
Tuesday, November 11, 2008

Torceu-se por dentro e pairou
Como folha de papel em branco
Seda e sobretudo sede
Fitou como se tocasse
Aquele ser era também um estar
Naquele instante acha que estava sendo sincera
Com ninguém mais do que si mesma
E naquele momento, como se nada mais importasse
Deixou-se olhar.
KP
Monday, November 10, 2008
Dei minhas lembranças a um pedaço de mar. Vi flutuar minhas sagas ao teu lado e por fim, vi meu sangue quente, de um músculo errante e pulsante, afundar. Joguei meu corpo nas ondas, como quem quer se lavar por dentro e como quem levava por dentro um oceano de águas passadas aonde eu quase me deixei levar. Me perguntei em silêncio se aquilo tudo me pertencia ou se era tudo aquilo que perdi. Ainda carregava uma dor densa, quem sabe o mesmo mar te banhava em outro lugar. Era mesmo o peso do que eu sentia que me impedia de nadar. E fugir depressa do que eu era. Quase a tua costa, uma linha tênue de rochedo que te segurava firme, e te impedia de transbordar. Para que não se gastasse afora, nem se enchesse demais, de um mundo de outrora, cuja aurora se desfaz. Minhas lembranças foram todas inteiras. Hoje se despedem em pedaços, pontos e traços que sequer sabem que pedaço do mar riscar.
Not a bird, not a space to fill in, not a time to waste.
I’m free from my past. Then again, it feels like a new taste.
No, I haven’t got new arms to laze on.
No I haven’t got different lips to run for.
I just got my heart back. And it’s all I needed.
I just got my sanity back. And it’s all I missed.
I’m thrown back into the darkness.
And yes, it scares me. I’m lost and lonesome.
But I’m mine. And my spirit is lighter.
I don’t feel like a loser. Nor like a fighter.
It is none of my business anymore
To measure my love or pick you up in the storm
It’s even senseless to think about before
As something so kind, so big, so true.
Now I’m free to ignore and make things work out.
Looking forward to see a new horizon.
To light my way with a brighter sun
And now that I’m free, darling
I got half way gone.
KP
Friday, November 07, 2008
Thursday, November 06, 2008
Dizia que os dias de chuva eram quentes, tão forte se enrolava nos lençóis, formando um ninho de si e de seus medos. Jamais quis estar na chuva para se molhar. Criou-se seca e intocável. Certo dia viu passar na rua uma criatura de olhar tão brilhante, que nele reconheceu uma constelação, e daí por diante carregava dentro de si um planeta, cuja órbita ela não sabia quando veria novamente passar, mas sentia que a deixava tonta, só de pensar.
Dizem que quando ela ama, surta. Finge-se de cega, de perdida, não dá ouvidos a mais ninguém, que não o amor que a escurece, que toma sua bússola e rouba sua música mundana. Já nem dança, seus pés sequer obedecem, apenas corre para os mesmos braços, não anda. Quando um amor desses chega ao fim, a vida a desengana. Seu coração padece, o que há de mais doce nas frutas proibidas torna-se amargo e os pães sobre a mesa apodrecem. Não se alimenta de coisa alguma, e logo flutua de sobre-morte. Pessoas juntam votos para que sobreviva e então ela acorda, alimenta-se de si e aos poucos sente de novo o peso do mundo que a adormeceu. Tão bom é dormir. Sonhar acordada nem é. Isso a deixa tão leve, que nada a prende. Perde seu equilíbrio com a altura dos sonhos, e cai como se fosse o próprio muro que a divide. Ela tornou-se construção, mas retornou ao estado de pedras. Alguém a pega e arremessa no lago, vê-la pular e afundar seu corpinho de matéria perene sob os lençóis freáticos, molhados dos dias de chuva. Seu ninho a nasce, breve como um cochilo. E tudo o que há, ganha importância em seu mundo. Assim dizem. - KP.
Wednesday, November 05, 2008
Tuesday, November 04, 2008
Jurava pra si mesma que o amor que tinha, não era mistério nem era vestígio. Não dava sinais do quê o formava, mas transformava-se com malícia em presságio. Era assombroso. A sombra que dava, a luz que absorvia, já quase um ser vivo o amor se enraizava.
Mas aos poucos, o amor foi tornando-se palavras. Proferidas em vão, para feridas rasas. Ia se aprofundando e em algum momento, não mais lhe parecia dádiva. Corações ao avesso, e cada página perdia seu verso. O amor ficou pálido e sem grafia. Virou sopro. Pássaro sem asa. Caminhava somente à margem e nem mais sonhava. Fossilizava-se na lágrima. Deu de ombros, nada mais o sustentava. Um êxtase do fim.
Quando se lembra do amor, esquiva-se no tempo. Sente enjôo da dor que lhe traz, tantas lembranças ainda recentes, ganhando a cor sépia. Era chama, agora é fuligem. Ela se desfaz do amor que jaz. Do corte que vive a enxaguar, para que estanque, que pare de jorrar a seiva. E a limpe, para outras crenças. Que não o amor.
Acredita talvez, apenas na sua vertigem. O amor de passagem. Uma neblina. De certo trará outra visão, quando passar. Ela até diria que amor é uma miragem.
[Acaso]
Levanta a pálpebra. O que acreditara sofre com a maresia. É água-viva. Seu impulso flutuante. E volta ao amor, ainda que discretamente. Talvez ainda desacredite e pense diferente. Mas olhem-na: ela ama novamente.
Quer pense diferente sobre o amor, quer sinta diferente o mesmo sabor. Desconfia que dois a dois juntos não formam um só. Mas um cardume. Multiplica-se no interior sem medo ou arrependimento. Amor fácil e leve, não se perde e nem termina, já nasce escasso. Da raridade que é, transitar entre “quando era” e “quando for”. O amor acreditava nela, quando era. E ela, acreditará no amor enquanto for.
