Thursday, May 14, 2009

Pois bem, é o acaso. Me confunde profundamente, e não há lentes no mundo que me façam enxergar o contrário. Por um acaso não procuro ninguém, decididamente estou bem só. Mas casualmente conspiram os ventos; me sopram alguém irritantemente interessante. Cego e de repente já não sigo. Páro naquele instante, e desvio a pessoa que sou para algo meio sentinela viva e manipulada pela atração por aquela criatura. Que infortúnio não ter controle sobre mim, que injustiça o acaso ter controle sobre mim! Why so perfect? No meu caminho que ninguém percebe, persegue, prossegue comigo? Não é pra mim. Mas sorriu pra mim. Por um acaso era comigo? Com certeza não, na minha mente distraída não. Era só o acaso... Pois bem, era pra mim.
  
Agora, decidi que queria mesmo que fosse meu aquele sorriso. E o que eu fiz...? Ora, por que não virar a cara e fingir que não era comigo? Tá na cara que naquele instante mesmo eu queria tanto tanto aquela pessoa, que me fiz imune a ela. É estranho. Mas é a reação que me dá quando a vergonha me invade, me toma nos braços e me adormece. Eu digo -Oi. E a gente se esquece. Como todas as minhas tentativas me esquecem no final. Depois que a gente se entreolha e até anda de banda, cada um vira pro seu lado do corredor e aposta os dois lados da moeda no mesmo acaso; que é pra comprar o destino...Com aquele mísero centavo.
 
Preciso ver de novo aquela pessoazinha que me sorriu e me confundiu, me iludiu e logo matei o melhor instante com uma interrogação. Eu não sei como, mas depois fiz amizade. E dos cem porcento de chance que poderia ter de conquistar alguém eu me desesperei só com a metade. Será que consigo? E pensei comigo... sorrirei por seu número de telefone; por seus passos ao meu lado da entrada para saída; por saber o que fará no fim de semana ou qualquer medida drástica que nos una.
 
Depois de milênios de acasos, casualmente almoçamos. Sei lá que gosto tinha a comida. Fiquei entre o que me falava, sobre coisas coisas coisas e o que não me dizia. Não me dizia nada seus gestos, olhares, tom de voz. Eu queria saber mais, sobre aquele assunto de ter chance com. Me jogaram na inércia. Primeiro instante me dava bola. Segundo instante, me chutava fora. Terceiro instante tanto faz, eu devo mesmo ter perdido. Era uma ótima pessoa. "é pra mim..." mas..."não é minha". Ah sinceramente! Eu acho que cansei da gentileza.
 
Ora, que me deixasse claro de uma vez se serei plebeu ou serei nobreza. Fiquei num sou não sou, posso não posso, consigo não consigo. Encerrei o caso. Martelei mesmo a vidraça que eu estava polindo com gosto pra deixar mais transparente o que era aquilo entre a gente. Mas concluí que nada a ver, sabe. Comecei a ver aquela pessoa de um modo diferente, ou indiferente. É! É um caso realmente broxante. Se por um acaso rolasse química... Mas não misturou não; embora eu pensasse naquela interessantíssima criatura a todo instante. E também depois de todo aquele processo de ganha-pão, poderia ir pra frente...Mas não. Nem,nem. Tudo mudou de repente, não era como eu pensava que era. Vai ver nossos cosmos eram de substâncias diferentes...Pois bem, é o acaso. Me confunde profundamente.
 
 
 
 
[Kate Polladsky]


Conheça os novos produtos Windows Live. Clique aqui!

Tuesday, May 12, 2009

Apagou-se o mundo lá fora.
Que chova, que chova tudo o que lhes for de direito agora.
Eu vou sentar sobre meus pensamentos e também no chão.
Acenderei um cigarro, será que isso me acalma?
No lado oposto do meu obscuro desconheço o que você ilumina.
Não está longe, mas sim tão perto que me cega.
E agora envolvida no cheiro seco, de cravo ou sei lá, canela,
Eu tocaria uma música ou martelaria os dedos no aço estendido
Sobretudo, eu não sei mais distinguir entre o que soa bem e o que soa mal.
Portanto melhor é quando apenas sinto, e isto é tão quente que esfumaça,
Aqui presente em mais um trago.
Há dias que tento fazer coisas que qualquer um faria
Mas no entanto, faço o que apenas esforço
Em tentar esquecer quem deveria
Apagar de mim, empurrar contra o cinzeiro
Percebo apenas o deboche da tempestade
Que apaga o mundo lá fora quando chove
Ainda continuam acesos, você, o cigarro e a saudade.


KP

Monday, May 11, 2009

O coletivo de infinito.
Consumo a soma: um edredom; um dia de chuva; 2+2=1; café-da-manhã; olhar sem graça; grãos na caneca; amor de casa mesmo; de bares; de pensamentos sem teto; de palavras meia boca; de copo meio cheio e meio vazio; de ruas molhadas; mãos dadas; abraço quente; chimarrão ou café, rimas toscas; hálito de menta e mentes que só falam a verdade quando param de funcionar para: dar alas a um beijo. Te beijar um coletivo de infinito. Já te amo um coletivo de infinito! Ainda é pouco pra somar...
KP

Saturday, May 09, 2009

Não me deixe chegar bem perto de amar outra vez à distância. Poupe-me de tal presságio, de tal tendência, de tal atraso de vida. Não me deixe empoeirar em sentimentos que coloco na estante por uns dois anos, mas terminam engavetados e sucumbem no tempo, ração de pretérito-traças. Ainda não quebrei paradigmas, pouco amei de verdade o palpável, o prático e o acessível. Nasci para odisséias? Para platéias ao longe de quem não ouço os aplausos, não seguro a mão e carrego comigo a tira-colo, a tira-coração, a tira-corpo e alma? Permanecerei nessa incógnita, nesse amor de guerra, nessa eterna cólica platônica? Eu espero que não. Não me deixe esperar. Mantenha-se longe do meu amor ou não me deixe amar outra vez, porque detesto esse amor a três: eu, você e a distância. Um conto-de-fadas ou algo do tipo amigo-imaginário da infância. Existe, mas não está. Não há quem aguente. Mas se de repente você chegar...E durar mais que um repente, a gente se entende. E pode ser que eu ame absurdamente, posso querer chegar bem mais perto que antes, se você deixar...
Kate Polladsky
________.

Monday, April 27, 2009

[Ideologicamente um desabafo.]

Castigar-lhe-ão por ser quem sois de corpo, alma e coração.
Colocar-te-ão camisas de força: que louco é este, livre por dentro, com as respostas que precisa para ser feliz; mas acorrentado ao mundo que o faz perguntas, nada lhes preenche e nada lhes diz? Apontar-te-ão o dedo na cara, julgar-te-ão por qualquer triz. Ensinaram-te a andar, a comer, a se vestir. Ensinaram-te como se portar, como falar, como pensar, como aceitar o inaceitável. Ensinaram-te sobre Deus, e sobre homens. Ensinaram-te que não é quem és, mas sim quem deve ser. Não é assim?Batizaram-te com um nome qualquer, sobre o qual jamais teve escolha, mas apenas para que o encontrem na multidão. Criticar-te-ão sobre seus desejos, sonhos, idéias e amores. Até mesmo aqueles que disseram amar-te sempre, jamais o conheceram nem jamais o conhecerão; apenas porque não permitiram conhecer a si mesmos antes de tudo; apenas porque seguiram regras, aceitaram-se sempre mais sociais do que pessoais. Mas ouça: Se isto o fizer feliz, permita-se. Seja este louco que és por não ser demasiado outrem. Não castigue a si mesmo por pecados que lhes impõem. E não se prenda demais a experiências alheias, dos que serão eternos aprendizes. Sede você o teu próprio caminho e a tua verdade os teus próprios passos.
Ensina aos outros quem és, pois eles apenas sabem quem deverias ser.

