não me pergunto.
Tenho a coragem da dúvida.
E pagarei as dívidas que fizer.
Com a esperança do ainda.
Do que minha esperança quer.
Decidirá o meu caminho.
Quando eu já não me importar.
Não importa, que passos der.
Que a minha verdade não se renda.
Nem entre pela porta em que sai.
Que o ar da minha esperança
Não se prenda.
Respira.
E vai.



Kate Polladsky
O que é que você tem, que me deita tão longe, e me sonha os pensamentos amanhecidos de ontem? Que mal você traz, que faz tão bem, sem toque; mas cura as doenças que o mundo traz? Eu esqueço que te gosto, quando lembro que não gosto de gostar tanto assim. Isso tudo que tu tens, é algo meu que se perdeu, ou algo meu que tomou pra cuidar? O que é que você tem que trafega meu chão e leva meus passos pra casa? Então sento pra te escrever sobre a vida que me vive. E a vida que não tive como viver. O que é que você tem, que me suporta ou me tolera, sei que não há muito o quê entender. O meu vazio você preenche, com uma leveza, talvez, volátil demais. Não permanece nunca e não me deixa. Às vezes pesa e cai. Fica esperando que eu te suspenda com palavras de abraço. Com um quê de sempre amei, e não te magoarei jamais. O que é que você tem que sua voz tem sempre sotaque de saudade, e me envergonha pela metade, não me cala, e me fala tudo como se olhasse nos olhos. Mora em tantos interiores queira, e daqui de dentro de mim, não sai. O que é que você tem, estudada de tantas certezas, que não me tira as dúvidas de nós? Não me esclarece de mim e do que sinto. Se não sinto mais. Se senti a mais. A menos que queira saber, no momento sinto paz por você. Não sinto amor. Que forças tenho pra lutar por isso, que sempre me enfraquece? E quando morre, me escurece. O que você tem, me ilumina e me faz querer enxergar ao redor. Não pode ser amor, o que tem. Tem que ser algo menos significante, e que por isso não me consome tanto. Apenas me convive. E assim consigo viver, levar comigo tudo o que tenho de você. E o que você tem comigo. O que é que você tem amor, além de tudo isso?



Kate Polladsky

Thursday, October 23, 2008

Conhecer o vazio que me inteira.
O vazio da convivência, o vazio da ausência.
Conhecer o que perdi, como se me conhecesse.
E não me perdesse. Nem me desse conta.
Como se me antecedesse, e evitasse.
Conhecer o desconhecido.
Sem que soe familiar, sem que eu desconfie.
E o medo me tome nos braços.
Medo do que se desprende, e dos laços.
Como vou poder me continuar, se me desfaço?
E disfarço muito bem? A ponto de eu acreditar
Que sou tudo isso que conheço.
Mas que sinceramente, nunca tomei conhecimento.
Conhecer minha sinceridade talvez, seja um começo.
KP
Já não sei...
Quem será que me segue?
Sem sossego nem sacrifício.
Somente o quente vício de você.
Já não hei, com que coragem te vivi?
Perdi teu beijo que tanto quis, ou irei.
Hoje sei que sou nada pra ti.
Amanhã o quê serei?
Já não sei...
Se me sobram pedaços.
Se me restam passos.
Passarei despercebida assim?
Por mim...
Pode ser que termine aqui, haveria um fim no enfim?
Filtrando-te do amor, que mora dentro de mim.
Já não sei... Sempre separo o possível do absurdo
Possivelmente apagarei as luzes
Pra ver a luz que incide
Se é você que chega, se as chaves abrem
Se os teus espaços de fato me cabem
Bem, você foi o impraticável. E, portanto...
O que há demais nos elogios práticos
Que fugiram da minha boca?
Já não sei, se queria saber...
Minha curiosidade resiste
E perde pro que mais persiste ao viver
Agora, desiste...
Ao mesmo tempo em que quebra sua lei
Se contradiz, se desfaz e se perdura
Se for verdade, já não sei...
Menti pela saudade, pela passagem mal marcada.
Da dor de querer, um quê de ti na dor, que não me dói.
Só mesmo enfeita a dó, que você tem por mim.
E se dá um pouquinho, pra mim que já se deu.
Já não sei... Quantas vezes errei e me arrependi.
Mas não te disse ou irei. Sei que o teu sol a pino
Percebeu as sombras que deixei
Não são caminhos com cascalhos.
Às vezes é você, a maior pista do que sou.
Se tudo o que vou, vou por você.
Não vou me perguntar sobre tudo
Ainda assim duvidará do meu talvez
Minha sabedoria é um tanto burra.
Pra você saber... Que já não sei.