Monday, November 03, 2008
A sua voz intimida. É imposta, é suposta. Tão curiosa de sonoridade que quase é pergunta. E é o próprio complemento, uma resposta. Quer ser sábia num tom leigo, simples. Sarcasticamente castiga, engana e mede. Como se fossem seus próprios olhos encara. E assim sua voz prepara seu berço pra o que quer ouvir. Já ganha mimo, ou um ninar debochado, gosta de adormecer assim.
Seu olhar é antipático, hierárquico, atípico. Adapta-se ao que vê, embora não goste. Quando assim, coloca o que for de canto; como se já não servisse. E a vista limpasse. Poderia escolher estar ou não estar presente. Mas seu olhar não foge, porque não é covarde. Nem fica porque é inquieto. Simbolicamente é um olhar acolhedor, colhido da castanheira. Ele é assim meio doce-mel, meio mundo e meio madeira. Por vezes, o noto meio radar. Nunca presenciei meio perdido o seu olhar. Nem mesmo ao meio, dividido entre uma coisa e outra. Decidido demais, não a deixa olhar pra trás. Fecha seu panorama em ângulo agudo. Invejo a paisagem que no seu olhar pousa.
O seu gesto é acanhado. É cabível e é cabide. Pendura-se no ombro daquele com quem compartilha a mesma linhagem de passos, ou naquele com quem perdurou um instante.
É um gesto miniatura. De identidade formada, decidido das superfícies. Gesto de meticulosidade, de firmeza bruta. Gesto escorregadio, desorientado ou plácido. Dependente do gestor, do maestro que o toque, que o leve, que o guarde por merecimento. O seu gesto é eterno, exatamente naquele momento. Doura o que toca com a pele.
Os seus traços, todos eles significam. Todos eles permanecem e são notados. Traços vivos, que não existem apenas para si, por estarem ali como seus pertences básicos. São traços artísticos, desenhados a partir do seu eu imperfeito. Traços seus que esboçam algo a mais, até menos do que gostaria. Alguns ficam descontinuados e descrentes, mesmo assim são eles que crescem acompanhando suas beiradas e bordam o tecido que veste sua pessoa. Isso de unificar os todos seus, teve de nascer todo de uma vez só. Das coisas que não se encontram de outra maneira em outro alguém. Porque cada coisa sua, é única. E o seu tudo, também.
Amor é um objeto.. Que o meu espírito infantil o agarre como algo sem valor, sem cor, sem som e o arremesse no chão. O que fazer com cacos de amor? A dor os juntaria, tentaria de todas as formas torná-lo inteiro e divisível. Mas não compartilhável. Seguiria como objeto cortante, inutilizado. Com pontas e irregularidades.
Não entendo de amor, nem de falas. Entendo de bocas e palavras ao vento. De calúnia, de calos, mas de amor... Eu me rendo. Saberia falar mais do mar e de tormentas.
Uma vez acho que amei. Mas não amei a vez que amei, porque não fui amor. Não fui amado. Não fui. Voltei desamparado e vazio. A minha exigência com o simples tornou tudo muito complicado, e amor não é fácil de lidar. Por isso me ignorou, sei que esse é um dos por quês. O que não se justifica.
Caberia o nada no amor? Quando se sente nada, é um ato amável consigo mesmo? Protegido de ilusão. Blinda o coração. Mas e se ele envelhece, torna-se célula morta, antes de tornar-se céu para alguém. Não importa.
Se o amor falasse, o que me diria? Que de todas as vezes que amei, deu tudo certo. Mas no fim, estaria uma errata e meu nome nela. Agradeço. Pois se o amor falasse, tenho certeza que me seria sincero, e não criaria um mal entendido. Eu não o entenderia, me pareceria mudo. Então melhor que assim o seja. Mudo. Não há mais nada a ser falar de amor.
Sunday, November 02, 2008
Furem-na, partam-na ao meio, depois a joguem no fundo do seu mundo indigesto.
Disse a todos os elfos, que não acredita em fantasia. Mas tem o costume de mulher-maravilha, que não se salva dos heróis por quem se apaixona, e jamais termina seus capítulos. Ignora-os, perduram e tornam-se perfeitos, tantas vezes se repetem.
Não sabe o que respira, liberta do que a inspira, tem apenas alternativas excludentes. Sorri para todas as mentes brilhantes, seu brilho fosco pintou o acabamento que tem. Quando se acabou e a tinta fresca secou, sentiu na pele brisa nenhuma. E agora, isolada de tudo, pede apenas o descanso. E o descaso por acaso é consigo? Veio agora pedir que a perdoe, por ter o cabimento de não caber no que sente. Disse "sinto muito" e foi morrer. Agora vive em paz. Vai entender. Do que mulher é capaz.
Kate Polladsky
Saturday, November 01, 2008
Perto, longe, perto, longe.
Só, mas com você do meu lado de dentro.
Minha pele tem pressa, minha vontade não cessa.
Não toca o tempo lento. Nem joga de novo os dados.
O primeiro se chama sorte, o segundo se chama amor.
Nem acredite tanto em acaso.
Mas se caso contrário... Aqui estou.
Algumas palavras chaves sobre você.
Teu significado sem sentido sentiu-se livre
Por um acaso me decifrou.
Roubei-o em forma de empréstimo.
Sentiu-se roubada e me visitou
Nunca mais foi embora de mim
Solidão me perdoou.
Roubar suas palavras-chaves
Me abriu seu coração
E somos nós o nosso achado
Daqui por diante
Perto, longe, perto, longe
Só com você do meu lado.
KP
Monday, October 27, 2008
Ouve o ruído e se anima.
Largado no tempo.
Dos temporais de sina.
Aqui sinaliza que é o fim.
Alvo fácil, e vira fóssil.
Nada mais o resgata
Em nada mais culmina
Aqui jaz.
Um coração em ruína.
Kate Polladsky
Viu onde tudo terminava, quando começava a encontrar.
E deixou pegadas, poemas, vontades, mentiras e verdades.
Talvez seja a maneira que encontrou de descontinuar.
Sentiu que já não pertencia, desprendeu-se do que a prendia.
E livre de tudo, novamente é.
Lavou os pés na água e foi seguir o mar.