Kate Polladsky.
________




Confesso que penso em você como descanso, como fuga. Como encontro do meu ego, com o meu amor e lascívia. Eu penso em você como a lamparina que não pensa na noite antes de queimar, apenas queima por sua natureza, por iluminar sem que pense em como se extingue, sem que pense em seu pesar. Vá insidiar a minha mente, meu pequeno grande erro, que não canso de errar e prepara-me ciladas das quais não saio apenas pelo esforço de pensar. Agora tem a mim presa, em pele, beijo e olhar. E tem o meu coração sem arrimo, que se desespera no avesso de estar batendo e abatido. Confesso que sou só fuligem, mas ainda queimo como magma cuja sonoridade ecoa como cítara e se perde em poesia ou apenas no pousar de uma libélula, consegue ouvir-me pensando o que sinto? Pois se alastra feito lume e se multiplica ao cardume, depois se junta à vertigem que é o descanso e a fuga, com teu nome denotando pensamentos que enturvecem meu pensar.

Kate Polladsky


Thursday, April 23, 2009

Quando as coisas começam a dar certo
Consigo abstrair e me proteger
Atrevo-me a pequenas vitórias
Uma que me cutuca, outra que me acorda, outra que me revela,
outra que me espanta, outra que me eleva...
E assim...
Sigo distraidamente sem tentar te esquecer
Aos poucos os meus sentidos vão se desprendendo de você
Vou eu, começando a aprender a não sentir
Como se as coisas jamais dessem certo
Exceto, matar meus sentimentos
Estes que involuntariamente acreditam
Que outra vez; o impossível ainda pode acontecer.
 
 
 
 
KP


Imagem de exibição animada? Só com o novo Messenger. Baixe agora!

Tuesday, April 21, 2009

Como se fosse possível te esquecer, eu tenho tentado essa façanha há muito tempo. Entre altos e baixos, eu te deixei ir e não me deixei ir, nunca. Não sei que diferença faz. Você poderia estar comigo, ou não? Jamais? Por tantos questionamentos que faço, a resposta é sempre "e se...?" mas nunca o é. Porque eu nunca te questiono. Como se de alguma forma, você me pertencesse; apenas porque eu pertenço a você, de maneira louca e sub-entendida; é que há tanto espaço dentro de mim com teu nome. E com teu nome em meus escritos, em minha boca; fica tudo tão claro que nem o pronuncio, nem o escrevo. Mas sabem, todos os milímetros de mim sabem que eu te amo. Todos os estranhos que me estranham ao seu lado, sabem que eu te amo. E você sabe, mas também estranha. E assim como eu, finge que não. Finge que nos conhecemos também. Será que conhecemos quando fingimos? Como se fosse possível esquecer sua atitude e minha reação, como se fosse possível construir um determinado momento novamente e segurá-lo forte para que continue, como se fizesse sentido. Mas há apenas um sentido nisso tudo, e parte de mim. Sou eu que não consigo te esquecer. Sou eu que finjo sentido em tudo. Sou eu quem não te deixa ir, nunca. E eu tenho conseguido essa façanha a muito tempo. É que há tanto espaço dentro de mim com o teu nome, que já nem questiono. Tenho medo de que meu coração não se reconheça sem você, e já não saiba mais fingir que me mantém viva.

Kate Polladsky

Eu sei que quando você sai, bebe, fuma, beija, ri, se diverte e conhece pessoas novas. Sei que quando você sai, volta radiante ou nem tanto.
E quando sai eu penso se não estou a um passo de te perder, se é tarde demais pra te dizer ou se eu deveria de alguma forma fazer parte de você, por essa coisa conturbada que me parece o seu mundo. Quando você sai, eu sei que é para não pensar. Mas fico eu, pensando se está bem, quando vai voltar e que novidade arrasadora me espera. Penso como amiga porém sinto como tola apaixonada e meu instinto louco de querer te cuidar, te proteger, te ver bem...Esse instinto se volta contra mim, porque eu sei que quando você sai quer estar a perigo mesmo, quer ser livre e que se danem os sentimentos. Aí eu sei que quase adoeço. Por que é tão difícil não sofrer quando você sai? Mas quando volta e está tudo sob controle, então eu te amo mais. Agradeço e sinto que não te perdi por mais um fio.




Kate Polladsky

Friday, April 17, 2009

Me calo e você sabe o resto.
Este silêncio é porque eu te amo.
Estranhamente o meu manifesto.
Medo, medo.
Você é tão diferente
Me compensa de um jeito
Me desconserta de outro
Eu queria ter dito coisas melhores
E queria ter te olhado mais tempo
Mas eu me calo e você sabe o resto
Porque acha que me conhece
Mas não conhece os meus porquês
E isso também faz parte de mim
Esse traço firme que eu não traço
Mas que existe e faz toda diferença
Como se eu te pegasse pelo braço
Te beijasse e não desistisse
Mas entre o que eu quero e o que eu tento
Há todo um espaço onde cabe o seu passo
Indo embora pela porta
Há um olhar de indiferença e outro que me quer
Então eu me calo
Porque não sei do resto
E vejo duas pessoas incertas se afastando
Você certamente e eu, de certo.
KP

Monday, March 30, 2009

I know you’ve got the instinct to survive through your doubts.

This might be my way of thinking you will be fine.

And blindly I’ve put my soul by your side

Just go on and take the shine out of the dark

I know you dare even if it they tell you not to.

This might be one of the reasons why I adore you

And I cover you all with my thoughts.

[Kate Polladsky]

Sunday, March 29, 2009

[...] Olha-a e se preocupa com sua fragilidade, com sua bravura, com seu projeto de mundo e sua rouquidão de tanto falar com Deus. Pede que os muros não a envolvam, mas que resolvam subi-la até o outro lado. Olha-a com desajeito. Desejos simples e claros.
Que seja feliz, que continue e não se esqueça de casa.

Certa noite, correu um vento frio por sua janela e a fez acender um cigarro que queimou mais forte. Roubou-lhe uns minutos de lembranças e outros de sabedoria. Ainda quer saber lidar com seus sonhos, com os sinais em seu caminho; e envolvida em tantos pensamentos confusos; tantos passos loucos que deu querendo dançar entre amigos e estranhos; ela tem algumas poucas certezas que a fascinam, mas não consegue dar-lhes vida. E nem morte. Apenas a abriga e leva em frente, quem sabe um dia. Quem sabe consegue. Talvez seja apenas questão de oportunidade, quando o momento certo vem e suas mãos se enchem de ferramentas, seu espírito se enche de coragem e seus passos se enchem de obstáculos vencidos -continuamente entre tombos, dores e jogos de sorte ou azar.
[...] Olha-a e sua esperança a tranforma em vitória. Sem qualquer intenção de desambiguação. Mas sabe só de olhar...
Kate Polladsky

Thursday, March 26, 2009

E assim todos apostaram seus mundos no seu, acreditando que em você mora toda essa força que junta cada um em torno de bons momentos, conforto, palavras únicas e comicidade. Encontram-na tão cheia de vida em qualquer que seja o seu cansaço, bem a tempo de completar mais uma história e de preencher qualquer vazio. Todas as fichas compraram a mesma ligação, chamaram para o mesmo encontro e jamais dispensariam sua presença. Sua missão é simplesmente fazer a diferença no dia ou na vida de alguém. É abrir no seu mundo portas e janelas para tanta luz, que se aquece ao delírio. Porque tens o jardim mais bonito. E te querem por perto, mesmo que por um instante de curiosidade. Mesmo que por pura necessidade. E assim, todos encontram no seu mundo, um teto para tempestade ou um lar de verdade.
Kate Polladsky

Wednesday, March 25, 2009

Não me abandona um instante que eu sei. Trai minha cabeça, e antes que eu adormeça já estou pensando em você de novo. Paro quase para sempre em um mundo que nem conhecia. E o que quer que me ocupe não dura, tão forte a imagem sua perto de mim. Rio só, passo horas pairando, esperando nada. Quase me toca; quase me beija e era essa a resposta que eu vinha procurando há tempos. Longe, conversa e sussurra. Escuto a mim mesma como se eu tivesse calado sua boca da maneira mais doce, mais eterna. E se eu assim fizer um dia não haverá qualquer outro dia além desse. Finalmente, vou te amar com meu rosto encostado ao seu, com a minha mão escondida no teu cabelo, com teu cheiro e teu abraço. Nenhum pedaço de mim se dirá só. Nem alma, nem coração. Nada me faria sentir dor. Pensamentos são só um por enquanto. Sai da minha cabeça e me toma pra si, amor.


