Friday, February 27, 2009

Agora o que eu queria mesmo era encurtar palavras.
Seria uma maneira de encurtar caminhos.
A felicidade bateu no seu mundo e fez tremer o meu.
Eu sei que é assim que estão as coisas nesse momento
Mundo nenhum foi criado para que coubesse a mim e você juntos.
Ou nasce o seu, ou morre o meu.
Uma escolha quer estivesse certa ou errada
Afastou-me do que sempre conheci de mim, por você.
E não sei bem no que deu. Ou o que adiantou.
No fim, sinto profundo orgulho de ter conquistado algo ontem que se perdeu hoje ou silenciou-se de tal forma que nada me faria encontrá-la de novo.
O momento passou. Palavra nenhuma o traria de volta.
Palavras cansam, eu sei. Por isso encurtá-las.
Mas agora o que eu queria mesmo era cortá-las de mim.
As palavras certas, as melhores do que sinto.
Plantá-las em você, e resguardar-me à sombra do que crescer em silêncio.




Kate Polladsky

3 comments:

Margarete said...

Não corte-as nem as encurtem, apenas pronuncie todas elas...

A “cobra” sempre que necessário, muda todo o couro, para começar tudo novamente, fica mais viçosa, mais ágil, mais viva e mais voraz, assim como nós precisamos nos renovar, separar para depois juntar e viver um novo ciclo uma nova vida mais feliz mais plena com muito mais bagagem para o recomeço.

abraço

Maria Fernanda said...

A sombra do silêncio as vezes é tão fria que machuca.

Dona Fernanda said...

tudo que eu queria dia desses eram as minhas palavras, meus discursos apaixonados, até minha retórica, só queria minhas palavras, e elas se foram pra um silêncio absoluto que as perdi de vez.