Kate Polaldsky

Wednesday, October 22, 2008

Quem te beija distante, em frente os olhos de cada pensamento que traço sozinha, com a ajuda da distração. Quem tem que se apresentar como quem te gosta um pouco a mais do que gostar. Gasta de si o gosto que tem o somente que é, sem quem sem quer. E não quer se mostrar; apenas rodear-me de indagações, ornamentando de angústia aqui dentro. Quem se preocupa e se dói, sem nenhum chão que apare, sem os tais braços que ampare, que seja.
Quem surpreende o óbvio, tão mal feito que quase jaz. E te perturba quase nada do que me diz, mas perturba demais. Quem se multiplica, faz quase tudo, por quem quase tudo é. Tudo parece valer a pena. Apenas, quem toca a pele, sem nem mesmo tocá-la, mas já se materializa, tão perto fica a distância entre os dedos dos sentimentos limpos de amor, que já até empoeiram de tanto esperar. Ora, quem sou eu pra amar...
KATE POLLADSKY
TO TELL YOU THE TRUTH, IT BOTHERS ME.
THAT YOU CREATED A HARD WAY TO LOVE ME
AND AN EASY WAY TO LOSE ME.
IT BOTHERS ME THAT YOU HAVEN´T REALISED THE DIFFERENCE BETWEEN WHAT YOU THINK IT´S RIGHT AND WHAT I THINK IT´S WRONG.
AND IT BOTHERS ME BECAUSE I RESPECT MYSELF, YOU DON´T.
EVEN WHEN I LIKE YOUR KINDNESS, AND YOUR INTRIGUING LOOKS
I WONDER IF I DONE SOMETHING TO WIN IT, AND IF IT MEANS IT´S GOOD.
TO TELL YOU THE TRUTH, ONE OF US HAS BEEN LYING TO ITSELF
IN A MILLION T POINTS THAT TOGETHER MAY DRAW A WHOLE ENDING.
I NO LONGER FEEL SO GIVEN. I MAY BE THIS NUMB PERSON, FEELING NOTHING AT ALL.
I´M PERHAPS JUST A THINKER. THINKING TOO MUCH OF EVERYTHING.
WILLING TO THINK LESS AND LESS OF YOU.
TO TELL YOU THE TRUTH, I´M NOT TRULLY A TELLER
I´D RATHER JUST DO.
BUT SOMETHING´S KEEPING ME FROM MOVING
ALTHOUGH I´M ACTING LIKE A FOOL.
IT BOTHERS ME AND STILL…
I´M TRYING TO FIX WHAT CANNOT BE BETTER
BETTER IF I DIDN´T BOTHER
I´M WAITING FOR WHATEVER.

KP



Tuesday, October 21, 2008

Queria eu saber como te tocar, como me trocar por ti, um minuto somente.
Queria eu adivinhar seus pensamentos meus, por mim. E se talvez eu tivesse a chance de saber o que eu nem queria tanto entender, já até me arrependo... Mas certas coisas queria que você soubesse, especialmente as que soubesse sem que eu diga, mas que me dissesse o que pensa. Queria não me desgastar tanto, sem precisão. Precisamente quando você é a tentativa mais óbvia que faço. A mais simples, a menos ganha.
Queria mesmo era saber o que fazer, pra não desfazer nada do que fiz. Que foi um passo certo, que não foi certeza alguma. Mas me conforta por algum motivo. Queria saber qual é a minha porta de entrada, já que espero na saída o tempo todo. E o medo de não conseguir ir embora, ficar apenas eu e os espaços vazios, os meus de dentro. E o de fora. Queria que fosse verdade as mentiras que eu passei a acreditar porque desisti aos poucos do quanto te queria. E se me pareceu errado essa verdade, é porque na verdade, ela que não me queria. Não quero mais que a vontade. É a minha grade, de todos os dias. E parece que me aquece, só de pensar. Queria eu saber como não querer, e que isso fosse despreocupante. Que seja, por fim. Que não seja um fim, mas me faria feliz que fosse ao menos um instante.




Kate Polladsky
Now that I have nothing else to lose.
Losing time with you doesn’t seem so right.
May I leave part of us hanging by itself and another part of it behind?
Just because it’s senseless and silent, to continue with this mess.
Here inside I wish I could stay, and take a chance to be the entire me with you.
Now it´s just the shadow from yesterday. But it always were by nature.
I try to see with your eyes and I really try to light up my view.
But I’d rather have it all blind, than live forever a blurry deal.
You can just have my skin, can provocate me, but never touch me.
You can change my places, make my laces, but no longer move me.
You can this powerful thing of being my love, but can’t this powerful right of a lover.
I left a mark, but does it stay as an old thing, useless and meaningless anyways?
Do I listen to words that doesn’t listen to me anymore?
Hey, you´re my certain step over the days, but you’re one more day in my life, no more.
And now! I must choose between losing myself, and losing you. Differently, but almost like losing the same. Separately, but almost like losing one body.
That doesn’t match, and doesn’t sweat the same kind of love.
Have I got something else to lose? Except for the loss of the nothing, we are? And this lie that wannabe true? Some other story that I wanna tell for myself, without a thing to prove. Stopping is not a mistake. It is just that now; I have nothing else to lose.





KP

Sunday, October 19, 2008

Serei eu, que me sou. E serei eu que me dou. Que escolham o quê de mim querem. Sei ser fingidora, sei ser perfeita, só não sei ser quem sou. Não sei de mais nada. Já não sabia quando era alguma coisa. E sem querer, me canso, me nego, me recuso a conhecer apenas as costas de quem persigo. Prontifico-me a dar a cara às tapas, até que quebre essa louça com a qual me vestem e já nem querem tocar. Trocam-me pelo imprestável, pelo impuro, pelo imprudente? Escolhe a mim como traidora, como trouxa, como heroína que mente? Se assim ganho mais, ganho amor, ganho atenção e ganho a não-admiração que todos querem ter pra si, que desejam e que embora odeiem, possuem com um sofrer quase tão gratificante quanto se tivessem o alívio, o conforto, o refugio de alguém que é bom demais pra que os mereça. Então, serei eu um desmerecer-se de si, pelos outros. Pelo merecer de querer ter o que mais se quer? Não sei a quê me dou o direito, pra que não fique com nada. Apenas o todo perfeito que sou, e que já não me serve, quando mais preciso.
KP

Wednesday, October 15, 2008

Você não se termina em mim? Nos dias em que te transito os dedos, sei que recomeço.
Pousei na película da tua pele. E adormeci entre as vontades, e uma verdade só.
Você não percebeu? Não sou eu quem te percebe enfim? Foi sim, eu quem te tocou por dentro e te preencheu os entres, sem tirar nada, sem que se tirasse de si. Pode continuar como este ser inacabado, que não se termina. Nem mesmo em mim.