KP

Monday, March 23, 2009

Sei que você volta por aqui, eventualmente e sempre. Teria a mesma certeza de que ainda se encontra talhado entre minhas palavras; algumas sublimes, outras subliminares? Ainda sente que deixo aqui sempre um rastro de mim e outro seu, que se mistura e se perde, não sei em quais significados ao certo, às vezes perde-se apenas ao insano; contudo jamais perde seu lugar e nem a oportunidade de chamar isso de lar. Mas ainda vê rastro seu?
Volta por aqui e ainda lê sem quaquer necessidade de interpretar o que sinto? Porque isso é tudo o que tenho a oferecer. Uma verdade crua, livre e toma por si só todo o espaço que poderia haver para algum sentido. Não o há. Nunca houve. Mas você, assim como eu, sempre soube e sempre o quis. Quem, além de nós apreciávamos a falta de sentido, o desconexo, o silêncio, óbvio que sobrevivia no escuro de nossas almas? Tão simples que se iluminava apenas dentro de nós dois.
Mas agora, quando volta. Não sente o vazio? Encontra sua presença nesse jardim, que florescia sempre trechos cinzas ou coloridos, que lhes vestiam como roupas quentes no inverno? Não creio.
Eu sinto sua falta. Do que você era antes de tudo o que passou a ser, e depois já não era nada. Aqui, a sua presença quase me deixa, um pouco mais a cada dia ou a cada vez que me lembro do quanto o desconheci. Do quanto errei-te como endereço. As minhas certezas que antes íam em sua direção e ficavam, agora voltam. Não te sinto como segurança, não te confiaria tanto de mim como antes. É assim que penso agora, neste minuto, neste instante.
Ao voltar, não sente-se cada vez mais distante? Eu não o tenho trazido comigo ultimamente. Minto, não o tenho trazido comigo há um bom tempo. Permiti que se esvaisse e tomasse seu rumo, para onde quer que fosse. Então eu decidi que não olharia pra trás. E por certo sofreria muito. Sofri um tanto, e depois nem tanto. Estamos sempre indo e vindo entre vidas. Despedi-me bravamente em silêncio e continuei. Devo ter me acostumado, devo ter aprendido. Devo ter me dado conta de que de fato, eu não deslizei.
Agora pois eu já nem sei, o que vou querer. Não tenho tanto pulso pra escrever coisas que nos arrastariam de volta para coisas em comum. Estranhamente levo uma apatia comigo. Como se a mim não importasse muito ver-te chegar ou sair. Nem a Segunda ou o Domingo. Estou levando minhas palavras a sós comigo mesma. Fechei a porta pelo lado de dentro e neste impulso por meu ego, trago sentimentos que vos escanteia. Trago escritos que não lhes diz respeito, mas se lhes é comum, tem o direito. E os compartilho também. Sei que volta por aqui. E quando voltar, a casa é a mesma. As palavras, os poemas, a pessoa... Todas como sempre fora de lugar.
Que você fique à vontade para se encontrar em mim. Embora eu não seja mais o seu lar.
Kate Polladsky

Sunday, March 22, 2009

Eu não escrevi isso sobre mim.
É tão triste ver uma flor assim, recolhida como se fosse o outono e temesse perder as petalas. É algo que não lhe faz justiça, mesmo que cative, mesmo que tenha seu charme, pois sua origem é uma tragédia. Mais bela quando saúda o mundo com um sorriso e encontra algo que a cative, ao invés ser a cativada. E você tem um motivo para sorrir, porque você tem um segredo, um mistério que muitos tentam penetrar e até você esquece de vez em quando. Algo que só você sabe, que ninguém tem a capacidade de compreender. É apenas você que sabe quão especial você é, a única que mora em sua cabeça, e por mais solitário que isso soe, é uma solidão ilusória.
Pois em você resta um mundo, que não é para ser conhecido, mas sim para se explorar, para se intuir, para se _conectar_. Esse mundo é seu mistério, e todo mundo que sabe um segredo tem um motivo para sorrir, da ignorância dos outros e das palavras dos tolos.
L.C.M
E você simplesmente sabe quando ela dá início a outro início.
Sabe quando aquela conversa se extende, ela realmente rende demais.
E as outras conversas, pendem. Em outras palavras, são deixadas pra trás.
Você simplesmente sabe quando ela te ignora. As suas palavras não são lembradas, as suas perguntas já não conquistam respostas e toda subjetividade contextualizada é tratada como amostra. Objetiva e materializada. Você simplesmente sabe quando há outra pessoa na jogada. Basta comentar a favor; nada do que você disser, nem mesmo uma vírgula será ignorada.
E você simplesmente sabe quando ela dá início a outro início. Porque ela acaba sendo todo torpor.


Kate Polladsky

Fecha os olhos. Vê o que eu vejo? Venta forte, e te falta o abraço. Segurando forte dentro de si isso tudo que o tempo vai rasgando, e pesando nos braços do seu coração. Mas ainda não te falei do quanto vale a vista lá do alto. Quando se mora sempre abaixo do que pode se tornar maior. Esse amor vai te engolindo e ao invés de te proteger e te mostrar pros olhos certos, apaga as luzes ao teu redor, esse amor não tem dó porque não é amor. Fecha os olhos e veja o que eu vejo. A quem quer enganar, se é o teu desejo que te engana. Assim não se faz primavera. A pessoa certa poderia ser ele, poderia ser ela. Mas neste momento a única pessoa certa, amando pessoas erradas, é você. Isso é o claro no escuro, não é preciso fachada. Mas só você não vê. Aconteça o que acontecer, não terá volta isso de abrir mão das suas idas. Saiba que quem quer que esteja te tomando, não te cuidará, não se importará tanto assim. Saiba que quem quer que nasça todos os dias mais forte no teu peito, não vai te completar, mas vai te faltar espaço pra crescer, e vai te faltar ar. Por que então querer fazer de tudo pra conservar o impossível? Lá fora possivelmente estão muitas pessoas que te farão diferença, e quebrarão a tua sentença auto-imposta. Supostamente a resposta, não é se fechar em torno de um único ser de luz duvidosa. Se esse único ser já te consumiu a luz de mil sóis. E então, não continua só? Somente inventando lembranças, ignorando os nós que não se cansam de amarrar seus pés a um caminho sem destino. Você vale mais, e não vale a pena tratar seus sentimentos como lenda. Não ainda, não ande pensando demais. Quem quer que esteja viciando os teus dias, não está se importando com a sua presença ou a sua ausência. Estar sempre lá não é bem a sua conquista. Basta saber que ainda que vente forte contra você, dá para abrir os olhos e ver que era só dar as costas e mudar a rota. Agora te empurra pra frente o que te paralisava. Se finalmente vir o que eu vejo, abraça. E segura forte dentro de você.

Kate Polladsky.

Thursday, March 19, 2009

Aprende-se a dançar nesse ritmo de passividade?
Minha paciência pesa enquanto penso na vontade
Que é extrapolar todas as linhas limítrofes riscadas no chão
Assim não. Desvio uma vez ou outra
Queria dizer que não fujo da razão, mas quer saber.
Meu coração tem razão. Quando diz que te gosto
E isso tem estado um tanto out of control.
Eu sei que sim, que alguma coisa mudou.
Esbarrei em amor, em paixão, em afinidade
E notei o quão diferente somos.
Mas aí fui deixando, que diferença faz a diferença
Quando se gosta de verdade?
Aprende-se a dançar nesse ritmo de passividade?
Estou passando a ver as coisas por um ângulo mais realista
Não que a realidade signifique a verdade
As linhas limítrofes só existem inteiramente pela metade
Sequer sabe pra que lado se divide
No chão pisam todos os pés, que são iguais, mas carregam mundos distintos
O meu pode ser melhor ou pior
Pode ser mais vivo ou mais extinto
Da mesma forma que morre, vai existindo
E eu não resisto em dizer o que sinto
Que aprendi a dançar uns passinhos novos
Quer eu goste de dançar ou não
De você eu gosto mesmo
Estou passando por tudo isso pra te ter
Pode ser?