Limpou-se de si, e o céu se abriu.
Ninguém havia visto o que ela viu.
Segurou-se nas pedras e até sorriu.
Talvez se as jogassem pra cima, faria chover.
E o mar inundaria, não afogaria seu sentir.
Sentiu-se desprotegida novamente.
Escondida do mundo, mantida refém.
Ameaçou de amores sua mente.
Sujou-se toda, de partículas de repente.
Fora de si, já esfriam. Por dentro era quente.
Foi bem mais longe do que pensava.
Pensou até que conquistava.
Toda a península por onde andou.
Banhada pelo lençol azul.
Que agora perde cor.
Está empalidecendo o amor.
E todo esse mar, que a tomou.
Amanheceu desacordada.
Na areia descontínua.
Continua a amar, contudo?
Ainda...
Kate Polladsky
Da falta que me faz, e da falta que se faz.
Cada qual com sua ausência por dentro.
Jamais fecharei a janela novamente.
Por excesso de sol, ou de chuva.
Deixa assim, símbolo de abandono.
Não lerei suas palavras, esperando reconhecer as minhas.
Não falarei mais nada, esperando esconder-me no silêncio.
Esperando ser descoberta no quebrar da sua fala.
Jamais deveria. Ter deixado tanto surto correr solto.
Não vá tentar me curar, da dor que me é.
Não vou existir pra um lugar que não é meu.
Não vou insistir em terminar o livro.
Das minhas faltas de capítulos que leu.
Jamais tomarei de volta o que dei de mim a ti.
Ou farei pouco caso do pouco que se deu.
Ainda sinto que despenco.
Mas o eu abismo, está caindo em si.
Jamais entendeu.
KP
Sunday, October 26, 2008
Vou como sempre fui; sem querer voltar.
E acabarei sem que dê por acabado, mas vou pôr um fim.
É nessa cama que adormeço todos os dias. Acha que precisa me ensinar a acordar?
Não dói tanto de porquês, de pormenores, dói de mim que me deixei.
Não dói tanto mil nãos, quanto dói, já tarde demais, um sim.
E essa parte eu não mereço. Não recomendo. E sinceramente, já cansada de tudo, me rendo. Venço-me, sem ganhar o que quer que seja. Sem que seja causa perdida, ou ganha. Mas prefiro que se perca, agora. Do que ver perder um pouco mais, todo dia.
Já tanto faz de onde as coisas têm vindo. Pra onde as coisas vão? Eu não iria.
Dessa fruta eu já mordi. Já morri desse veneno. E não me custa a vida, morrer do que eu entendo. Apenas sinto de novo, o que se renova quando me lembro. A única razão nisso tudo existe pra matar sentimento. Que já é o final de tudo, para todos os começos. Já conheço, já conheço.
Kate Polladsky
Perdi estrelas, perdi referência. Perdi o planetário que não me cobre à noite.
Aliás, perdi bem mais. Jamais parei de perder.
Friday, October 24, 2008
Mas não espera, não se desespera.
Respira e vai.
Em parte cansa, e inventa causas pra existir.
Ainda tenho muito que pensar.
E na possibilidade de não ser só pensamento.
Alimenta meu corpo frio.
E quase esquenta com um fio de amanhã.
Não sei o que me dói, se não machuca.
Nem tem a intenção.
Devo ser assim, indiferente à dor.
Organismo vivo pintado de azulejo.
Reflete o mundo em que vivo.
É no seu fundo que me vejo.
Meu maior medo.
É que isso não seja triste.
Que seja opcional.
Minha maior angústia.
É a consciência do que me sou.
E de aceitar, de se ter.
E não saber levar.
Deixar que me levem.
Que me escolham.
E que me achem antes.
De eu me encontrar.
Ainda tenho esperança.
De conquistar alguma certeza.
E poder ser flexível, com firmeza.
Que o meu agora, não se estenda.
Além do momento que é.
Para que eu não precise sentir o peso.
Do que poderia ser, do que teria sido.
Sem ser.
E assim sendo, não me respondo.
Porque não me pergunto.
Tenho a coragem da dúvida.
E pagarei as dívidas que fizer.
Com a esperança do ainda.
Do que minha esperança quer.
Decidirá o meu caminho.
Quando eu já não me importar.
Não importa, que passos der.
Que a minha verdade não se renda.
Nem entre pela porta em que sai.
Que o ar da minha esperança
Não se prenda.
Respira.
E vai.
Kate Polladsky
Thursday, October 23, 2008
O vazio da convivência, o vazio da ausência.
Conhecer o que perdi, como se me conhecesse.
E não me perdesse. Nem me desse conta.
Como se me antecedesse, e evitasse.
Conhecer o desconhecido.
Sem que soe familiar, sem que eu desconfie.
E o medo me tome nos braços.
Medo do que se desprende, e dos laços.
Como vou poder me continuar, se me desfaço?
E disfarço muito bem? A ponto de eu acreditar
Que sou tudo isso que conheço.
Mas que sinceramente, nunca tomei conhecimento.
Conhecer minha sinceridade talvez, seja um começo.
Quem será que me segue?
Sem sossego nem sacrifício.
Somente o quente vício de você.
Já não hei, com que coragem te vivi?
Perdi teu beijo que tanto quis, ou irei.
Hoje sei que sou nada pra ti.
Amanhã o quê serei?
Já não sei...
Se me sobram pedaços.
Se me restam passos.
Passarei despercebida assim?
Por mim...
Pode ser que termine aqui, haveria um fim no enfim?
Filtrando-te do amor, que mora dentro de mim.
Já não sei... Sempre separo o possível do absurdo
Possivelmente apagarei as luzes
Pra ver a luz que incide
Se é você que chega, se as chaves abrem
Se os teus espaços de fato me cabem
Bem, você foi o impraticável. E, portanto...
O que há demais nos elogios práticos
Que fugiram da minha boca?
Já não sei, se queria saber...
Minha curiosidade resiste
E perde pro que mais persiste ao viver
Agora, desiste...