Kate Polladsky

Tuesday, October 07, 2008

Tem um pouco seu no todo eu. Tem um todo seu no pouco meu. Vou te dando tantos tantos e nem te aviso. Gosto tanto que é melhor esconder. Já nem cabe aonde. Quer esteja onde quer que esteja e eu não te veja, e não veja tudo o que é. Interessa? É até suficiente não saber. Ou descubro, ou acho. E supõe-se que é melhor assim. Não ser pensante, ser apenas sensato. Sem laços constantes, só a constância dos fatos. Só o afeto do acesso fácil. Do dificil dever de gostar, por obrigação nenhuma, desordenado. Apenas por ordem do coração. Tem um pouco a mais do que deveria ter. Tem vezes que não se mede bem o que dizer. E não se diz o desmedido. Pra não ferir nem rasgar sentimento. Como corte de folha de papel. Quase não se vê, mas incomoda toda sua insignificância. Num instante se cria com o quê preencher o todo. Tudo isso sem molde, só a matéria-prima. Um querer simples e bruto. Sem sala de espera. Nem expectativa de nascer ou morrer. Fica lá tudo isso. Incluso no todo. No teu e no meu pouco. Cada um tem o seu. Às vezes é apenas um muito-pouco. Mas preencheu.
Kate Polladsky

Monday, October 06, 2008

I don’t know what love is. But I love you, just like this. And not just sometimes. I don’t know what it feels like to have you, but did you ever feel like mine? I don’t know how to move, how to explain, I don’t know what to say or how to look at you. But I know enough to keep you inside like my only living part. I don’t know how to please, how to avoid, how to stop acting weird. Every little thing you say leaves a mark. And I don’t know how to finish any feeling for you when I start. Just like nearly everything, I should try. But I give you all of me, and step behind. As I’m afraid that you’ll really take it, or never mind. I don’t know how to stay with you without willing to hide how much you got from me, I just throw a smile. Do you know the way I feel when you’re by my side? That I could stand forever close to you but I get on the verge of running away, on the inside? I give you too many excuses not to lose my mind. Too many halves, and I trace so fine a way to lose you, right? I don’t know what you want from me, when you don’t expect anything in fact. I don’t know what goes through your life, through your thoughts, through your heart. I don’t know which way to follow, which feeling suits you and I. Without hurting you with my unspoken passion, and too many words you’ll find. Without even hurting myself all the time. Often you confuse me, and it happens that you cause me damage with how you put out your words. I must be too silly, too stupid and thanks god there is you to tell me to stop. Thing is I don’t know how to deal with you, when it bothers me so deeply that I miss you badly, and I can’t disguise myself, no matter how hard I try to let it go, hopeful that it could help me, that it might be easier. Rather than not to hold you for more than just a while, to kiss you for more than just a threat, to hear you speak of your lovers from time to time. It is just fair that I don’t know what love is, when I don’t know how to love. But I don’t know how to name it all. I wonder what it means when you say “I like you”, is it more or less than we have to offer, without expecting a thing from each other?







KP

Wednesday, October 01, 2008

Vai morrer de queda, quando cair em si.
Passa, pensa. Passa. Nem fica assim. Nem assim fica.
Mas se me quiser, tenha.
E se não, um senão. Tem quem? Tem não.
Não quem me conheça. Ainda. Mas vai conhecer.
E vou apresentar a você.
Pra que você mude de idéia, e eu mude de conhecido.
Não adianta, de um jeito ou de outro eu vou morrer.
Da tua queda sobre mim.
Sobre queda: continuo caindo aos teus pés.
Morri.
Kate Polladsky
É uma porção sua que me assusta. Que me invade, não pede licença, entra e sai. Entre o que é meu, entre eu. Acontece que penso pouco, ou quase nada, quando te sinto perto. Longe demais, na verdade. É um pedaço seu que quero. Que me sustenta. Quase não largo teu corpo. Agarro tudo só em pensamento. A idéia disso me traz a você e me leva embora sem ti. Não sei até onde chego. Mas sei que chego saindo. Um impulso involuntário que me trai. Queria muito saber o que me decide. Sambo entre o ter e o não ter. Tenho pressa e tenho a paciência de quase não querer. Mas quero, não sei o quanto. Só sei quando eu quero. Não me agrada, não me desanima, me distrai, me constrói e determina o que vou fazer. Que, aliás, sequer a noção do quê. Não sei se te trago quando me resta apenas a mim e um cigarro. Não sei se te levo, na manha; não sei se te indago, se te pergunto respostas. Mas sei, que esse susto todo que me abraça de você, até esquenta. Até me cobre de curiosidade, até me descobre, coisas que nem julgava ter, nem julgava ser, nem julgava julgar-me. É uma porção sua em meu território. Nem te cruzo a linha, mas me deixo passar.


KP

Tuesday, September 30, 2008

Já nem sabe em que nível está.
Se está ao nível.
Se há de se nivelar.
Já que pergunta, por que pergunta em que nível está?
Pode ser que esteja desnivelado agora.
Ou ao nível do mar?
Nesse nível se navega... Ou se afunda.
Nem sabe a que nível chegou.
Nem se chegará.
Já sabe de todos os níveis.
Eu nem sei mais...
Vou me perguntar.