Kate Polladsky



Tuesday, March 17, 2009

Another losing game.
I oughta start from the scratch.
So much time wasted.
All I need is to meet the maker.
To be taught, to be taken, to be totally faded.
By experience, all I’ve tried to reach, all I’ve tried to find.
Ended in nowhere road.
It was right there, it’s what I ever wanted.
But for me: no matches found.
Tomorrow has another name.
And it’s waiting for my move.
I foresee until where it may stretch
And I oughta start from the scratch.




KP
Vagará permanentemente meu coração entre um beijo perdido, um desconforto e os dias que não cessam? Eu estou aqui e tem sido sempre assim. Por onde você fica enquanto o mundo inteiro me entedia? Quem mereceu suas palavras enquanto o silêncio por si só não me entendia?
Existe um longo percurso entre onde estou agora e onde sempre quis estar. E nem mesmo o que significo pra você muda a inércia das coisas. Mas completa-se de alguma forma. Não importa o que me custe, ou o quanto eu mostre. Os caminhos estão aí. E sei que haverá o momento em que eu deixarei de ser acaso, que possível seja conquistar um destino ao teu lado, quando você passar por mim.
Kate Polladsky

Sunday, March 15, 2009

Revoluciona meu dia hoje. Mais palavras que de costume. Como conquistei? Besteira. São besteiras costumeiras, mas eu só queria a sua atenção. E faço o que posso por você, sem querer roubar suas estrelas, mas me encosta ao teu céu? Sozinha, tudo se ofusca tudo se desbota. Eu penso que não farei mais. Mas você me pede, e então tanto faz. Não sabe o que me pergunta denota, mas você já sabe que a resposta é sim. Você já sabe quase tudo de mim, mas não encosta. Que já é vai pesando demais o amorzinho que eu sinto por você. E se um dia você compreender através do tempo que não foi o meu coração lento, eu andei bem devagar pra você ver, com um vaga chance de você sentir o que eu sinto. Sem sorte alguma, apenas lamento. Não dou adeus e eu só agüento porque a sua conversa é solução pra mim.
Kate Polladsky

Friday, March 13, 2009

Essa luz que sempre me escureceu, queimou. Vejo que nunca estive lá. E sentir que o caminho certo era esse, já não me parece verdade. Não quero, e não posso mais caminhar à cegueira do meu coração. O chão se estende. Mas não vale mais a pena aquela direção. E o sol que nasce na minha frente, revela um olhar menos displicente. Eu escolho seguir à sombra do que fizer sombra realmente. Desisto dessa realidade que não me pertence. Essa esperança que sempre me queimou, escureceu. Morreria ela, ou morreria eu.

Kate Polladsky

Tuesday, March 10, 2009

De nós em diante é começo.
Antes disso, adormeço.
E não me recordo do quanto gostei de outrem.
Ontem mesmo esqueci.
Depois que apaguei a luz, só consegui te ver.
E nessa cegueira firme do que sinto não me resta mais nada.
É despertar para tudo isso que me renova, e acordar pra você.




KP
Saudade bem prática. Praticamente saudade. Vem a vontade dilacerar de novo.
Como se eu me rendesse um pouco a cada dia. E a força cessasse. Como se desse e houvessem saídas à vontade. E se eu quisesse sentir a brisa de tudo que reside somente à beira do precipício. Eu iria até lá com o pensamento em você. E ao cair desse mundo postiço, levaria a verdade que é ter te amado como um vício. Um pouco mais a cada queda. Mais passos sobre um chão que me pesa. Como se colocasse um fim em tudo isso. Mas a saudade, a saudade é sempre um início.




- Kate Polladsky

Monday, March 09, 2009

Conheço a minha natureza azul nos dias.

Mas desfaço-me deste semblante de tristeza

Torno-me branco, quase véu.

Para lhe agradar ou apenas pela paz

Do que sinto por você.

Abro mão do meu azul quase céu.

Para me prender a algum triz

Um concha branca perdida no aquário

oceânico, para ver o que me diz.

Conheço a minha grandeza fria de ser

Mas desfaço-me da névoa que impede

minha vista à tua luz

Torno-me límpida, clara-ainda que reticente.

Para esfriar a dor que é não te ter

Ou apenas pelo calor

Do que sinto por você.









Kate Polladsky
Se o teu impulso me julga, o que eu posso fazer?
Se as tuas palavras me faltam com a verdade, o que eu posso dizer?
Você já não me surpreende - calada fico.
Vejo você se perder de nós porque quer - apenas fito.
Houveram momentos que o tempo não dissolve.
Houveram erros que o seu lamento não resolve.
Já não pertenço ao que você pensa que é certo.
Já não mereço o que você pensa que é melhor.
Se o que você quer ver não é o que sou, o que eu posso fazer?
Se lhe incomoda quando eu falo ou silencio, o que eu posso dizer?
Um esforço enorme da minha parte pra te completar
Pedaços cada vez mais soltos do meu coração pra você brincar
Pra terminar, escolho não esperar mais nada de você.
Um elo simples, independente e duradouro
Que os seus sentimentos se desviem dos meus
Porque funcionaria apenas ludicamente
Nada seria mais como costumava ser
É assim que as coisas são
E não há nada que se possa fazer.




KP

Friday, February 27, 2009

Agora o que eu queria mesmo era encurtar palavras.
Seria uma maneira de encurtar caminhos.
A felicidade bateu no seu mundo e fez tremer o meu.
Eu sei que é assim que estão as coisas nesse momento
Mundo nenhum foi criado para que coubesse a mim e você juntos.
Ou nasce o seu, ou morre o meu.
Uma escolha quer estivesse certa ou errada
Afastou-me do que sempre conheci de mim, por você.
E não sei bem no que deu. Ou o que adiantou.
No fim, sinto profundo orgulho de ter conquistado algo ontem que se perdeu hoje ou silenciou-se de tal forma que nada me faria encontrá-la de novo.
O momento passou. Palavra nenhuma o traria de volta.
Palavras cansam, eu sei. Por isso encurtá-las.
Mas agora o que eu queria mesmo era cortá-las de mim.
As palavras certas, as melhores do que sinto.
Plantá-las em você, e resguardar-me à sombra do que crescer em silêncio.




Kate Polladsky

Thursday, February 26, 2009

Eu te quero. E isso é sempre um recomeço. Não importa em que era glacial do amor eu adormeça, eventualmente te quero de novo e me aqueço. Sei que me aborreço, me desmereço, reflito e me culpo. Então desisto de tudo que sinto, como se disso tivesse controle. Tento errar as suas fotos, a sua voz, os seus momentos. Não é algo que se diga suportável, vivo tentando fazer com que você se mude de mim -mas o problema sou eu que te tenho como endereço. E como se eu sempre soubesse o que fazer decido sobre o seu destino em mim. Por ser assim, tão impossível, calado e tomado pra si é que nasce um fim. Pensar em você é sempre mais do que posso ter; é mais pesado, mais distante, mais lúdico e cansativo do que qualquer rotina pode oferecer. Não sei bem como retroceder. Adaptar-me de novo a mim, e não à você. Em algum ponto em meio a isso tudo eu me despeço. Mas por enquanto é tudo o que tenho: eu te quero. E isso é sempre um recomeço.
Kate Polladsky

Wednesday, February 25, 2009

Mandar embora esse meio mundo de gente morando em mim. As mentiras eu disfarço, as verdades eu refaço e não compartilho nenhum pedaço com ninguém. Veja você que pássaro nenhum sobrevoou um oceano à minha espera. Fui eu passarinhar por mim. E assim calcei meu chão de estrelas onde haveria de dormir todas as noites. Sem frio nem miséria, sem vontade de rir ou acordar. Mas há na fila alguém que espera, já não serei eu quem estará lá. Largar poeira nesse meio destino de perdas. Inteirar-me de tudo que fragmentei: Coração, sono, sã consciência, serenidade e a santa vontade de estilhaçar o vitral que protege a janela, esta que dá a vez pro seu mundo entrar. Mas eu não me obrigo a abrigar o submundo de quem ousa. Mandar embora... Adeus é também um bem-estar.
Kate Polladsky

Tuesday, February 17, 2009

Sobre sentimentos.