Ao mesmo tempo em que quebra sua lei
Se contradiz, se desfaz e se perdura
Se for verdade, já não sei...
Menti pela saudade, pela passagem mal marcada.
Da dor de querer, um quê de ti na dor, que não me dói.
Só mesmo enfeita a dó, que você tem por mim.
E se dá um pouquinho, pra mim que já se deu.
Já não sei... Quantas vezes errei e me arrependi.
Mas não te disse ou irei. Sei que o teu sol a pino
Percebeu as sombras que deixei
Não são caminhos com cascalhos.
Às vezes é você, a maior pista do que sou.
Se tudo o que vou, vou por você.
Não vou me perguntar sobre tudo
Ainda assim duvidará do meu talvez
Minha sabedoria é um tanto burra.
Pra você saber... Que já não sei.
Kate Polaldsky
Wednesday, October 22, 2008
Quem surpreende o óbvio, tão mal feito que quase jaz. E te perturba quase nada do que me diz, mas perturba demais. Quem se multiplica, faz quase tudo, por quem quase tudo é. Tudo parece valer a pena. Apenas, quem toca a pele, sem nem mesmo tocá-la, mas já se materializa, tão perto fica a distância entre os dedos dos sentimentos limpos de amor, que já até empoeiram de tanto esperar. Ora, quem sou eu pra amar...
THAT YOU CREATED A HARD WAY TO LOVE ME
AND AN EASY WAY TO LOSE ME.
IT BOTHERS ME THAT YOU HAVEN´T REALISED THE DIFFERENCE BETWEEN WHAT YOU THINK IT´S RIGHT AND WHAT I THINK IT´S WRONG.
AND IT BOTHERS ME BECAUSE I RESPECT MYSELF, YOU DON´T.
EVEN WHEN I LIKE YOUR KINDNESS, AND YOUR INTRIGUING LOOKS
I WONDER IF I DONE SOMETHING TO WIN IT, AND IF IT MEANS IT´S GOOD.
TO TELL YOU THE TRUTH, ONE OF US HAS BEEN LYING TO ITSELF
IN A MILLION T POINTS THAT TOGETHER MAY DRAW A WHOLE ENDING.
I NO LONGER FEEL SO GIVEN. I MAY BE THIS NUMB PERSON, FEELING NOTHING AT ALL.
I´M PERHAPS JUST A THINKER. THINKING TOO MUCH OF EVERYTHING.
WILLING TO THINK LESS AND LESS OF YOU.
TO TELL YOU THE TRUTH, I´M NOT TRULLY A TELLER
I´D RATHER JUST DO.
BUT SOMETHING´S KEEPING ME FROM MOVING
ALTHOUGH I´M ACTING LIKE A FOOL.
IT BOTHERS ME AND STILL…
I´M TRYING TO FIX WHAT CANNOT BE BETTER
BETTER IF I DIDN´T BOTHER
I´M WAITING FOR WHATEVER.
KP
Tuesday, October 21, 2008
Queria eu adivinhar seus pensamentos meus, por mim. E se talvez eu tivesse a chance de saber o que eu nem queria tanto entender, já até me arrependo... Mas certas coisas queria que você soubesse, especialmente as que soubesse sem que eu diga, mas que me dissesse o que pensa. Queria não me desgastar tanto, sem precisão. Precisamente quando você é a tentativa mais óbvia que faço. A mais simples, a menos ganha.
Queria mesmo era saber o que fazer, pra não desfazer nada do que fiz. Que foi um passo certo, que não foi certeza alguma. Mas me conforta por algum motivo. Queria saber qual é a minha porta de entrada, já que espero na saída o tempo todo. E o medo de não conseguir ir embora, ficar apenas eu e os espaços vazios, os meus de dentro. E o de fora. Queria que fosse verdade as mentiras que eu passei a acreditar porque desisti aos poucos do quanto te queria. E se me pareceu errado essa verdade, é porque na verdade, ela que não me queria. Não quero mais que a vontade. É a minha grade, de todos os dias. E parece que me aquece, só de pensar. Queria eu saber como não querer, e que isso fosse despreocupante. Que seja, por fim. Que não seja um fim, mas me faria feliz que fosse ao menos um instante.
Kate Polladsky
Losing time with you doesn’t seem so right.
May I leave part of us hanging by itself and another part of it behind?
Just because it’s senseless and silent, to continue with this mess.
Here inside I wish I could stay, and take a chance to be the entire me with you.
Now it´s just the shadow from yesterday. But it always were by nature.
I try to see with your eyes and I really try to light up my view.
But I’d rather have it all blind, than live forever a blurry deal.
You can just have my skin, can provocate me, but never touch me.
You can change my places, make my laces, but no longer move me.
You can this powerful thing of being my love, but can’t this powerful right of a lover.
I left a mark, but does it stay as an old thing, useless and meaningless anyways?
Do I listen to words that doesn’t listen to me anymore?
Hey, you´re my certain step over the days, but you’re one more day in my life, no more.
And now! I must choose between losing myself, and losing you. Differently, but almost like losing the same. Separately, but almost like losing one body.
That doesn’t match, and doesn’t sweat the same kind of love.
Have I got something else to lose? Except for the loss of the nothing, we are? And this lie that wannabe true? Some other story that I wanna tell for myself, without a thing to prove. Stopping is not a mistake. It is just that now; I have nothing else to lose.
KP
Sunday, October 19, 2008
Wednesday, October 15, 2008
Você não percebeu? Não sou eu quem te percebe enfim? Foi sim, eu quem te tocou por dentro e te preencheu os entres, sem tirar nada, sem que se tirasse de si. Pode continuar como este ser inacabado, que não se termina. Nem mesmo em mim.
Tuesday, October 07, 2008
Monday, October 06, 2008
Wednesday, October 01, 2008
KP
Tuesday, September 30, 2008
Se está ao nível.
Se há de se nivelar.
Já que pergunta, por que pergunta em que nível está?
Pode ser que esteja desnivelado agora.
Ou ao nível do mar?
Nesse nível se navega... Ou se afunda.