[...Para você que me carrega no sereno, e me pergunta respostas]


KP
Agora acho que se extingue. Deixou-se levar, lavar-se demais. Talvez agora um enxágüe por dentro. E se acalme, se vicie no secar do vento, com outros ares. Quer respirar, não? Transpirar tudo isso foi febre. A aqueceu por um instante, tanto. A queimou por uma eternidade, tanto. O que sobrará será que serão cinzas? Depois que molhar tudo embora. Não há o que regar.Nada brota. Não lhe deve continuidade. Arrancar? É um tirar de vida, um tirar de linha, desalinhar. Irá puxar um fio assim, e sem que nem percebam vai se desfazer feito novelo. Sempre tão sólido, o gelo amornado, derreter-se-à. Se não se extingue agora, uma hora irá? Acho que não é obrigação manter isso tudo. Mas já pesa muito em toda sua leveza. Que diferença faria continuar? Faria diferença? Carregar, descarregar. Prezado inquilino, não é por nada. É porque não há lugar para ela. Abandono de lar. Que só abriga um dentro, mas não quer estar lá.

KP


Monday, September 29, 2008

Já tinha chegado de lugar nenhum. De um sentimento perdido perpetuando perda. Ser inanimado, amor. Já nem gosto tanto de você, já nem te esqueço, já morro de saudade, já morro cansada de ir e vir entre seres. Um ser eu, um ser tu. Tudo eu invento, nada crio? Nada nasce em mim de raízes. Embora seja eu o lírio dos teus olhos. Embora seja você a borboleta que eu escolhi como liberdade pra ter. Te tenho? Te solto? Até vejo beleza em tudo. Mas sofro. É um tanto decadente que tenho tudo e não tenho nada. Tenho uma dúvida certa. A minha certeza sempre duvida. Não sei se de mim, ou de você. É algo que vem de dentro. Aflora e murcha. Mas não morre. Às vezes acorda, como de um sonho ruim. Às vezes dorme, como que de tédio. Não sei bem, se espero demais, se espero ter mais. Há dias em que sou indiferente à espera. Acho tudo tão fugaz. Mas são esperas diferentes, são dias iguais. Acabei voltando à minha natureza por você. Já tinha chegado a acreditar, que não me esperaria nascer lírio novamente, nem que borboletas voassem pra mim. Quase me preenche ou me engana com caberes, e já nem acho tão vazio assim.

Kate Polladsky

Sunday, September 28, 2008

Pense que, só não te amo mais porque me falta nascer de novo. Não te suponho não te indago não te questiono. Porque não tenho dúvidas. Não te amanheço porque não te anoiteço. Sei que não te perco um só instante, um só dia. Para mim é o bastante, você me basta eu diria. Pense que só não te digo mais porque gastaria palavras. Elas não teriam mais o mesmo gosto, e eu sei que você gosta assim. Amor calado e gritante, subentendido para sub-amantes. Não preciso de mais. Nem de nada seu e nem me dar ou tirar de mim. Já tenho o seu todo que me completa, o seu tudo que me deu pra eu guardar. Tenho minha vida que te nasce, teu sol nascente na minha vida
Pense que, só não te amo mais do que amar.
Kate Polladsky

Friday, September 26, 2008


Não vou deixar de lado um quê de quem quer.
Não sabe o que quer, mais o que há de ser?
Que você queira um pouco; divide comigo um pedaço.
Um recorte do bolo quisto, ou um traço.
Eu quero muito, sei que te quero muito bem.
Sei o bem que me faz você, mas não sei
Se te querer também.
Eu quero acima de tudo isso que não queria pensar.
Penso o dia todo e penso que você também queira
Não vou deixar de lado, lá bem longe meu querer
Tudo o que eu quero é que o que eu quero possa ser.
Virar um querer tido, não um quer tenha quer não.
E que isso faça mal, não se pode ter tudo o que se quer
Queria ver a sua cara, quando descobrisse o meu quiçá
Que agora virou certeza, eu quero pôr à mesa o amor
Pra você querer me amar.
KP
Talvez demore pra você existir.
Eu não vou insistir. Não vou insistir.
Talvez você saiba que cabe bem em mim.
Ainda há espaço pra você ficar.
Ainda há tempo pra você se decidir.
Um dia é só um dia, mas é um dia só.
É sempre assim, só você diria como é ser assim.
Talvez eu invente saudade
É verdade, não vou desistir.
Ás vezes caminho pela metade
E a outra metade encaminho pra ti.
Com razão, eu às vezes esqueço
Você anda tão mudada
Anda de mudança por nada
Não me deu seu novo endereço
Talvez eu não consiga dormir
Sonho tudo de olhos abertos
Não quero perder o mundo estranho
Quero conhecer mais de perto
Quem saberá o que ganho
Amanhã nada é certo.
Talvez você não chegue logo
Logo vou atrás de você
Se eu te achar me aviso cedo
Cedo ou tarde posso te perder
Talvez demore pra você insistir
Mas eu peço a quem possa
Que me ponha nas mãos algo teu
E um tal amor que nos mereça
Amor de muito antes de existir.

Kate Polladsky

E por que não morri na mesma hora? Acho que morri, só percebo agora. Morro quando chega morro quando sai. Quando eu vejo morro, morro quando me cega a silhueta. Quando é finalmente, depois de esperar tanto, fujo. Quase estou ali. Confesso que ali sou só a vontade de você. Melhor dizer que sou toda a esperança, de que todo o pensamento que junto se perca num só lugar. Sou toda desistência desse eu que não controlo. Quer-me e me conserta? Explica-me sobre isso que sou quando você está ou não está. Desfez-se o eu - padrão. Toda essa estranheza oscilante é simplesmente porque não me abraça um minuto pra sempre, em silêncio em um acordo de pele. Ao menos um desejo incontrolável de apenas sentir, e segurar forte, quase nunca mais largar.