Que maneira a sua de malear meu mundo. Sabe que depois de maldar meu peito, de inventar inverno e fazer de tudo pra que tudo não faça mais sentido, eu te vejo e nascem flores nos espinhos seus onde me machuquei. Lindo então ver que até tua cor já mudou e imaginar se teu sabor brota de damasqueiros como nenhuma fruta rósea já o fez; veria que eu não fui capaz de te sombrear nem de te buscar no teu próprio jardim. Me desculpe... Porque não te peguei pela mão a tempo e fui acudir meu coração, como se assim não me arrependesse jamais de ter sido feliz no escuro. Trouxe-me uma vez pra perto do teu olimpo, mas agora longe de tudo que conquistei, eu não sei se terei mais sossego. Silencio e tem som de lamento o meu silêncio; se soubesse. Não sei se recebeu de mim o suficiente, não sei de absolutamente mais nada que possa te deixar contente; e isso é tão angustiante quanto me prender a uma ilha e te ver partir com a cidade inteira a teus pés. Você é sim o dano que escolhi pra mim. Significa o pilar que me sustenta e me soterra. Sentimentos sobre sentimentos; pesa demais e enfraquece a luz. Já não consigo escrever, ou não posso. Já não consigo não gostar de você. Ou não posso.
-Kate Polladsky

Saturday, February 14, 2009

Perceba. Apenas porque sei que você dispensa palavras. Então não há nada que eu tenha de falar. Não há nada que eu consiga esconder. Apenas perceba. Com todo o seu metodismo, a sua ironia e esse seu jeito de imprimir reações que eu não sei se são pra ferir, pra ensinar, pra dispensar, pra marcar ou ofender e, o pior, eu não sei se por detrás do minuto de atenção que me dá, mora uma esperança ou uma indiferença. Cinco meses. Desse tempo não tenho idéia do que nasceu. Mas deixei que morressem algumas coisas. É autodefesa. Para não dizer, desistência. Estou até bem, e poderia levar isso adiante, assim como está... Mas eu acho que te amo. Para replicar a tua interrogação fria, eu acho que te amo há cinco meses. Então eu realmente acho que te amo.
Kate Polladsky

Wednesday, February 11, 2009

Talvez eu já não precisasse de você, e ficasse bem apenas na minha fuga. Mas acho que estou doente, ainda. Não me sinto capaz de te deixar ir, não prendo o controle do que sinto por você à minha pele, à minha cabeça, ao meu peito. Não. Ao contrário do que muitos pensam, eu não tenho controle. Nem tenho a razão. Tenho uma vontade e um sonho que, sem freios nem sombras, perdem o senso de direção e continuam colidindo sobre mim. Talvez já não fizesse diferença, ver quando você chega ou quando vai. Assim como costumava ser todos os dias. A diferença, na verdade, se faz nos dias em que sozinha eu refaço todos os seus passos, todas as suas nuances, os tons e a tonalidade do seu rosto, do seu corpo, do seu cabelo. Tanto detalhe carnal, banal e que insiste em representar algo a mais nesse espaço ínfimo entre o que sonho e o que tenho. Apenas esse espaço consegue tornar duradouro o que penso; e isto eu acomodo sem conforto nenhum entre o que não pude ontem e o que não poderei amanhã. Talvez eu tenha caído na fraqueza de não me acostumar com a tua ausência. E dessa forma, volto ao topo do que era viver esperando religiosamente pelo acaso, para que ele viesse e tecesse de verdade cada retalho do meu amor; e por fim nos cobrisse durante certo tempo, até que eu me curasse. Mas acho que estou doente, ainda...
Kate Polladsky

Monday, February 09, 2009

Das coisas que perdem significado. Das cartas que jamais serão entregues.


Porque encontrei na tua simplicidade a minha grandeza.
Eu te olhei, sem querer ver nada e foi mais significativo do que todos aqueles momentos pensados que já tive. Gastei palavras, inventei idéias, fiz o que pude dos meus dias insanos. Vem você me tirar pra dançar sem que eu soubesse que passos dar? E juntos construímos uma caminhada que não me cansa.
Porque eu parei de me questionar sobre tantas coisas apenas por ser você a minha única certeza. Tão cedo eu acreditei que não conseguiria mais acertar e já não sabia o que valeria a pena. Agora, ainda que tardiamente, eu sei. Tem tanta beleza nas tuas bobagens, tanto de mim nas tuas criancices; tanto que não sei o que é suficiente com você, porque te quero mais. E não quero mais nada ou mais ninguém. Você segura meu mundo enquanto pensa que apenas segura a minha mão. Nada é realmente complicado ou frustrante ao seu lado. E quando te vejo frágil, até esqueço as minhas fraquezas; porque me faz querer ser fortaleza e te proteger. Saber como você pensa ou como você faz nunca me preocupou. Eu sei que de uma forma ou de outra, você me surpreende. Mas quanto à sua previsibilidade amor, a ela eu me rendo. Porque não encontro nada em ti que não me complete. E te perder é algo que não me compete. Entende?

Kate Polladsky
Disse para mim mesma, meio decidida e meio interminável: E se isso for um erro? Um engano meio medo, meio cólera? Peça-me nada. É tudo que posso dar. Não sei escolher o que digo. Para mim não há direito de escolha. Então digo. Digo mesmo assim. Mas para você, me calo. Meio indecisa e meio acabada. E digo mais, quanto a calar-me... Não falo por falar. - KP

Sunday, February 08, 2009

Já passei por essa ponte antes.
Ela já caiu comigo antes.
Nada, nada mais como antes.
Apenas, as mesmas pontes.
KP

Friday, February 06, 2009

Legado.


-E jamais acreditarei de novo.
-E jamais confiarei de novo.
- Jamais algo novo acontecerá entre nós.
- Dá-se um nó.
- Para sempre.



KP

- Não me completa.

As pessoas, os lugares, as coisas. Esse momento, esse dia, esse clima de indiferença.

Os apegos, as vontades, os interesses. Não os tenho mais. Nada me completa. Nem mesmo este vazio. Já nem sinto que existo. Sentir-se um tanto faz é cansativo. Se fico em casa ou se saio, se encontro amigos ou família, se vivo de obrigações ou preguiça, se invento ou repito. Apenas sinto que não tenho nada. Um cansaço sem fundamento. Enjôo. Vivo apenas a conveniência e o acaso. Não finjo nem sou. Não concordo ou discordo e sempre termino o que sinto com “enfim”...

KP

Saturday, January 31, 2009

Livrar-se do conto de fadas. Imediatamente após o tudo reduzir-se a nada e o significante ter passado a fazer sentido em sua vida. Ver que a vitória não corresponde ao conjunto de tentativas. E agora? O bem que faz ter senso do ridículo. O ar que é ter amor próprio. E o passado era apenas um sonho. E a tua vontade era uma linha tênue que no fim nada tecia; nada amarrava; nada era tudo aquilo que completava o ciclo dos passos que dava. Mas afinal para onde ia? Que felicidade estranha era essa que queria? Essa que estranhamente não te pertencia. Não era?

KATE POLLADSKY

Wednesday, January 28, 2009

Que surpresa e que honra!
Obrigada Luciane, por escolher o TurnChaosIntoArt ao prêmio Dardos.



O Prêmio Dardos é uma forma inteligente de reconhecimento entre os blogueiros e tem algumas regras a serem seguidas pelos indicados:
-O indicado deve escolher outros 15 blogs para premiar.
-O indicado deve informar em seu blog quem o indicou ao prêmio.
-O indicado deve ter o selo do prêmio em seu blog na página principal.
-O indicado deve avisar aos premiados.
Os blogs que indico para receber o Premio Dardos são:

Saturday, January 24, 2009

Agora nenhum dos meus sentidos pondera
Tudo em mim se encontra devagar
Mas se você tem pressa em saber
Até quando te amar
Digo que vôo lentamente
Passando pelo precipício que é estar
Sobre amando e sub amando
Com sentimentos que me cortam as asas
E sentimentos que me fazem livre
Sei que estou passando
Pelas coisas que tenho que passar
E ainda que esteja de passagem
Aproveito a viagem
Porque não sei se o amor que de mim parte
Vai voltar.