Nem sabe a que nível chegou.
Nem se chegará.
Já sabe de todos os níveis.
Eu nem sei mais...
Vou me perguntar.
KP
KP
Monday, September 29, 2008
Já tinha chegado de lugar nenhum. De um sentimento perdido perpetuando perda. Ser inanimado, amor. Já nem gosto tanto de você, já nem te esqueço, já morro de saudade, já morro cansada de ir e vir entre seres. Um ser eu, um ser tu. Tudo eu invento, nada crio? Nada nasce em mim de raízes. Embora seja eu o lírio dos teus olhos. Embora seja você a borboleta que eu escolhi como liberdade pra ter. Te tenho? Te solto? Até vejo beleza em tudo. Mas sofro. É um tanto decadente que tenho tudo e não tenho nada. Tenho uma dúvida certa. A minha certeza sempre duvida. Não sei se de mim, ou de você. É algo que vem de dentro. Aflora e murcha. Mas não morre. Às vezes acorda, como de um sonho ruim. Às vezes dorme, como que de tédio. Não sei bem, se espero demais, se espero ter mais. Há dias em que sou indiferente à espera. Acho tudo tão fugaz. Mas são esperas diferentes, são dias iguais. Acabei voltando à minha natureza por você. Já tinha chegado a acreditar, que não me esperaria nascer lírio novamente, nem que borboletas voassem pra mim. Quase me preenche ou me engana com caberes, e já nem acho tão vazio assim.
Sunday, September 28, 2008
Pense que, só não te amo mais do que amar.
Friday, September 26, 2008
Não vou deixar de lado um quê de quem quer.
Não sabe o que quer, mais o que há de ser?
Que você queira um pouco; divide comigo um pedaço.
Um recorte do bolo quisto, ou um traço.
Eu quero muito, sei que te quero muito bem.
Sei o bem que me faz você, mas não sei
Se te querer também.
Eu quero acima de tudo isso que não queria pensar.
Penso o dia todo e penso que você também queira
Não vou deixar de lado, lá bem longe meu querer
Tudo o que eu quero é que o que eu quero possa ser.
Virar um querer tido, não um quer tenha quer não.
E que isso faça mal, não se pode ter tudo o que se quer
Queria ver a sua cara, quando descobrisse o meu quiçá
Que agora virou certeza, eu quero pôr à mesa o amor
Pra você querer me amar.
Eu não vou insistir. Não vou insistir.
Talvez você saiba que cabe bem em mim.
Ainda há espaço pra você ficar.
Ainda há tempo pra você se decidir.
Um dia é só um dia, mas é um dia só.
É sempre assim, só você diria como é ser assim.
Talvez eu invente saudade
É verdade, não vou desistir.
Ás vezes caminho pela metade
E a outra metade encaminho pra ti.
Com razão, eu às vezes esqueço
Você anda tão mudada
Anda de mudança por nada
Não me deu seu novo endereço
Talvez eu não consiga dormir
Sonho tudo de olhos abertos
Não quero perder o mundo estranho
Quero conhecer mais de perto
Quem saberá o que ganho
Amanhã nada é certo.
Talvez você não chegue logo
Logo vou atrás de você
Se eu te achar me aviso cedo
Cedo ou tarde posso te perder
Talvez demore pra você insistir
Mas eu peço a quem possa
Que me ponha nas mãos algo teu
E um tal amor que nos mereça
Amor de muito antes de existir.
E por que não morri na mesma hora? Acho que morri, só percebo agora. Morro quando chega morro quando sai. Quando eu vejo morro, morro quando me cega a silhueta. Quando é finalmente, depois de esperar tanto, fujo. Quase estou ali. Confesso que ali sou só a vontade de você. Melhor dizer que sou toda a esperança, de que todo o pensamento que junto se perca num só lugar. Sou toda desistência desse eu que não controlo. Quer-me e me conserta? Explica-me sobre isso que sou quando você está ou não está. Desfez-se o eu - padrão. Toda essa estranheza oscilante é simplesmente porque não me abraça um minuto pra sempre, em silêncio em um acordo de pele. Ao menos um desejo incontrolável de apenas sentir, e segurar forte, quase nunca mais largar.
Thursday, September 25, 2008
So you can breath, it´s a new pace.
I´ll give you place, so you can move closer to me.
Or can you walk away; are you gone from me, today?
I´ll give you lips. So you can do whatever
Turn into a kiss, I´d give you.
I won´t make you stay.
When it is you who makes your own way
And the steps out through my door.
I´ll laugh at you, when you give me the weirdest smile.
And I´ll cry with you, if that tear you drop is mine.
I´ll die for you. If for you I´m more than just a life.
And I´ll tell the truth, when your truth is just a lie.
I´ll give you money. If that can pay your gains.
It is not my money that will afford your waste.
I´ll give you space.
So you can test your wings
I´ll give you humble and ordinary things.
But I won´t give you more or less
Of the freedom it is to be me, when I´m with you.
I´ll give you a spot in your freedom
It is what you still can be, when you´re with me.
I´ll give you love, it is space to hate me.
I´ll give you love, it is place to make me homeless.
I´ll give you love, it is the price you can´t pay for.
I´ll give you love, it is all those things I gave before.
Kate Polladsky
Os dias de outono tristes, dias de chuva frios, dias de todos os dias.
Eu sei que não serei eu até lá, serei muitas que serei até lá.
E até lá, eu espero que me espere. Que me ame como ama hoje.
Ama tudo o que couber no vazio, e preenche tudo sem precisar tocar.
Sentir basta. E essa intuição de destinos cruzados tem um ventre só.
Espero que descanse bem nos braços de não sei quem.
Que acredite em felicidade e prove dela nos beijos delas.
Mas que hajam braços abertos pra quando eu chegar, e ficar.
Permanecer eu no embrulho, o teu presente que me dou.
Sabes exatamente nos braços de quem, terminará de ler isso.
Sabia disso? Eu também.
Wednesday, September 24, 2008
Como se pudesse florir ainda mais.
E se permitisse a tudo, exceto permitir-se o jamais.