KP

Thursday, September 25, 2008

I´ll give you space.
So you can breath, it´s a new pace.
I´ll give you place, so you can move closer to me.
Or can you walk away; are you gone from me, today?
I´ll give you lips. So you can do whatever
Turn into a kiss, I´d give you.
I won´t make you stay.
When it is you who makes your own way
And the steps out through my door.
I´ll laugh at you, when you give me the weirdest smile.
And I´ll cry with you, if that tear you drop is mine.
I´ll die for you. If for you I´m more than just a life.
And I´ll tell the truth, when your truth is just a lie.
I´ll give you money. If that can pay your gains.
It is not my money that will afford your waste.
I´ll give you space.
So you can test your wings
I´ll give you humble and ordinary things.
But I won´t give you more or less
Of the freedom it is to be me, when I´m with you.
I´ll give you a spot in your freedom
It is what you still can be, when you´re with me.
I´ll give you love, it is space to hate me.
I´ll give you love, it is place to make me homeless.
I´ll give you love, it is the price you can´t pay for.
I´ll give you love, it is all those things I gave before.




Kate Polladsky
Eu sei exatamente nos braços de quem, terminarei os meus dias.
Os dias de outono tristes, dias de chuva frios, dias de todos os dias.
Eu sei que não serei eu até lá, serei muitas que serei até lá.
E até lá, eu espero que me espere. Que me ame como ama hoje.
Ama tudo o que couber no vazio, e preenche tudo sem precisar tocar.
Sentir basta. E essa intuição de destinos cruzados tem um ventre só.
Espero que descanse bem nos braços de não sei quem.
Que acredite em felicidade e prove dela nos beijos delas.
Mas que hajam braços abertos pra quando eu chegar, e ficar.
Permanecer eu no embrulho, o teu presente que me dou.
Sabes exatamente nos braços de quem, terminará de ler isso.
Sabia disso? Eu também.

KP
[...Para mim mesma: geneticamente você.]

Wednesday, September 24, 2008

Passeia assim na minha mente, como se fosse jardim.
Como se pudesse florir ainda mais.
E se permitisse a tudo, exceto permitir-se o jamais.
Perambula na minha vista, como se perdesse o foco.
E nada se borra, nada aborrece meus olhos.
Vai embora, e nem sabe que eu acompanho.
Mas eu me largo sim, me dou toda.
E nem sabe que me tem.Tem vontade?
Tem um pouco de você pra me ter?
Te seguro a mão e você nem sente, nem me leva.
Te espero mais minutos do que imagina.
Mais minutos do que me dá, no seu dia.
Planta em mim uma mudinha, como se pudesse falar.
Como se não fosse crescer e dar frutos.
Fica em mim como quem se esquecesse de sair.
Como se fosse confortável morar em mim, acha que é?
Vai ficando e me mudando de lugar.
Como se em algum lugar eu estivesse
E uma hora dessas fosse me expulsar.
Magoa a minha mágoa como se aliviasse
Como se percebesse o que acontece.
E nunca mais fosse me machucar.
Aí fala as coisas com tanta graça,
Quase tudo que eu queria ouvir.
E não me pede nada do que eu queria dar
Eu não tenho mais nada pra dar
Mas me dou toda, tá.




KP

Saiu correndo. Foi ver o sol.
Sentir o sal, adoçar tudo de si.
Não foi? Sei muito bem.
Em que oceano tem ido se banhar.
E com que areia constrói seus castelos.
Sei que a areia fina e leve também serve
E que sabe pular ondas, sempre te deu sorte.
Nesse teu corre-corre alguma coisa tem.
Anda muito flutuante, sabe.
Ainda bem que é um bem-estar, né?
Só não sei bem até quando vai durar essa maré.

Kate Polladsky

Meu deus, e como ama.
Como duvida, como cansa quebrar a cara.
Queira ou não queira, possa ou não possa.
Se empoça fundo, cada dorzinha de sentimento que gela.
Alguém há de chegar, vai condensar e fazer chover tudo em alegria.
E vai dançar na chuva, e vai cantar na chuva. Todo dia.
Meu deus, e como espera.
Sem assentos para o cansaço. Apenas espera que sim.
Que tudo aconteça como imagina, na cabeça dela nada fica.
Fica lá fingindo estadia. Sabe ser sem estar.
Se concentra em nada. Só o centro de tudo.
Nada mais em que pensar. E pensa? Tanto, que pesa muito.
Quase pega, sente nas mãos. Se conseguisse, abraçaria para sempre.
E nunca mais dormiria só. Quase não haveria sol, tanto que choveria sua alegria.
Haveria ouro maior no final do arco-íris? Sol e chuva, sol e chuva. Tudo se ilumina agora, hein menina?
Mas como seria? Será que será?
E o seu coração bate tanto assim por quem? Batem á sua porta de madrugada?
A fecham sempre que abre? Empenou a fechadura? Quem sabe.
Bate palmas pra si mesma, menina. Você merece mais do que um teatro.
Merece todo o palco, e as cortinas se abrindo. Cor vermelho sangue. Esse que alimenta todo esse amor por quem te queira.
Meu deus, quem quer saber como ama?
De todo jeito ama. É o jeito, ama.
E como. É quase um quero-quero.
Não te querem menina? Eu quero.