[Kate Polladsky]

Tuesday, January 20, 2009

Quero fotos suas, fotos nossas. Quero os fatos, os momentos, as coisinhas. Quero a rede, os sussurros, a comédia. Sabe os beijos? As roupas jogadas, o café-da-manhã? Quero.
Quero o ontem como se eu o pudesse transformar em futuro. Apertar o botão play, repeat, aumentar o volume e deixar rolar para sempre. Ir fazer outras coisas, passar pelas pontes de monotonia com você e nunca parar de dançar entre nós dois. Quero aquele pôr-do-sol outra vez, e ver seus dedos dos pés me darem bom dia. Eu quero sua cara de sono, seu instinto, sua paciência e sua vontade de ser útil ao meu lado. Quero que saiba o que quero, sem que eu tenha de pedir, simplesmente porque já tenho tudo em você. Portanto só quero que continue. Que sejamos reticências em querer oficial. Te quiero...
KP

Saturday, January 17, 2009

[...] E se no seu mundo há lados, qual deles permanecerá do meu lado para sempre?



- Kate Polladsky

Wednesday, January 14, 2009

Desculpas pra fugir
Desculpas pra voltar
Mil desculpas por ir tão longe sem você.
E se somos o espelho um do outro
Deve haver em algum lugar a minha transparência
Ou eu já não sei o que reflete sobre mim e lhe atinge
Sem votos de engano
Não perca suas noites de sono
Eu estou bem aqui e o meu aqui não finge
Mas espere até o sol nascer de novo
Há dias em que brilho, há dias meus de escuridão
Desculpas pra fugir
Desculpas pra voltar
E segurar firme a sua mão
Mil desculpas por te fazer pensar
Que qualquer movimento meu fora em vão.



KP

Friday, January 09, 2009

Vai me dizer que não sente o desperdício?
Que não há na sub pele o vício?
Vai me dizer que não é frio todo o espaço entre o teu calcanhar e o meu?
Vai me dizer que ao iniciar em você, não terminava em mim?
Que ao renunciar o chão, não me procurou flutuante e livre?
Vai me dizer que o teu equilíbrio não repousa nas minhas arestas?
Que não deixaria cair seu corpo quente no meu infinito?
Que a minha presença não arde?
Vai me dizer que não sou teu litoral, o sopro na tua ferida?
Vai me dizer tantos eteceteras que não te deixarão dormir?
Que nunca fez a tamanha loucura de mensurar o seu amor ou o meu?
Vai me dizer que depois de tantas idas e palavras mal ditas, não passou pela sua cabeça dizer a mim adeus?
Que o seu beijo não se rende ao meu?
Sem o mínimo esforço, apenas o alvoroço e o momento.
Vai me dizer o que já sei? Sei que me calo e aguento um pouco mais.
Saber os porquês não me interessa, não me completa.
O que me completa é o tanto faz.
Vai me dizer que não sabia?
Que eu já senti o sabor da suas façanhas há muito tempo atrás?
Que eu já cansei de tratar meus sonhos como meras vontades?
O que me completa afinal, é que eu não preciso de verdades.
Apenas não ter que duvidar, em instante algum.
Vai me dizer que não sabia?




KP

Wednesday, January 07, 2009

Amou-a tanto.
Com todas as forças que tinha.
Amou-a contando com o silêncio em que cabia.
E amou seu universo inteiro:
Seus amigos, sua sombra, seus passos, seus arredores,
sua imagem.
Tanto faz como a amou.
Nem sabia de onde vinha tudo.
Mas no seu amor continha do mais nobre sentimento
Ao carnal desejo de se perder naquele sonho.
Sonho...
Amou-a tanto.
Como apenas em sonho pode fazê-lo.
Amou-a com dor, sim. E com zelo.
Para que não sofresse como sofria.
Para que não houvesse nenhum arranhão
E não se desgastasse entre os dias.
Amou-a tanto...
Tanto quanto podia.




Kate Polladsky

Monday, January 05, 2009

O seu jeito doce ou amargo. Se me imenda ou me desconcerta. Se implica ou me completa. Traço, ponto, partes suas. Não me incomoda, não me interessa. O seu todo ou fragmento. Contrói as pontes que se seguem aqui dentro. E se é dentro de mim que moro, por sua causa. Digo, que me aprisiono em amor latente. Com toda a expectativa e medo. De perder cada detalhe, cada movimento. Vou te amando aos poucos. Te amando muito. [Definitivamente].

Kate Polladsky


Sunday, January 04, 2009

Como se da vida não me alimentasse
Como se do meu achado me perdesse
Como se me declarasse infame, insone e incompleta
Não adoro homens, deuses, doses de nada e as medidas milimétricas dos erros que ainda hei de cometer. Sou como quando me calo por respeito ao mundo, e me silencio por respeito a mim. Porque sou gritante por respeito ao que faço e ponho fim. Porque sou colo, e sou calo. O peso do corpo e o peso do passo. Cansaço.
Como se me permitisse passar sem filtro
Como se levasse a sujeira que me lava
Não me rendo à impureza de uma perfeição.

Como se eu pudesse esquecer, confundo e me interrogo sobre o que realmente posso e como. Mas não sei digerir algumas das minhas idéias condicionadas. Porque não sei se engulo algumas verdades. Mas como as verdades também, sem fome, sem nada.
E a vida segue subnutrida. Como se de mim dependesse para beber. Como se da minha virtude infértil, tirasse a proteína. Eu não a sustento de carne e ossos. Sustento-a apenas de pretensões e atos indigestos, um tanto meus e de outrem. Como se.




Kate Polladsky




- Amou-me uma vez na vida borboleta,
E eu te amei além dos seus sessenta dias...
KP

Thursday, January 01, 2009

Você não sabe, nem eu vou dizer.
Que neste exato momento a sua foto me fere o peito
Meu coração não é lamento, é só aperto
Chegará o momento em que jorrará de mim o efeito
Do amor que se criou por dentro
E não é defeito, e não é fim
É apenas assim, silêncio e o som do vão
Quantas fotos suas irão se passar por consolo
Meu pensamento pesa no travesseiro
E meu corpo adormece quase vivo
Estou mentindo pra mim mesma
Que ultimamente eu tenho tido um pouco de ti
Te tocar sem dedos, te sentir sem pele
Te ver em linhas de cores
Não é suficiente pra mim
Não faz sentido buscar no real
O que não se pode ter
Não faz sentido buscar no papel
A estória que não vou escrever
Nem sobre mim, nem sobre você
Mas quer saber
O teu sorriso continua lindo
E quando você olha de lado
Fico sem graça
Eu renasço como se fosse pra mim
Aquele sorriso bobo
E como se nas suas fotos
Morasse o motivo de eu continuar
Prometendo a mim um dia te ter
Mas você não sabe
E nem eu vou dizer