Perambula na minha vista, como se perdesse o foco.
E nada se borra, nada aborrece meus olhos.
Vai embora, e nem sabe que eu acompanho.
Mas eu me largo sim, me dou toda.
E nem sabe que me tem.Tem vontade?
Tem um pouco de você pra me ter?
Te seguro a mão e você nem sente, nem me leva.
Te espero mais minutos do que imagina.
Mais minutos do que me dá, no seu dia.
Planta em mim uma mudinha, como se pudesse falar.
Como se não fosse crescer e dar frutos.
Fica em mim como quem se esquecesse de sair.
Como se fosse confortável morar em mim, acha que é?
Vai ficando e me mudando de lugar.
Como se em algum lugar eu estivesse
E uma hora dessas fosse me expulsar.
Magoa a minha mágoa como se aliviasse
Como se percebesse o que acontece.
E nunca mais fosse me machucar.
Aí fala as coisas com tanta graça,
Quase tudo que eu queria ouvir.
E não me pede nada do que eu queria dar
Eu não tenho mais nada pra dar
Mas me dou toda, tá.
KP

Sentir o sal, adoçar tudo de si.
Não foi? Sei muito bem.
Em que oceano tem ido se banhar.
E com que areia constrói seus castelos.
Sei que a areia fina e leve também serve
E que sabe pular ondas, sempre te deu sorte.
Nesse teu corre-corre alguma coisa tem.
Anda muito flutuante, sabe.
Ainda bem que é um bem-estar, né?
Só não sei bem até quando vai durar essa maré.
Kate Polladsky
Como duvida, como cansa quebrar a cara.
Queira ou não queira, possa ou não possa.
Se empoça fundo, cada dorzinha de sentimento que gela.
Alguém há de chegar, vai condensar e fazer chover tudo em alegria.
E vai dançar na chuva, e vai cantar na chuva. Todo dia.
Meu deus, e como espera.
Sem assentos para o cansaço. Apenas espera que sim.
Que tudo aconteça como imagina, na cabeça dela nada fica.
Fica lá fingindo estadia. Sabe ser sem estar.
Se concentra em nada. Só o centro de tudo.
Nada mais em que pensar. E pensa? Tanto, que pesa muito.
Quase pega, sente nas mãos. Se conseguisse, abraçaria para sempre.
E nunca mais dormiria só. Quase não haveria sol, tanto que choveria sua alegria.
Haveria ouro maior no final do arco-íris? Sol e chuva, sol e chuva. Tudo se ilumina agora, hein menina?
Mas como seria? Será que será?
E o seu coração bate tanto assim por quem? Batem á sua porta de madrugada?
A fecham sempre que abre? Empenou a fechadura? Quem sabe.
Bate palmas pra si mesma, menina. Você merece mais do que um teatro.
Merece todo o palco, e as cortinas se abrindo. Cor vermelho sangue. Esse que alimenta todo esse amor por quem te queira.
Meu deus, quem quer saber como ama?
De todo jeito ama. É o jeito, ama.
E como. É quase um quero-quero.
Não te querem menina? Eu quero.
Kate Polladsky
Kate Polladsky
Tuesday, September 23, 2008
E se talvez já fosse porta, essa tal brecha? E se o que toca não seja um pedaço, mas uma música toda? ...Canta pra mim?
Kate Polladsky
Monday, September 22, 2008
Te guardo, num meio termo.
Assim, protegido do tudo ao meio.
Que se parte, e não volta.
Te penso, sem qualquer racionalidade.
Livre de qualquer impureza dessas.
Que se possa arrepender de ter pensado.
Te cuido, como posso e como me deixas.
Mas te cuido como sou: com todo o cuidado de ser.
Te sou, ainda em mudanças.
Onde começo e termino você não é caminho.
Mas segue. Eu quase consigo caminhar por essa ponte.
Te aguardo. Ali, logo depois do segundo ponto: (...)
Kate Polladsky
Sunday, September 21, 2008
Nem tudo o que eu falo é o que penso. Nem tudo o que eu quero é o que peço.
Nem tudo o que entende é o que é. Nem tudo o que invade é o que sou por dentro.
Nem tudo o que toma era meu por certo. Nem tudo o que tenho é o que sou.
Nem tudo o que me resta, sobra. Nem tudo o que eu minto, mente.
Nem tudo o que eu amo merece. Nem tudo o que eu lembro é o que vivi.
Nem tudo o que eu sonho é para mim. Nem tudo o que eu guardo, fica.
Nem tudo o que permanece, dura. Nem tudo o que adormece, dorme.
Nem tudo o que eu ofereço, tenho. Nem tudo é tudo isso.
Nem tudo - é tudo isso. Isso é tudo.
KATE POLLADSKY
Wednesday, September 17, 2008
Ou palavras?
Não é conforto algum quando calas.
Silencia-me então com a boca
E me acomoda nos braços
Entre os baques que a vida dá
Dá-me uma esmola da tua presença
Ainda que do teu vestígio de olhar
Ainda que passando, só por passar.
Dá-me colo?
Coloca-me em meu lugar
Mas não me traia com indiferença
Que arrogância é ignorar
Se não me dá colo
Ao menos diga, o que pode me dar?
KP
Porque esse caminho não é meu
Mas se num instante penso em ti,
Nos outros instantes te vivo
E mortalizo todo o sentimento
Que de morto não tem nada
E só segue, desmoralizado.
Descontínuo e denotado de você
Mas se digo por outro caminho
Nenhum outro destino há de ser
Não ponho cabeçalho nem rodapé
Penduro apenas o essencial
Entre um espaço e outro. O que me der.
Mas sigo por outro caminho de mãos vazias
Porque esse caminho me segue de mãos atadas
E atada de tudo, o que posso fazer?
Que não haja caminho então
Desfaça todos o que vão
Me desviar de você
Pode fazer isso?
Sede o meu caminho que há de ser?
Kate Polladsky
Não te nego as brechas.
[...] Invade e fim.*
Kate Polladsky
Me deixa teu suor ou tua saliva?