Kate Polladsky
Certas coisas é melhor que se deixe o dito pelo não dito. Para que não morram, ainda que não possam viver também. Ou simplesmente, para que não doam. E não se doem demais. Ademais melhor que se grite o que sente, ou que deixe sentir compreendido e descoberto, com todo o direito do mundo ao silencio. É uma escolha calada, não falar, mas deixar dito. Quem sabe é porque também sente, e sabe interpretar o silencio. Quem não sabe, não há de se importar em entender. Melhor deixar o dito pelo não dito do que desdizer. Desfazer o estrago, recuperar a perda. Melhor se perder.




Kate Polladsky

Tuesday, September 23, 2008

Por qual brecha sempre passa o pedaço seu que invade o todo tudo de cada um que toca?
E se talvez já fosse porta, essa tal brecha? E se o que toca não seja um pedaço, mas uma música toda? ...Canta pra mim?



[... Para o chocolate dos dias de caos].

Kate Polladsky

Monday, September 22, 2008

Reticências

Te guardo, num meio termo.
Assim, protegido do tudo ao meio.
Que se parte, e não volta.
Te penso, sem qualquer racionalidade.
Livre de qualquer impureza dessas.
Que se possa arrepender de ter pensado.
Te cuido, como posso e como me deixas.
Mas te cuido como sou: com todo o cuidado de ser.
Te sou, ainda em mudanças.
Onde começo e termino você não é caminho.
Mas segue. Eu quase consigo caminhar por essa ponte.
Te aguardo. Ali, logo depois do segundo ponto: (...)



Kate Polladsky

Sunday, September 21, 2008

NEM TUDO

Nem tudo o que eu falo é o que penso. Nem tudo o que eu quero é o que peço.
Nem tudo o que entende é o que é. Nem tudo o que invade é o que sou por dentro.
Nem tudo o que toma era meu por certo. Nem tudo o que tenho é o que sou.
Nem tudo o que me resta, sobra. Nem tudo o que eu minto, mente.
Nem tudo o que eu amo merece. Nem tudo o que eu lembro é o que vivi.
Nem tudo o que eu sonho é para mim. Nem tudo o que eu guardo, fica.
Nem tudo o que permanece, dura. Nem tudo o que adormece, dorme.
Nem tudo o que eu ofereço, tenho. Nem tudo é tudo isso.
Nem tudo - é tudo isso. Isso é tudo.


KATE POLLADSKY

Wednesday, September 17, 2008

Dá-me colo?
Ou palavras?
Não é conforto algum quando calas.
Silencia-me então com a boca
E me acomoda nos braços
Entre os baques que a vida dá
Dá-me uma esmola da tua presença
Ainda que do teu vestígio de olhar
Ainda que passando, só por passar.
Dá-me colo?
Coloca-me em meu lugar
Mas não me traia com indiferença
Que arrogância é ignorar
Se não me dá colo
Ao menos diga, o que pode me dar?



KP
E sigo por outro caminho
Porque esse caminho não é meu
Mas se num instante penso em ti,
Nos outros instantes te vivo
E mortalizo todo o sentimento
Que de morto não tem nada
E só segue, desmoralizado.
Descontínuo e denotado de você
Mas se digo por outro caminho
Nenhum outro destino há de ser
Não ponho cabeçalho nem rodapé
Penduro apenas o essencial
Entre um espaço e outro. O que me der.
Mas sigo por outro caminho de mãos vazias
Porque esse caminho me segue de mãos atadas
E atada de tudo, o que posso fazer?
Que não haja caminho então
Desfaça todos o que vão
Me desviar de você
Pode fazer isso?
Sede o meu caminho que há de ser?



Kate Polladsky
Ainda que não te dê a porta
Não te nego as brechas.
[...] Invade e fim.*



Kate Polladsky

*Djavan
Antes que vá embora
Me deixa teu suor ou tua saliva?
Nas minhas mãos, no meu rosto
Me renova a película e os pêlos?
Dos meus olhos, meus cabelos
Antes que vá embora
Adivinha a cor do meu sentimento?
Esse medo do outro passo que vai passando
Rápido e lento, rápido e lento
Antes, vá embora
Que eu chego doendo
Antes de mais ninguém
E antes de mais nada
Eu te espero sempre
Embora não vá
Dizer o que quero.
Mas quero sempre.


KP
Prefere a deixa, ou o deixar?
Prefere que eu te deixe ou
O que eu deixo não vai bastar?
Prefere que eu te baste?
Prefiro deixar que tu prefiras
Pois pra mim sim, basta.



KP
MUITO

É quase sempre muito, o que sinto.
É quase sinto muito.
Não sei o que de muito há nisso
Se é sempre quase.
Não o que eu sinto. Este não é sempre.
E tampouco é quase.
É sempre muito quase, sinto.



KP

Tuesday, September 16, 2008

Vitrine.

Percebi como me olha
Me olha como se quisesse levar da vitrine o coração
Como se o preço da tua curiosidade
Morasse no seu objeto de estudo e na minha exposição
O que observou de novo na minha transparência?
Algo que se negue? Algo que se leve?
Mas deixa de elegância e de passear os olhos
Quebra logo toda essa vitrine
Rouba esse músculo bobo que tanto bate e tanto cala
Com um caco de mim talha seu nome
E batiza teu roubo de amor.