Kate Polladsky

Monday, December 29, 2008

O que sinto, o que penso, o que desejo - tudo um dia há de morrer.
Até nisso erro.
A espinha dorsal do meu pensamento, fossiliza-se em você.
KP
Não vou me afobar, se você voltar tão diferente. Se voltar distraidamente me errando.
Não vou me questionar se não encontrar em você as respostas, não vou me perguntar, me encher de por quês, por que iria?
Não vou sofrer por que desacelerei meus passos durante os dias, e agora quem espera por mim? Não vou deixar de cantar, porque a banda parou de tocar. Cantarei indiferente, assim mesmo.
Não vou arranhar meu ego, enquanto tentava aveludar o seu, ou o de outrem.
Não vou comprometer minha verdade, pela verdade de ninguém. Ninguém é cem por cento verdadeiro. Nem comigo, nem consigo mesmo. Mesmo assim, farei um esforço enorme para não mentir. Não sei mentir tão bem quanto sei ocultar uma verdade. E não vou me prender a julgamentos. Verdade seja dita, o silêncio é o próprio escândalo. Então serei escandalosamente discreta com algumas verdades. [Silêncio]
Não vou materializar meus apegos, não vou humanizá-los demais. Acontece que me apego fácil, e não quero viver de menos por isso. Lembrarei de amenizar meus apegos, entre os extremos.
Não quero iludir meu coração com sentimentos repentinos, mas sei que vai acontecer sempre e outra vez. Sem querer ser fraca mas já sendo, amarei tanto ou mais do que sempre amei. Amor é uma fraqueza, mas não é um fracasso. Não necessariamente. Em alguma brecha desse todo mora uma luz que me fortalece.
Não vou esperar que descubram minhas esperanças. Elas estão espalhadas por aí. Já estão em evidência.
Não vou me prometer aos seus anseios, não vou me promover na sua dor. Não vou fingir que quero o que não quero. Já fiz isso pra agradar a um e outro, já me arrependi horrores.
Não vou forjar o momento. Ora, espere. Ou me erre.
Não vou, um monte de coisas. Não tenho porque me cobrar tanto, sei que não sou menos do que realmente sou.
Não me interessa ser em excesso, ter em excesso. Mas ás vezes faz bem, ser excessão.

KP

Friday, December 19, 2008

E não adianta. Não mais.
O que adianta é esquecer, deixar pra trás.
Houve aquele momento em que eu era ênfase.
Houve aquele instante em que eu te ganhava aos poucos.
Agora, nem palavras. Nem olhares. Nem presença.
Perde-se e morre toda e qualquer chance de que seu mundo
abrace o meu, e você beije meu rosto, beije minha boca, beije meu amor que ora cresce, ora despenca.
Perde-se e morre toda e qualquer chance de que você seja doce, delírio, motivo, casualidade, vida.
O querer se extende, entende?
Porém agora não adianta. Não mais.
O que adianta é esquecer.
Deixar pra trás.



KP

Thursday, December 18, 2008

Acho que a batizo de depressão natalina. Final de ano, sim me cai sobre a alma o poder de refletir ao menos trezentos de todos os dias do ano. Minto, não são tantos, mas me pesa como se o pudesse, de fato, fazê-lo. Amizades que fiz, amizades que se desfizeram de mim, pessoas que vejo apenas como um pontinho cada vez menor, na estrada que se segue. Amores que nasci, outros que abortei - ou que tentei. Sentimentos que me consumiram tanto tempo, o tempo que me consumiu por completo. Sinto-me só e perdida, fato. Mas é tão lindo e ridículo o espírito natalino, que ganhar presentes é o de menos, ganho ao longo do ano inteiro, pra que não ganhe no natal; percebi. Fazer um levantamento de quem realmente se importa com você, se realmente me importo comigo mesma. Levanto suspeita. Acho que aprendo muito, descubro muito, tento pouco, arrisco pouco, me arrependo muito, vivo muito mais ou menos, existo demasiadamente, afogada em rotina. Isso é mal? Péssimo? Ou apenas normal?
Deveria ter me esforçado mais, deveria ser menos preguiçosa, deveria sim ter dado uma de doida e talvez assim, eu não estivesse chegado na reta final me perguntado o que eu deveria ter feito. Arrepender-se por não ter feito! Insegurança, desconfiança, fragilidade, frescura. Enfim. Quando a minha depressão natalina passar, espero aprender a falar mais o que consigo escrever melhor ainda, espero me confundir menos, espero me permitir não esperar tanto, e perder. Espero aprender a dar não, e a ser mais generosa comigo. Aprender a vangloriar menos as pessoas, elas vão sempre te decepcionar. Fazer mais amigos, muito mais amigos. Amizades fiéis, que me ligue de madrugada, sóbrio ou não, apenas pela confiança, conforto, saudade, vontade de falar com alguém que entenda e haja consideração. Amigos pra fofocar, conspirar, xingar, discutir, rir e casar as almas. Caso contrário, ter um cachorro seria mesmo o ideal. O espírito de natal é um tanto assombroso, sinto- me mais racional do que espirituosa. Depois passa, em algum momento eu me encontro. Ou penso que sim. Boas festas!
[Ah... O peru e as sobremesas da minha tia... - Passou a minha depressão!].
KP

Monday, December 15, 2008

Vai saber o que eu quero.
Um momento de surto.
Um puxão de orelha não
Um alguém que me puxe pela mão
Me abrace forte, me ataque a jugular com beijos
Me decodifique em um minuto de olhar, me alimente o mistério.
Vai saber se o que eu quero é simples, é cabível, é causável.
Dois corpos e uma parede
Muros jamais
Palavras de efeito
Aliança à física, aos místicos, aos corpos.
[O explicável, o crível, o desejável]
Não depender de momentos sãos
Ser o impulso desregrado e o sustentáculo
Um sorriso conquistado, nada absolutamente forçado.
Refazer-se espontaneamente melhor
Sonhar, sonhar muito.
De olhos fechados e abertos.
De posse do mundo, com os pés no chão
E o chão flutuante, uma ilha.
Vai saber se o que eu quero
É o apenas.
De novo a pele e o momento
A paciência com a inexperiente falha
O objeto desmaterializado em sentimentos
Cabelos lisos que escorrem entre os dedos
E dedos que se cruzam, se fecham para um destino em comum
Reafirmar-se num querer carnal, desmoralizar-se dos medos
Numa verdade própria, na criatividade em acordar a criatura
Com o poder do calafrio e do café quentinho
Com a magnitude do amor de pequenos atos
Somente a vontade de conhecer
Um e outro. Um ao outro. E seu respectivo querer
O que eu quero eu não conto cada
Conto para ir ao encontro
Vai saber...



KP
Sinto que na minha confusão mora uma certeza.
Uma certeza calada, viva, boba.
Não consigo saber do que se trata, e essa certeza me maltrata por dentro.
Eu não a quero? Não agora? Eu não a sinto, eu não a tento?
Perco todo o meu tempo revivendo dúvidas, eu não entendo.
Sinto como se tocasse, que na minha confusão mora um desejo.
Um desejo simples, dependente, meio louco e descrente.
Mas desejo é desejo. Aquela coisa que cresce quente e te imobiliza toda.
Que te faz refém em si mesma e não te deixa pensar.
A minha confusão me vandaliza por completo.
Será então que tudo se fundamenta num desejo incerto?



Kate Polladsky
E falar-te que detesto esse tratamento indiferente, frio, esnobe.

Que eu não plantei a culpa, não tenho feito nada de errado.

Que desconheço sua doçura, sua atenção, sua pessoa.

E que canso. Finalmente canso.

E não te digo, porém me afasto.

Te perco de vista.

O trato que tenho comigo é o de não ser insistente e não mais adoecer de amor.

Sinto agora uma pontinha de dor, que tornar-se-à passado.

Eu que detesto passado também.

Enfim, passar bem.







KP

Friday, December 12, 2008

Não sei ser séria.
Minha seriedade se confunde com tristeza, vergonha, conveniência, mau-humor ou doença. Apenas sei ser cômica, irônica e sarcástica. Mas se precisar, aprendo a ser séria.
E depois esqueço, como se precisasse me lembrar.
KP

Wednesday, December 10, 2008

No fundo no fundo de mim há fogo.
Mas chovem sobre mim e me apago por dentro.
Torno-me aquela sensação de quem sempre teve luz e a perde.
Indaga-se: O que aconteceu?
Torno-me breu.
E me rompo à pressão da água.
Torno-me fria.
Lavada.
Escorro na angústia deslizante de não saber aonde se vai.
E quando caio em restos e impurezas
Dou-me conta de que sempre volto
Ao fundo de mim onde me aqueço.
KP
Or say, that she understands, but doesn’t know what it’s like.
Let’s even say that she fears happiness and therefore will always be on the verge.
I’m afraid she’s not used to be loved, considered, wanted and such. It must be really strange and uncomfortable to have someone after her to give her shelter and a ride in paradise. She just sneaks out! What monster is that she sees all the time? Why can’t she be blind and accept the touch and the whispers instead? By trying to see the best, she’s living the worst. The best might be blurry now, but it’s there. And I find no way to open her eyes. Maybe she’s in pain, in a real pain, I don’t know. I am. I say, I understand her. I need her. But she doesn’t know what it’s like to need. With body, heart and soul. All together burning in the same hurry. How dare you love to be so slow?
[Kate Polladsky]
Dependo dos meus defeitos para conviver.
Dependo dos meus erros pra viver.
Dependo de toda essa imperfeição que me dói e me ensina.