Nas minhas mãos, no meu rosto
Me renova a película e os pêlos?
Dos meus olhos, meus cabelos
Antes que vá embora
Adivinha a cor do meu sentimento?
Esse medo do outro passo que vai passando
Rápido e lento, rápido e lento
Antes, vá embora
Que eu chego doendo
Antes de mais ninguém
E antes de mais nada
Eu te espero sempre
Embora não vá
Dizer o que quero.
Mas quero sempre.
KP
Prefere que eu te deixe ou
O que eu deixo não vai bastar?
Prefere que eu te baste?
Prefiro deixar que tu prefiras
Pois pra mim sim, basta.
KP
É quase sempre muito, o que sinto.
É quase sinto muito.
Não sei o que de muito há nisso
Se é sempre quase.
Não o que eu sinto. Este não é sempre.
E tampouco é quase.
É sempre muito quase, sinto.
KP
Tuesday, September 16, 2008
Percebi como me olha
Me olha como se quisesse levar da vitrine o coração
Como se o preço da tua curiosidade
Morasse no seu objeto de estudo e na minha exposição
O que observou de novo na minha transparência?
Algo que se negue? Algo que se leve?
Mas deixa de elegância e de passear os olhos
Quebra logo toda essa vitrine
Rouba esse músculo bobo que tanto bate e tanto cala
Com um caco de mim talha seu nome
E batiza teu roubo de amor.
Kate Polladsky
Monday, September 15, 2008
Tanto foge ou tanto cerca
Porque não se emenda?
É tonta, tantas vezes tenta
Tanta coisa pra fazer
Pelo menos tenta
Seu todo tudo se entortando
Como é que se agüenta?
Anda magoando um tolo?
Talhando os tocos do teu tipo
Tudo é troca
E tranca
Do lado de fora o teu tido?
Não tem nada tão maldito
Que tirar-se do tido
Tipo, trocar pelo que não tem
Mas só tem olhos para o mesmo teto
Tanta lente não adianta
Ta tudo indo muito lento
Talvez por isso se mova tanto
É tonta... todo o tempo.
Kate Polladsky
A entrada da saída vai ser a parte mais difícil
Mas quem mandou ensaiar tanto?
E foi passando assim tão lento
Como quem não quer deixar acabar
Mas se ensaia tanto a saída
Por que não entra de cabeça?
E se ela passar será que se acaba?
O amor que entrou assim de fininho
Por todas as brechas?
Kate Polladsky
Saturday, September 13, 2008
Ficar entre os calos dos seus dedos de arranhar-céus
Caminhar trôpego e indecente entre teus móveis
Pés, braços e mãos
Cair junto a noite, nos teus cabelos de colchão
Subir teus andares, abrir suas portas
Atravessar tua ponte de corpo
E tuas partes onde tudo continua
Desatar as atas, descansar os atos
Sem que permita o esfriar da rua
Amarrotar os lados e permanecer o cheiro
No teu vestido de costa nua
KP
Thursday, September 11, 2008
Se eu não estivesse aqui
Seria tua, e seria livre.
Seria teu lar, teu lugar de descanso
Seria mais fácil amar.
Se eu não estivesse aqui
Seria mais arejado
Tudo estaria aberto
Minhas, verdades, minhas mentiras
Meu coração e tudo mais que há
Menos a porta de saída.
Não quero você lá
Se eu não estivesse aqui
Tudo seria mais perto
Também seria irreal
Ser assim distante maltrata
Tudo o que é possível não faz falta
Pra quem não pode voar
Se eu não estivesse aqui, eu juro
Que seria a tua última escolha
Pro resto da vida
O resto das folhas
Pros teus versos
Pros teus sonhos gritarem
Sem que precise ouvir
O que os outros falarem
Por mim, eu ficaria
Mas essa vida aqui
É como se eu não dissesse
Nada do que acabei de dizer
Então é melhor que te escreva tudo
O que sinto e o que sou
Como se eu não estivesse aqui
Mas estou.
KP
Não te nasce.
Nem te aborta.
Kate Polladsky
Tuesday, September 09, 2008
Com ou sem passos certos
Só ou somente um pouco
Ainda que bata nos cantos
Prefiro os dias que danço
A desenfrear-me na música
Que canto para tocar você
Que toco para cantar você
E desencantar um público de sóis poentes
De poetas e lentes
Que não querem me ver dançante.
KP
Troca-me os lados e isso que tu vês, ou enxerga ou percebe, não tem perseverança de ser. O lado certo é todo aquele antes de você. Não sou códigos ou senhas, e sempre teve todos os meus traços na mão. Leu-os quando quis e quando não. Mas não posso impor que leia corretamente. Leia como quiser, e me veja como quiser. Queria eu saber a sua maneira. O que foi que eu fiz? Não são os teus passos que estão sempre de saída. Por mais ausente que isso seja às vezes volta, e me agride aqui dentro, acredite. Pior se tivessem ido embora. Ou não sei. Descomplique. Passe e fique. Pacifique.
Agora seu olhar é que foge. Sinto que o castiga; o põe de lado. Como se eu fosse vago, como se quisesse tu cegar-se vagamente de mim. Essa é a parte mais cômica. Se eu conseguisse chorar, choraria. O que importa é que me simplificou imensamente, enquanto te compliquei até os pontos. E agora morro de medo dos tais. Precisaria que fossem contínuos; não finais.
Devo ter errado em alguma coisa. Erros acontecem. Eu aconteço. Mas acontece que ainda não é vantagem te acordar enquanto adormeço. Não saberia que sonho contar e sou capaz de inventar sonhos. Fui capaz de te inventar. Para que me reinventasse, ou entendesse um pouco a minha reinvenção. Então vêm as perguntas. A arcada das perguntas me monta e me amontoam respostas que são tudo, respostas... Não. E são coisas que eu vou abrir, sempre que quiser. Queira sempre, tem direito a isso.