Kate Polladsky

Monday, September 15, 2008

Por que se move tanto?
Tanto foge ou tanto cerca
Porque não se emenda?
É tonta, tantas vezes tenta
Tanta coisa pra fazer
Pelo menos tenta
Seu todo tudo se entortando
Como é que se agüenta?
Anda magoando um tolo?
Talhando os tocos do teu tipo
Tudo é troca
E tranca
Do lado de fora o teu tido?
Não tem nada tão maldito
Que tirar-se do tido
Tipo, trocar pelo que não tem
Mas só tem olhos para o mesmo teto
Tanta lente não adianta
Ta tudo indo muito lento
Talvez por isso se mova tanto

É tonta... todo o tempo.


Kate Polladsky
Passagem

A entrada da saída vai ser a parte mais difícil
Mas quem mandou ensaiar tanto?
E foi passando assim tão lento
Como quem não quer deixar acabar
Mas se ensaia tanto a saída
Por que não entra de cabeça?
E se ela passar será que se acaba?
O amor que entrou assim de fininho
Por todas as brechas?


Kate Polladsky

Saturday, September 13, 2008

Vestido de Costa Nua

Ficar entre os calos dos seus dedos de arranhar-céus
Caminhar trôpego e indecente entre teus móveis
Pés, braços e mãos
Cair junto a noite, nos teus cabelos de colchão
Subir teus andares, abrir suas portas
Atravessar tua ponte de corpo
E tuas partes onde tudo continua
Desatar as atas, descansar os atos
Sem que permita o esfriar da rua
Amarrotar os lados e permanecer o cheiro
No teu vestido de costa nua


KP

Thursday, September 11, 2008

MAL ESTAR

Se eu não estivesse aqui
Seria tua, e seria livre.
Seria teu lar, teu lugar de descanso
Seria mais fácil amar.
Se eu não estivesse aqui
Seria mais arejado
Tudo estaria aberto
Minhas, verdades, minhas mentiras
Meu coração e tudo mais que há
Menos a porta de saída.
Não quero você lá
Se eu não estivesse aqui
Tudo seria mais perto
Também seria irreal
Ser assim distante maltrata
Tudo o que é possível não faz falta
Pra quem não pode voar
Se eu não estivesse aqui, eu juro
Que seria a tua última escolha
Pro resto da vida
O resto das folhas
Pros teus versos
Pros teus sonhos gritarem
Sem que precise ouvir
O que os outros falarem
Por mim, eu ficaria
Mas essa vida aqui
É como se eu não dissesse
Nada do que acabei de dizer
Então é melhor que te escreva tudo
O que sinto e o que sou
Como se eu não estivesse aqui
Mas estou.


KP

E com um pensamento gestante de você...
Não te nasce.
Nem te aborta.




Kate Polladsky

Tuesday, September 09, 2008

Sei que prefiro os dias que danço
Com ou sem passos certos
Só ou somente um pouco
Ainda que bata nos cantos
Prefiro os dias que danço
A desenfrear-me na música
Que canto para tocar você
Que toco para cantar você
E desencantar um público de sóis poentes
De poetas e lentes
Que não querem me ver dançante.



KP

Troca-me os lados e isso que tu vês, ou enxerga ou percebe, não tem perseverança de ser. O lado certo é todo aquele antes de você. Não sou códigos ou senhas, e sempre teve todos os meus traços na mão. Leu-os quando quis e quando não. Mas não posso impor que leia corretamente. Leia como quiser, e me veja como quiser. Queria eu saber a sua maneira. O que foi que eu fiz? Não são os teus passos que estão sempre de saída. Por mais ausente que isso seja às vezes volta, e me agride aqui dentro, acredite. Pior se tivessem ido embora. Ou não sei. Descomplique. Passe e fique. Pacifique.

Agora seu olhar é que foge. Sinto que o castiga; o põe de lado. Como se eu fosse vago, como se quisesse tu cegar-se vagamente de mim. Essa é a parte mais cômica. Se eu conseguisse chorar, choraria. O que importa é que me simplificou imensamente, enquanto te compliquei até os pontos. E agora morro de medo dos tais. Precisaria que fossem contínuos; não finais.

Devo ter errado em alguma coisa. Erros acontecem. Eu aconteço. Mas acontece que ainda não é vantagem te acordar enquanto adormeço. Não saberia que sonho contar e sou capaz de inventar sonhos. Fui capaz de te inventar. Para que me reinventasse, ou entendesse um pouco a minha reinvenção. Então vêm as perguntas. A arcada das perguntas me monta e me amontoam respostas que são tudo, respostas... Não. E são coisas que eu vou abrir, sempre que quiser. Queira sempre, tem direito a isso.

Agradeço a pressão que me fez, sem saber, para que eu voltasse para o mundo mais mortal. Esse que não precisa de conveniência, nem distância. Esse que uma coisa é minha, é sua, do que me pede e do que dou, ainda que não tenha coerência, mas acho que não lhe tenho mais espaço para et coeteras. Assim vou te perder. E se perder-se também é caminho, perdi o suficiente pra encaminhar tudo pro lado contrário ao que deveria. Agora sinto que me achei sem precisar me encontrar em algum lugar, como queria. Foi como tudo começou. Impliquei com o desconhecido, não me conhecia ainda. Nem você, nem eu. Agora que desisti de me encontrar e te perder, qualquer dúvida será bem vinda.

Monday, September 08, 2008

ACHISMO

Não preciso ser o que digo que sou
Sou o que sou. O que você acha disso?
Uma meia verdade não é uma mentira
Não vejo nada de mal nisso.
Mas digo tantas coisas.
Digo que estou quando não estou.
E vou voltando quando na verdade, vou.
Não acho que as coisas terminem por aí
Mas quer achar que acabou?