Kate Polladsky
A começar com me desculpe.
A terminar com eu te amo
No meio termo, não sei o que escondo.
Se é vivo ou se resistirá até o fim.
Espero que não morra dentro de minhas mortes.
Espero que dure o suficiente
Para que eu não tenha mais que pedir desculpas.
Por enquanto, me desculpe.
Eu te amo.



Kate Polladsky

Tuesday, December 09, 2008


[...] e por não saber que aquele instante fora seu, ela o perdeu.




Kate Polladsky

Thursday, December 04, 2008

Quando você tenta, e o tentar vira tormenta. Aí você já não tenta mais.
Quando sua dor é meio fome. Que embora seja sua, por dentro ela te come. Aí você já não a alimenta mais.
Quando você se apaixona e acha que ama. Aí a paixão te engana, e então por isso você já não sabe se amará mais.
Quando você acende uma luz dentro de si mesma, e vem alguém que não te conhece, te anoitece. Aí você já se perdeu demais.
Quando por fim, você acorda e vê que tantas horas felizes já não são tão felizes agora. Aí você vai embora e leva um vazio a mais.

Kate Polladsky






Wednesday, December 03, 2008

Apenas pela tua infantilidade, criancice, suas bobagens; é que me sinto à vontade com você. Pela tua mão assim bem maior que a minha, teus dedos nada pianistas, é que me segura firme nas poucas certezas que construo a respeito de alguém. Pelo teu olhar tão distraído, nas curvas que não tenho; nos meus olhos – que você pode chamar de mundo se quiser; na minha boca inquieta, é que te confio cada palavra que digo, cada absurdo que penso, cada vão que sinto, cada perda que tenho, cada vontade mundana, cada sonho impossível. Apenas por você ser meio portal na minha vida, aonde eu vou e volto do meu universo ao seu, é que te acho liberdade. Pela simplicidade em não precisar de muito ou de pouco para você ou para mim; apenas somos digamos assim: suficientes. Dou-te o que tomo e tomas o que dou. Brincamos de mentir, mas não nos machucamos com essas mentiras. Mentimos seriedade o tempo todo! Dessa forma, você é a minha verdade doce. Minha leveza, meu eu espantoso. Meu coração que não precisa de átrios e ventrículos, pelo espaço que ocupas. Apenas pelas coisas lindas que me escreve e pelas coisas lindas que escrevo, mas que me dás de presente, é que te amo e acabo me amando também. Você é uma das garantias do que sou. Pelo menos, faz sentido pensar assim. Apenas porque não preciso pensar muito ao seu lado. Respiro e vou. Acho isso sublime, colorido, curioso e tem um gosto bom. Não sei de quê, mas tem. Porque é formal nas ligações, e totalmente deformado fora delas. Muitíssimo engraçado tuas reações aos meus surtos. Pela educação quando não precisa ser educado, porque nunca vi bailar tão bem num estacionamento vazio nem ser tão louco ao me dar as chaves do carro. Apenas por confiar e pelos bla bla bla´s jurídicos que, deus me livre. Pela capacidade sobre-humana em me compreender e eu te daria uma vida inteira de “apenas” e porquês. Mas é apenas um texto, porque eu não sou mulher de dizer. Morro de vergonha, então prefiro escrever. Simplesmente porque você às vezes me surpreende, me ama mais quando deveria me amar menos, é sonso como se nunca tivéssemos brigado, e ataca meu açaí como se fosse comê-lo. Apenas porque não faz diferença o que somos. Ser ou não ser é bem menos do que estar ou não estar com você. Pelo amor carpe diem que temos. Que deixamos amontoar-se de momentos. Pelo tempo que nos conhecemos, porque eu nasci primeiro, mas você nasceu depois pra passar o resto da vida do meu lado. Pelos desencontros – porque deus entortou as linhas do nosso destino, para escrevê-las certo depois, ainda mais contínuas. E porque coloco essas linhas nas coisas que faço, essas coisas pelas quais você é apaixonado. Sem mais porquês. Apenas porque sim! Porque amo você.


Kate Polladsky

Monday, December 01, 2008

E POR MAIS QUE EU TENHA TENTADO AGRADAR QUASE SEMPRE E CONQUISTAR ALGO DE CORAÇÃO, QUEBRO A CARA, MAIS UMA VEZ. E ME DOU CONTA QUE AS PESSOAS NÃO TE TRATAM PELA FORMA COMO VOCÊ MEREÇA SER TRATADA. MAS SIM DE ACORDO COM A PROPRIA NATUREZA DELAS. POR ACASO ALGUMAS SÃO AMÁVEIS, EDUCADAS, TEM CONSIDERAÇÃO E TE ENXERGAM. ENQUANTO OUTRAS SÃO RUDES, SECAS, INDIFERENTES E CEGAS. ESTAS TE MACHUCAM SEM SABER COMO, QUANDO E O QUANTO. CAUSAM-TE SUFICIENTE DANO PARA QUE, NO INÍCIO, VOCÊ ESQUEÇA UM TANTO DE SI POR ELAS, QUE NÃO PARECEM MESMO MERECER. POR MAIS QUE EU TENHA TENTADO ME ADAPTAR À SUA NATUREZA, CEDO OU TARDE VEJO QUE MEREÇO REALMENTE AS PESSOAS AMÁVEIS, EDUCADAS, CONSIDERÁVEIS, QUE ME ENXERGAM. OU MEREÇO MAIS AINDA, AS PESSOAS RUDES E SECAS QUE NÃO ME PERMITAM QUEBRAR A CARA POR ELAS, PORQUE AO MENOS LHES RESTAM A CONSIDERAÇÃO. AO TENTAR AGRADAR TANTO AOS OUTROS, ME CAUSO ABANDONO E DESRESPEITO. NOTO, ASSIM QUE QUEBRO A CARA. E DESSA FORMA APRENDO A DAR NÃO, A VIRAR AS COSTAS SE PRECISO. AO TENTAR AGRADAR ME DEI CONTA QUE OS NÃO MERECEDORES, SÃO TAMBÉM OS MELHORES PROFESSORES. COM ELES APRENDI A ME DAR VALOR E CONTINUAR AGRANDANDO, SEM TENTAR AGRADAR NINGUÉM. SER BOM DEMAIS NÃO É SUFICIENTEMENTE BOM. ÀS VEZES, ISSO É PIOR. E É SEMPRE MENOS AINDA.
KP

Você não presta atenção ao que sinto. Nem mesmo eu, presto pro que sinto. Sinto-me pretensiosa, quanto atrevimento sentir tudo isso. Chega a pesar, a pender meu coração; uma laranja, meio azeda, meio doce. Indecisa do gosto que tem, por tua causa, fica lá pendurada. A casca respira, o interior cresce forte sem saber do que nasceu, sem saber do que vai morrer. E um dia, eu sei que poderá apodrecer na dúvida; por não fazer sentido. É bem esta, a natureza do que sinto. Mas eu demonstro esse monstro tonto. Amor idiotizado no seu tanto faz. Você é distraído demais. Indiferente demais. É demais pra mim. Se sentisse o que eu sinto, sentiria-se pouco importante, impotente, imperfeito e impertinente. Faço papel de sentinela, boba e esperançosa. Esperando que você sinta algo por mim, nem que seja um sinto muito. Nem que seja, eu não sinto nada por você.

[Kate Polladsky]


Era uma vez a ausência de uma estória pra contar,
Uma palavra para significar,
Um sentimento pra entender,
Uma vontade de saber,
Era uma vez eu e você...
[Kate Polladsky]