Agradeço a pressão que me fez, sem saber, para que eu voltasse para o mundo mais mortal. Esse que não precisa de conveniência, nem distância. Esse que uma coisa é minha, é sua, do que me pede e do que dou, ainda que não tenha coerência, mas acho que não lhe tenho mais espaço para et coeteras. Assim vou te perder. E se perder-se também é caminho, perdi o suficiente pra encaminhar tudo pro lado contrário ao que deveria. Agora sinto que me achei sem precisar me encontrar em algum lugar, como queria. Foi como tudo começou. Impliquei com o desconhecido, não me conhecia ainda. Nem você, nem eu. Agora que desisti de me encontrar e te perder, qualquer dúvida será bem vinda.
Monday, September 08, 2008
Não preciso ser o que digo que sou
Sou o que sou. O que você acha disso?
Uma meia verdade não é uma mentira
Não vejo nada de mal nisso.
Mas digo tantas coisas.
Digo que estou quando não estou.
E vou voltando quando na verdade, vou.
Não acho que as coisas terminem por aí
Mas quer achar que acabou?
KP
Sunday, September 07, 2008
Depois não sei mais para onde olhar
Pra tua imponência ou pro teu descanso
Pros movimentos que não alcanço
Mas dá gosto ver passar
Aquilo que se divide
Pares em queixo, em lábios
Pares que parecem nunca desejar
Ficarem a sós com os dedos
Passeio perante e por onde nunca pensei
Sem que parasse por distração
Ou procurasse permanecer
Depois não sei como se conheceram
Como irmãos
Junto então o corpo
Dos meus olhos parênteses
Como se tocassem e morassem
No teu queixo e mãos.
Kate Polladsky
Correremos de tudo
Cairemos confusos no chão
Cada um do seu lado
Olharemos desconfiados
Achando coisas
Perdendo outras
Não quer uma amizade de brinde
Diga-me
Se não sabe brincar, não brinque.
KP
Vai sair de mim então
Os muitos que são o que sou?
Vai sumir com a verdade
Trancar-se sem grade
Apenas a serenidade
Que muitos dizem que sou?
Vai sobretudo tentar
Ser sóbrio, não ser só e sem sentido
Ser servido da natureza imprópria
Que muitos se apropriam tão bem
Eu não a quero, mas se a tenho?
Vai sair de mim então?
Os muitos que são o que sou.
Eu acho que arranco
Mas não retiro
Não é célula ruim o que sinto
Mas virou metástase
É fase de empecilho
Muitos tantos pela metade
Correndo frouxo sem direção vou
Desconhecendo-me em água corrente
Até que o muito leve à exaustão
Muitos mesmo que são
Soou como o que sou
Exatamente.
Kate Polladsky
Saturday, September 06, 2008
Do amor sábio de sentar num banco, ao amor instintivo de encostar na parede.
Do amor de saldos nulos ao de derrubar muros.
Acho que me adaptei a ser do amor, ainda que não seja sua.
Mas seja crua essa vontade de te ter.
Até que me esquente o suficiente para comer a carne mole do meu coração
Aliás...
Adaptar-se não.
Acho que é deixar-se ser.
KP
Às sete ela dormia em oito.
Desde os sete, seta nenhuma a orientava.
“Oi, tô pouco me importando” com os teus anos.
“Sou do ano de julho”, eu juro.
Sentia-se sempre centrada nas beiras.
E beirava o centro de tudo por isso.
Sete, não era de Setembro.
Era dos dias da semana e era de quem amava.
Era ímpar e era boba.
Mas não dava bobeira tão fácil, com os outros números.
Somava mesmo. E difícil era quem a dividisse.
Como um dezessete.
Como dizem as clavas em oitavas.
E os cânceres de oitenta e sete.
KP
As mãos não se encaixam
As bocas não são caras
Nem se entregam
A tentativa não deu em nada
As mágoas são nenhuma
Às possibilidades
Dou a trégua
Eu não te amo, em suma.
Kate Polladsky
Continue-me.
Não separe, me duvide.
Divida-me em seres pares.
Ou me apare em um pires
Peça-me bem pura
Meça-me perenemente
Em amperes.
Impeça.
E por favor, não me conte.
Algo assim tão...
Não me conte!
Em partes por milhão.
Kate Polladsky
Tenho a impressão que me sopras o vento que me faz ventania.
E que me atordoa a poeira nos olhos, me substitui a vista.
Tenho a ferida de quem venceu um dragão, sem espada, nem escudo.
Sem tudo de todo sentimento esdrúxulo, apenas a esquisitice de ser.
Contudo...
Tenho a intensidade da intenção, e a meninice da invenção, que acabou de nascer.
O que me apressa, me apessoa dos freios, cada vez mais insanos. Cada vez mais gastos.
Cada vez mais gestos, e menos palavras na sua presença.
Uma observação desorientada, de tocaia. Pairo meus cílios na tua longitude.
Se é virtude, não sei. Volta e meia morro na praia. Tentando adoçar o teu mar.
E sinto o gosto insosso da minha maré, o tempero que é o tempo todo você.
Tenho uns sonhos infrutíferos, cujas sementes nem plantei.
Adiantei apenas as folhas, pra sombrear tuas maçãs,
Coisas simples que me facilitas. Seguir sorrateiro com o amor, ou sua diminuição.
Devolvendo o prejuízo que me dá tirar de mim o coração.
Doar-lhe tudo. Do ar, doar-se em nada.
Apenas a matéria compensada do meu ser completo
Com tudo.
Kate Polladsky
Friday, September 05, 2008
Não conhece o fato, e se desconfia... Fato.
Não recorre ao ato, e se distancia. Fato
Não amortece a vida, e se de morte vivia... Fato.
Não ofuscava a vista, e se ainda via... Fato.
Não faltava nada, de fato. Só revelar a fotografia.
Kate Polladsky
De que jeito vai?
De que jeito é?
De que jeito gosta?
De que jeito quer?
De jeito maneira pode.
Mas dá-se um jeito, né?
Kate Polladsky
Disturbed, departed
Deported back home
Devided.
Do not wish that to anyone
I must be a plan of the practical
Pratically hysterical
In this silent me.
KP