KP

Sunday, September 07, 2008

Queixo e mãos

Depois não sei mais para onde olhar
Pra tua imponência ou pro teu descanso
Pros movimentos que não alcanço
Mas dá gosto ver passar
Aquilo que se divide
Pares em queixo, em lábios
Pares que parecem nunca desejar
Ficarem a sós com os dedos
Passeio perante e por onde nunca pensei
Sem que parasse por distração
Ou procurasse permanecer
Depois não sei como se conheceram
Como irmãos
Junto então o corpo
Dos meus olhos parênteses
Como se tocassem e morassem
No teu queixo e mãos.



Kate Polladsky
Brincaremos de não-direção
Correremos de tudo
Cairemos confusos no chão
Cada um do seu lado
Olharemos desconfiados
Achando coisas
Perdendo outras
Não quer uma amizade de brinde
Diga-me
Se não sabe brincar, não brinque.


KP
Muitos

Vai sair de mim então
Os muitos que são o que sou?
Vai sumir com a verdade
Trancar-se sem grade
Apenas a serenidade
Que muitos dizem que sou?
Vai sobretudo tentar
Ser sóbrio, não ser só e sem sentido
Ser servido da natureza imprópria
Que muitos se apropriam tão bem
Eu não a quero, mas se a tenho?
Vai sair de mim então?
Os muitos que são o que sou.
Eu acho que arranco
Mas não retiro
Não é célula ruim o que sinto
Mas virou metástase
É fase de empecilho
Muitos tantos pela metade
Correndo frouxo sem direção vou
Desconhecendo-me em água corrente
Até que o muito leve à exaustão
Muitos mesmo que são
Soou como o que sou
Exatamente.


Kate Polladsky

Saturday, September 06, 2008

Acho que me adapto a qualquer tipo de amor seu.
Do amor sábio de sentar num banco, ao amor instintivo de encostar na parede.
Do amor de saldos nulos ao de derrubar muros.
Acho que me adaptei a ser do amor, ainda que não seja sua.
Mas seja crua essa vontade de te ter.
Até que me esquente o suficiente para comer a carne mole do meu coração
Aliás...
Adaptar-se não.
Acho que é deixar-se ser.


KP
17/07/87

Às sete ela dormia em oito.
Desde os sete, seta nenhuma a orientava.
“Oi, tô pouco me importando” com os teus anos.
“Sou do ano de julho”, eu juro.
Sentia-se sempre centrada nas beiras.
E beirava o centro de tudo por isso.
Sete, não era de Setembro.
Era dos dias da semana e era de quem amava.
Era ímpar e era boba.
Mas não dava bobeira tão fácil, com os outros números.
Somava mesmo. E difícil era quem a dividisse.
Como um dezessete.
Como dizem as clavas em oitavas.
E os cânceres de oitenta e sete.



KP



[... Para o chocolate dos dias de caos].
As idéias não batem
As mãos não se encaixam
As bocas não são caras
Nem se entregam
A tentativa não deu em nada
As mágoas são nenhuma
Às possibilidades
Dou a trégua
Eu não te amo, em suma.


Kate Polladsky
E por favor, não se pare.
Continue-me.
Não separe, me duvide.
Divida-me em seres pares.
Ou me apare em um pires
Peça-me bem pura
Meça-me perenemente
Em amperes.
Impeça.
E por favor, não me conte.
Algo assim tão...
Não me conte!
Em partes por milhão.




Kate Polladsky
Contudo

Tenho a impressão que me sopras o vento que me faz ventania.
E que me atordoa a poeira nos olhos, me substitui a vista.
Tenho a ferida de quem venceu um dragão, sem espada, nem escudo.
Sem tudo de todo sentimento esdrúxulo, apenas a esquisitice de ser.
Contudo...
Tenho a intensidade da intenção, e a meninice da invenção, que acabou de nascer.
O que me apressa, me apessoa dos freios, cada vez mais insanos. Cada vez mais gastos.
Cada vez mais gestos, e menos palavras na sua presença.
Uma observação desorientada, de tocaia. Pairo meus cílios na tua longitude.
Se é virtude, não sei. Volta e meia morro na praia. Tentando adoçar o teu mar.
E sinto o gosto insosso da minha maré, o tempero que é o tempo todo você.
Tenho uns sonhos infrutíferos, cujas sementes nem plantei.
Adiantei apenas as folhas, pra sombrear tuas maçãs,
Enquanto me deliciava com o gosto de terra.
Coisas simples que me facilitas. Seguir sorrateiro com o amor, ou sua diminuição.
Devolvendo o prejuízo que me dá tirar de mim o coração.
Doar-lhe tudo. Do ar, doar-se em nada.
Apenas a matéria compensada do meu ser completo
Com tudo.



Kate Polladsky

Friday, September 05, 2008

Fotografia

Não conhece o fato, e se desconfia... Fato.
Não recorre ao ato, e se distancia. Fato
Não amortece a vida, e se de morte vivia... Fato.
Não ofuscava a vista, e se ainda via... Fato.
Não faltava nada, de fato. Só revelar a fotografia.

Kate Polladsky
Trejeitos

De que jeito vai?
De que jeito é?
De que jeito gosta?
De que jeito quer?
De jeito maneira pode.
Mas dá-se um jeito, né?



Kate Polladsky
KP
I must be part of the parted
Disturbed, departed
Deported back home
Devided.
Do not wish that to anyone
I must be a plan of the practical
Pratically hysterical
In this silent me.



KP